Rev. Interd em Cult e Soc. (Rics)


Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS)



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7361-32378-1-PB (1)
Rev. Interd. em Cult. e Soc. (RICS), São Luís, v. 5, n. 2, p. 1- 17, jul./dez. 2019 

ISSN eletrônico: 2447-6498 

 

física aristotélicas. Por outro lado, a concepção epicurista das relações infinitesimais 



e sua incrível velocidade, é essencial para a réplica diferencial de Deleuze à teoria 

das  ideias  de  Kant,  seu  uso  da  argumentação  transcendental  para  articular  as 

condições  genéticas  da  experiência  real  e  a  especificação  do  conteúdo  das  ideias 

virtuais. (BENNETT, 2017, p.248). 

  

Para Deleuze, são as condições singulares do atributo que foram observados pelos 



estoicos que passaram a ser denominadas do acontecimento; efeito não classificável entre os 

seres,  por  isso  o  acontecimento  não  é  compreendido  enquanto  o  ser,  ou  uma  de  suas 

propriedades, mas o que se diz ou o que pode ser afirmado do ser; por isso, o acontecimento é 

pensado  enquanto  o  que  é  exprimível  na  linguagem  por  efeito  dos  verbos

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:  “O 


acontecimento pertence essencialmente à linguagem, ele está em uma relação essencial com a 

linguagem; mas a linguagem é o que se diz das coisas.” (DELEUZE, 1969, p. 34). Deleuze 

pergunta-se  o  que  querem  dizer  os  estoicos  quando  opõem  a  espessura  dos  corpos  aos 

acontecimentos incorporais que se dariam somente na superfície. E responde, apresentando a 

teoria  dos  incorporais  como  via  pela  qual  apresentam-se  como  os  primeiros  a  tornarem 

independentes  e  heterogêneos  as  causas  e  os  efeitos,  pois  de  um  lado  estão  as  ações  e  as 

paixões  dos  corpos  e  do  outro  os  atos  dos  incorporais.  Essa  relação  de  independência  e 

heterogeneidade  pode  ser  compreendida  pela  trama  dos  corpos  (forma  do  conteúdo)  e  pelo 

encadeamento dos expressos (forma de expressão). Assim, Deleuze (1969, p.15) pode afirmar 

que as misturas em geral “(...) determinam os estados de coisas quantitativos e qualitativos: 

as  dimensões  de  um  conjunto  ou  o  vermelho  do  ferro,  o  verde  de  uma  árvore.  Mas  o  que 

queremos dizer por ‘crescer’, ‘diminuir’, ‘avermelhar’, ‘verdejar’, ‘cortar’, ‘ser cortado’ etc., 

é de uma outra natureza”; ou seja, já não são mais estados de coisas ou misturas no fundo dos 

corpos, mas acontecimentos incorporais na superfície do ser, que são o efeito dessas misturas. 

Os  estoicos  insistem  na  questão  de  que  nada  está  fora  do  ser,  ou  do  Destino,  existe  uma 

imanência  que  compreende  todos  os  seres  numa  corporeidade  absoluta,  e  nada  pode 

                                                

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  Uma  das  consequências  dessa  virada  filosófica  proporcionada  pelos  estoicos  é  a  modificação  silogística  da 



proposição. Enquanto em Aristóteles se parte de declarações categoriais que se tornam hipotética, por exemplo, 

“se o sol brilha, então é dia”; “se uma mulher tem leite em seus seios, então ela deu à luz”, por essa via trata-se 

antes  de  analisar  a  necessidade  das  relações  entre  as  proposições,  que  podem  ser:  condicionais,  consecutivas, 

comparativas ou disjuntivas. Essa última interessa a Deleuze, citando em diversas oportunidades a célebre frase 

de Crisipo; “se dizes algo, isso passa por tua boca; ora, dizes carroça, então uma carroça passa por tua boca”; 

“Se não perdeste algo, o tens; agora, não perdeste cornos, logo tens cornos”. A proposição disjuntiva inclusiva 

possibilita  pensar  os  opostos  não  como  contraditórios,  mas  como  distensões  do  que  é  expresso,  e  ao  mesmo 

tempo não leva a qualquer verdade universal. 




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