Reportagem serra leoa acendem-se as luzes dossier



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H.G

I

D

ois milhões e meio de turistas visitam Chipre todos os anos.

A ilha parece ser capaz de se adaptar ao estado de espírito

de cada um. O silêncio e a serenidade dos sítios arqueoló-

gicos para uns, as magníficas praias ou os cumes das mon-

tanhas cobertos de neve para outros, os belos museus e outros espaços

de cultura para prazer dos amadores de arte e os locais de divertimento

para os foliões. E tudo a menos de uma hora de distância de um

ambiente para outro. Além disso, a ilha oferece o perfeito desenraiza-

mento, tendo misturado a herança grega com influências orientais e

mesmo africanas. Aliás, todos os prestigiosos sítios arqueológicos são

romanos e não gregos. A pintura é bizantina, o artesanato veneziano.

Chipre é realmente cipriota. E essa é a sua mais bela qualidade.

Christina Mita, guia turística profissional, resume assim o seu país: “A

dança, a música, o dialecto são diferentes da Grécia. A influência grega

impede Chipre de ser oriental e o Oriente, muito presente, impede-o de

ser 100% grego”.

Desde o encerramento do aeroporto de Nicósia na sequência da ocu-

pação, Larnaca, encantadora cidade costeira no Sudeste, tornou-se a

principal porta de entrada do país. Alardeia o seu encanto fora de moda,

sobretudo o do antigo bairro turco, e o ambiente romântico e pitoresco

dos passeios de namorados à beira-mar, mal a noite cai. Certas aldeias,

como Pyrga e Kiti, são, pela decoração interior das suas igrejas e

capelas, soberbos testemunhos da passagem dos reis dos francos.

A norte de Larnaca, agitava-se noutros tempos a alegre Famagusta. Só

uma pequena parte dos seus subúrbios está sob o controlo da República

de Chipre. Dir-se-ia uma bela adormecida, quase sem habitantes, con-

servada como eventual contrapartida de um hipotético  reconhecimen-

to do Estado do Norte pela República de Chipre. 

Na costa Sul, fica Limassol, o pólo importante do turismo balnear com

os seus clubes nocturnos e o alarido característico destas cidades. Mas

à sua porta, está a serenidade do sítio arqueológico da cidade greco-

romana de Kourion durante muito tempo cobiçada pelo Egipto (Ramsés

III) e que, mais tarde, será assíria e persa. O seu teatro, com o mar ao

fundo, abriga um grande festival de arte. E os arqueólogos continuam a

trazer à luz do dia grandes extensões da cidade romana. 

Entre Limassol e Paphos na costa mais a ocidente, quase à entrada da

cidade mais sofisticada de Chipre, o imaginário desperta em Petra tou

Romiou, local onde segundo a mitologia nasceu a deusa Afrodite,

emergindo da espuma do mar (aphros). Se tiver alguma dúvida quanto

à realidade do mito, a rocha com o seu perfil, que surgiu da água ao

mesmo tempo, continua bem presente. Mais para norte, no interior, está

um outro mundo, o da calma dos mosteiros das altas montanhas de

Troodos, procuradas também pelos amadores de esqui. 

>

Local de cultura e ‘check points’



Sítios arqueológicos, mosteiros, a história está presente em toda a parte.

Mas é ainda mais patente na capital Nicósia, Lefkosia em grego,

Lefko_a em turco. Nicósia é provavelmente a mais pacífica das cidades

divididas da história. Mesmo ao chegar à linha de demarcação, não há

qualquer tensão. Um símbolo comovente: na linha de demarcação entre

o posto de controlo da República de Chipre e o da parte Norte, estão

instaladas as forças da UNFICYP no palácio Ledra. Uma ou duas vezes

por semana, um coro, o Bi-communal choir composto de cipriotas gre-

gos e turcos, faz aí os seus ensaios, obrigando cada membro a passar

pelo posto de controlo. Os dois directores do coro, um de cada comu-

nidade, exprimem-se de preferência em inglês. O coro foi criado desde

a abertura do primeiro ponto de passagem em Abril de 2003. Dá concer-

tos tanto na parte Norte como no Sul. Os cantos são das duas comu-

nidades, sendo o mesmo por vezes cantado nas duas línguas, como a

Niksarin Fidanlari, uma velha cantilena turca adoptada também pelos

gregos. Lenia Melanidou e Costis Kyranides, os dois directores,

relataram a longa história do coro, a única associação bicomunitária a ter

sobrevivido ao longo do tempo, através de desalentos e vicissitudes.  

Nicósia encerra um património inestimável, como o Museu de Arte

BELEZA 


E

SEDUÇÃO 


de 

três continentes





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