Resolução do guião de leitura do Auto da Feira, de Gil Vicente I — a estrutura do auto



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GUIÃO DE LEITURA


Resolução do guião de leitura

do Auto da Feira, de Gil Vicente
I — A estrutura do auto

    1. O Auto da Feira pode dividir-se em três partes. A primeira (do verso 1 ao verso 181) corresponde ao monólogo de Mercúrio, deus da mitologia pagã, que vem cativar a atenção dos espectadores através da apresentação de uma sátira das práticas de adivinhação a partir da observação dos astros, hábito corrente na altura. Corresponde ao Prólogo da peça.

De seguida, encontramos a segunda parte do auto (do verso 182 ao verso 510), que equivale à preparação da feira de Mercúrio, à instalação das tendas do Tempo (e do Serafim) e do Diabo e à entrada da principal cliente, Roma. Corresponde a uma alegoria, uma vez que a feira simboliza o mundo, o Serafim simboliza o Bem, o Diabo simboliza o Mal e Roma apresenta-se representando a Igreja Católica.

Finalmente, a terceira parte do auto (do verso 511 até ao final) corresponde à sátira social em que se criticam temas variados como a família, o matrimónio ou o materialismo vigente na altura, através dos diálogos dos feirantes (Serafim e Diabo) com os compradores (dois casais de lavradores) ou do desfile das jovens do campo que terminam a peça com uma cantiga de louvor à Virgem.

2. Podemos classificar a primeira parte do auto (o monólogo de Mercúrio) como um sermão burlesco, uma vez que constitui um monólogo breve, recitado por uma das personagens, sobre um tema (o aproveitamento dos astros para efeitos de adivinhação do futuro), referindo algumas autoridades (por exemplo, o matemático Francisco de Melo); mas o seu objetivo é, através do absurdo, satirizar o tema tratado.

A segunda parte do auto pode corresponder ao auto de moralidade, pois estas peças pretendiam apresentar conteúdos de cariz filosófico-religioso recorrendo frequentemente à Alegoria (a feira é um símbolo do mundo, as personagens não são históricas nem individualizadas, antes constituem uma abstração que apresenta o eterno conflito entre o Bem e o Mal). O objetivo do auto de moralidade é edificante e tenta inspirar uma lição de moral — a necessidade de a Igreja se regenerar e ser espelho, na Terra, do mundo divino.

A última parte da peça será uma farsa, visto que é abandonado o universo religioso e apresentada uma vivência profana. O seu objetivo é fazer crítica social, satirizando. O riso é suscitado através das situações cómicas apresentadas (os maridos que desejam trocar de esposas, as queixas de Branca Anes por ter um marido preguiçoso, o desajuste entre as ofertas espirituais da feira e os desejos materiais dos clientes, as investidas amorosas de Mateus e Vicente prontamente repelidas pelas pastoras devotas) e da linguagem popular utilizada pelas várias personagens.




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