Reportagem serra leoa acendem-se as luzes dossier



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Por Gibril Foday-Musa

*

Lenha para venda na berma da estrada 2008. 

© Debra Percival

Jovens à procura de diamantes, Kaisambo, 

Kono 2008. 

© Jornal de Awoko 

Mapa do projecto florestal de Gola. 

© Conservation International



40

N. 5 N.E. – ABRIL MAIO 2008



R

eportagem

Serra Leoa

R

eportagem

Serra Leoa

41


A

frondosa folhagem verde da natu-

reza que contrasta com a terra

escarlate e que abriga uma abun-

dante fauna e flora é tão humilde

quanto arrebatadora. O governo sabe que ao

preservar estes recursos naturais pode trazer

os turistas de volta ao país (ver o artigo sobre

o ambiente).

O Ministro do Turismo da Serra Leoa,

Hindolo Tyre, que tem um pequeno e

aconchegado escritório no estádio nacional de

desporto, afirma que o sector não ficará fora

de jogo: “Houve sempre um Ministério do

Turismo, embora tenha sido sempre conside-

rado um ministério esquecido. Há mesmo uma

piada que diz que quando um ministro toma

más decisões é castigado com o pelouro do

turismo. Para mim, não se trata de um castigo,

trata-se, isso sim, de um desafio. As pessoas

não podem contar eternamente com as minas”.

Fica apenas a seis horas de voo da Europa,

mas é árdua a tarefa de mudar a imagem exter-

na do país. Em termos de praias arenosas, o

país pode competir perfeitamente com a

Gâmbia ou o Senegal, com as suas baías

escondidas como Sussex, River 2 ou a sua

longa extensão em Lumley. Em relação às

infra-estruturas, já não é bem assim. Os voos

para a Serra Leoa são muito caros e a localiza-

ção do aeroporto nacional em Lungi (numa

península) implica que, à chegada, se tenha de

dar um saltinho suplementar de helicóptero

para chegar a Freetown.  No momento de

redacção deste artigo, não existia ainda trans-

porte marítimo alternativo para a capital. 

Dia de limpeza



Outros pormenores que afastam e dissuadem

alguns turistas: a pobreza visível, uma economia

fortemente numerária e problemas ambientais,

tais como resíduos – essencialmente plásticos –

despejados na praia de Lumley. O governo

declarou o último sábado de cada mês como o

“dia de limpeza” ambiental, sem tráfico nas ruas

e em que se espera que todos fiquem em casa a

limpar a sua zona.

“Este sector pode tornar-se numa importante

fonte de divisas e num criador de emprego.

Dizer que somos um país destroçado pela guer-

ra não corresponde à realidade. Precisamos de

comercializar e promover o nosso país não só

além-fronteiras, mas também internamente”,

afirmou o Ministro.

Para os principiantes, o Ministro pretende

imprimir um mapa onde se assinalem as belezas

naturais, os locais históricos e as relíquias do

país. Ele menciona vários elementos: o cenário

extraordinário e os quartos de hotel refinados da

cidade de Bumbuna e a Ilha Tiwai, que é uma

reserva natural estonteante. 

As antigas moradias coloniais com varandas

ornamentadas incutem um cunho de antiguidade

a Freetown. E o algodoeiro – uma árvore

majestosa encontrada no final do século XVIII

pelos antigos escravos americanos que conquis-

taram a sua liberdade lutando ao lado dos

britânicos na Guerra Civil Americana e que

chamaram “Freetown” à sua nova terra – é um

ponto de passagem obrigatório na capital. 

“Parte do nosso plano estratégico inclui a pre-

sença de consultores jurídicos, ainda que

durante períodos de apenas três meses, para

analisarem as regras e regulamentos. Por exem-

plo, o Tourism Development Master Plan de

1982. A Monuments and Relics Act, por outro

lado, data de 1957. Mesmo alguns dos nossos

acordos com hotéis não são favoráveis à Serra

Leoa”, acrescentou.

Na sua opinião, o investimento externo era vital,

dadas as prioridades nacionais serem a electrici-

dade, a alimentação e a água: “Observando bem,

o país assemelha-se a uma virgem imaculada

pelo investimento e os investidores, mas a abor-

dagem que queremos pôr em prática é total-

mente diferente. Uma das falhas do sistema

anterior foi  precisamente a interferência políti-

ca. Nós queremos despolitizar tanto quanto pos-

sível a nossa abordagem”.

D.P. 

I

Sítio Web: 



www.sierraleone.org

Será o


TURISMO

um

LEÃO PROVOCADOR?





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