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O financiamento do 10.° Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) de seis anos



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O financiamento do 10.° Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) de seis anos

(2008-2013) para a Serra Leoa destina-se a projectos que visam reforçar a estabili-

dade e a boa governação e facilitar a retoma económica. 

Palavras-chave



Debra Percival; Serra Leoa; 10.° FED; Infra-estruturas.

Renovação de estrada financiada pelo 9.º FED, 

Masiaka-Bo 2008.

© Debra Percival

Longa extensão de areia, praia Lumley

2008. 


© Debra Percival

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N. 5 N.E. – ABRIL MAIO 2008



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Serra Leoa

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ao ano 30 a.C., data em que começa o período

romano, que termina em 330 d.C. O país

torna-se então província de Bizâncio e assim

permanecerá durante quase nove séculos, ape-

sar das sucessivas incursões árabes. Isso con-

tribuirá para impregnar fortemente a cultura

deste Império Romano Oriental. No fim do

séc. V, a Igreja Ortodoxa de Chipre tornar-se-á

autocéfala, possuindo, pois, o direito de

nomear o próprio arcebispo metropolita que

preside a esta Igreja.

Ricardo I (Coração de Leão) apodera-se da

ilha no fim do séc. XII e cede-a aos Cavaleiros

Templários, cujo regime retrógrado e ditatori-

al será seguido do domínio veneziano em 1489

e da ocupação otomana em 1570. Esta vai

durar até à cessão de Chipre em 1878, sempre

teoricamente parte do Império Otomano, à

administração britânica como contrapartida de

uma protecção contra a ameaça russa. 

>

Uma das tragédias da história do



séc. XX

Em 1914, como represália pelo alinhamento

da Turquia ao lado da Alemanha, a Grã-

Bretanha anexou Chipre que se tornou oficial-

mente colónia britânica em 1925. A anexação

foi relativamente bem aceite porque os defen-

sores, a grande maioria da população, da eno-

sis (união com a Grécia) viam nela uma

ocasião propícia. Sofreram, porém, uma

grande desilusão. Irromperam insurreições,

rapidamente debeladas. Também após a

Segunda Guerra Mundial, a recompensa faltou

aos cipriotas gregos recrutados em massa

(60.000 pessoas) ao lado das tropas inglesas.

Em 1955, entraram na luta armada. Graças à

intervenção americana, os dirigentes grego e

turco chegaram, em 1959, a um acordo sobre

as condições da independência de Chipre

excluindo qualquer projecto de união com a

Grécia e de divisão do país. Foi previsto um

direito de veto para a minoria cipriota turca

(aproximadamente 20% da população) quanto

a certas questões sensíveis, bem como uma

participação de 30% na função pública. Um

acordo definitivo foi celebrado entre as duas

partes e a Grã-Bretanha, garantindo, nomeada-

mente, a esta última a manutenção das suas

bases militares. Chipre alcançou a inde-

pendência em 16 de Agosto de 1960, sendo

presidido pelo arcebispo Makários, um dos

grandes líderes terceiro-mundistas e não alin-

hados.


>

A divisão

Os mais determinados das duas comunidades

estavam insatisfeitos com os acordos para a

independência, e conflitos sucessivos levaram

ao envio em 1964 pelo Conselho de Segurança

da ONU de uma força de manutenção da paz.

A divisão do país começou para todos os

efeitos quando os ministros cipriotas turcos

deixaram o Governo e os seus concidadãos

passaram a refugiar-se cada vez mais na parte

norte da ilha.

A junta militar que tomou o poder na Grécia

em 1967 fomentou um golpe de Estado contra

o Presidente Makários. Em resposta a esta

provocação, e na ausência de qualquer reacção

da terceira potência garante da independência

de Chipre, a Grã-Bretanha, a Turquia invadiu

militarmente o território em 20 de Julho de

1974.


Em pouco tempo, ocupa perto de 35% do ter-

ritório, ou seja, a parte mais desenvolvida à

data, cujo potencial económico estava estima-

do em 70%. E é traçada uma nova linha de

demarcação que divide a cidade de Nicósia em

duas partes. É actualmente a única capital divi-

dida do mundo. Cerca de 140.000 cipriotas

gregos, um quarto da população do país, aban-

donaram as suas habitações para fugir para a

parte sul. Por outro lado, desapareceram 1500

pessoas. Os cipriotas gregos e os maronitas

não são mais do que algumas centenas na

parte norte. 

>

Renasce a esperança 



Terão sido necessários vinte anos à população

da República de Chipre para reconstruir a

economia e devolver-lhe todo o seu esplendor.

De tal sorte que Chipre pôde responder aos

critérios para aderir à UE. Nas instâncias

europeias, esta adesão implicava uma reunifi-

cação prévia no âmbito do plano da ONU, co-

nhecido como Plano Annan, que devia ser

adoptado por referendo em simultâneo nas

duas partes da ilha. Enquanto, na “parte ocupa-

da”, recolheu 65% dos votos, foi rejeitado por

76% dos cipriotas gregos, o que fechou a porta

da Europa à parte norte do país. Este resultado

teve o efeito de um balde de água fria nas

instâncias europeias e enraizou o ressentimen-

to dos cipriotas turcos. A realidade é, porém,

muito mais complexa. Contrariando os proces-

sos de intenção, os cipriotas gregos não 

parecem querer vingar-se mas consideram sim-

plesmente o Plano Annan desequilibrado, con-

tendo demasiadas exigências para si próprios e

excessivas prerrogativas para os cipriotas tur-

cos senão para a Turquia.

A eleição para a presidência, em 24 de

Fevereiro transacto, de Demetris Christofias, o

candidato do AKEL (partido comunista de

Chipre), mostra claramente que os cipriotas

gregos não estão interessados no prolongamen-

to da discórdia. As correcções solicitadas por

Demetris Christofias ao Plano Annan valeram-

lhe o apoio de Tassos Papadopoulos, antigo

chefe de Estado e principal vencido nas

eleições, cuja eliminação à primeira volta, ape-

sar do êxito obtido no plano económico e

social, é mais uma indicação de que uma

grande parte dos eleitores considerava que a

sua obstinação contra o plano Annan não con-

tava com uma larga aprovação. 

O diálogo foi reatado no dia seguinte à eleição

de Demetris Christofias que deu início às nego-

ciações com Mehmet Ali Talat, presidente da

República Turca de Chipre do Norte (Estado

não reconhecido pela comunidade interna-

cional). O primeiro símbolo deste desbloquea-

mento é a abertura na linha de demarcação de

uma passagem, a da rua Ledra. Ledra era o

primeiro nome de Chipre.  



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