Reportagem serra leoa acendem-se as luzes dossier



Baixar 2.04 Mb.
Pdf preview
Página81/86
Encontro30.06.2021
Tamanho2.04 Mb.
1   ...   78   79   80   81   82   83   84   85   86
C

riatividade

Occhiello

C

riatividade

61

61


I

dentificam-se de bom grado as influências africanas na Arte das

Caraíbas, mas as da Europa também se manifestaram na fusão

que insuflou nos corpos, tanto como nos cantos e nas danças, o

romantismo, o halo, a melancolia sensual e a visão escancarada

destas ilhas.

A música europeia que conduz ao arrebatamento da dança – rondas,

valsas, mazurkas, passos de dois – e o romantismo, nomeadamente o da

Europa Central e Oriental, tal como cristalizado nas músicas de Brahms

ou de Chopin, vão entrar na amálgama caribenha. Ao virar do século

XVIII, no Haiti, por exemplo, os Polacos, chegados muitas vezes con-

trariados entre as tropas napoleónicas, foram os primeiros Europeus a

apoiar a nação em gestação e contribuíram amplamente para divulgar

na região o violino e o spleen da sua música. Violino e spleen que se

encontram também nas danças merengue, guaracha ou zouk.

Este património europeu está na base de todas as tendências musicais,

tanto em Cuba como no Haiti, em Porto Rico como na Martinica. Mas

na burguesia nascente, a música clássica da Europa ou dos criadores

locais vai intitular-se “música sábia”, que passará a ser ensinada a par-

tir da primeira década do século XIX na escola de música de Milo, cri-

ada pelo rei Cristóvão no Norte do Haiti, ou nos círculos de música de

São Domingos. Com o tempo, a música vai mestiçar-se com mais calor

ainda, acentuando os seus traços característicos: mais romântica, mais

quente, mais suave. 

São estas as “danzas” do cubano Ignacio Cervantes (Duchas frias e 3

Danzas) e dos haitianos  Ludovic Lamothe (Danças espanholas n.° 2

em lá menor, n.° 3 em fá menor, Declaração), Frank Lassègue (Canção

da margem n.° 3) e Alain Clérié (Prelúdio) na 2ª parte do concerto de

Michel Laurent que abre com peças de Brahms (Valsas Opus 3) e

Chopin (Mazurkas, Opus 6 n.° 1, Opus 67 n.° 2, 3 e 4). A flexibilidade,

a elegância e a interpretação apaixonada de Michel Laurent são os argu-

mentos ideais para nos restituir a sensualidade de um repertório deste

tipo. 


H.G.

I

Teatro Molière, Bruxelas, 26 de Abril, às 20h00



“Danzas des deux mondes” (“danças dos dois mundos”) destina-se a organizar regular-

mente espectáculos sobre a mestiçagem entre as músicas clássicas caribenha e europeia.

Informação: 

danzas2worlds@hotmail.com

DANZAS


DES DEUX MONDES

Quando a música clássica se mestiça 





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   78   79   80   81   82   83   84   85   86


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal