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Luxuriante e fértil, é fácil ver porque é que muitos pensam que a agricultura  tem um



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Luxuriante e fértil, é fácil ver porque é que muitos pensam que a agricultura  tem um

enorme potencial na Serra Leoa. Como em muitas áreas da economia do país, os 

conflitos têm deixado marcas e há falta de meios. Por isso, não é fácil convencer as

pessoas a laborar as terras. Para alguns, a agricultura é mais uma punição do que

uma maneira de ganhar a vida, explicou o Ministro da Agricultura, Dr. Sam Sesay,

que tem o múnus de estimular a produção e criar empregos no sector.

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N. 5 N.E. – ABRIL MAIO 2008



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eportagem

Serra Leoa

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Práticas incompatíveis 

com o ambiente

O conflito incidiu na alegação de que a empresa

tinha retirado as terras aos habitantes locais e no

perigoso impacto ambiental das operações

indiscriminadas da empresa com explosivos. A

empresa mineira também foi objecto de violen-

tas críticas por parte de grupos da sociedade

civil e de ONG que continuam a considerar as

actividades da empresa não só desrespeitadoras

do ambiente, mas alegam igualmente que a

Koidu Holdings não tomou quaisquer medidas

para reparar os danos causados ao ambiente

depois das operações mineiras. A empresa

Koidu Holdings não é única nesta matéria.

Por outro lado, na luta contra a degradação

ambiental, o Governo da Serra Leoa e os seus

parceiros para o desenvolvimento precisam de

fazer frente às actividades locais de certos indi-

víduos, como o abate de árvores para produção

de carvão vegetal, a exploração mineira ilegal,

desorganizada e ‘gratuita para todos’ nas zonas

diamantíferas e a exploração ilegal de madeira. 

Paradoxalmente, todas estas actividades consti-

tuem igualmente um importante meio de sub-

sistência e de sobrevivência de muitas pessoas

de quase todos os quadrantes sociais. Uma

vasta investigação feita por um dos principais

jornais nacionais, Awoko, publicou um relato

pormenorizado de jovens numa actividade

mineira violenta no distrito oriental de Kono.

Havia fotografias que mostravam uma terra

esgotada, enquanto os mineiros cavavam deses-

peradamente debaixo de pontes e de casas.

Mais de 100.000 jovens escavam o solo sim-

plesmente pelo pão diário. É assim que eles

vêem isto. Outro jornal, For Di People, publi-

cou um artigo de investigação em que indica os

nomes de políticos importantes que ajudam e

incitam tacitamente empresas estrangeiras a

desenvolverem actividades clandestinas de

exploração de madeira, que no entanto o

governo proíbe. A nível local, a alegação de

“associação criminosa” abrange tanto líderes

locais como tradicionais.

I

* Jornalista da Serra Leoa, Freetown



www.RSPB.org

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......

A

UE atribuiu 1 milhão de euros para

assistência técnica destinada à cri-

ação da Comissão Nacional para o

Ambiente e as Florestas (CNAF), explica

Matthias Reusing, que está à frente do

Desenvolvimento Rural na Delegação

da UE na Serra Leoa. Será um ponto

central para todas as análises das inter-

venções ambientais, legislação e dados,

bem como para integrar as questões

ambientais nos principais domínios de

intervenção política,      como a explo-

ração mineira, as pescas, a água, o

saneamento e a descentralização.

No âmbito do Programa Floresta Gola,

o país também está a pensar no comér-

cio de direitos de emissão. Uma possi-

bilidade consiste no Mecanismo de

Desenvolvimento Limpo do Protocolo

de Quioto. Destina-se a criar créditos de

Redução Certificada de Emissões (RCE)

para os países em desenvolvimento

diminuírem as emissões. A Serra Leoa

não é signatária do Protocolo de

Quioto, mas pode olhar para os merca-

dos voluntários de carbono, que ven-

dem actividades que reduzem os gases

com efeito de estufa a empresas ou

indivíduos que querem reduzir o seu

rasto de carbono, explica Reusing.

A Serra Leoa também está incluída num

estudo da DG Desenvolvimento, com

lançamento previsto para a Primavera de

2008, sobre o comércio transfronteiras

legal e ilegal de madeira e de produtos

florestais na África Ocidental. O Governo

mostrou recentemente interesse num

acordo de parceria voluntária no quadro

do programa da UE intitulado Aplicação

da Legislação, Governação e Comércio

no Sector Florestal (FLEGT) para reprimir

a exploração florestal ilegal*.

D.P. 

I

* Os Acordos FLEGT são regimes voluntários de



licenças com países parceiros que asseguram

que só pode entrar na UE madeira obtida legal-

mente nos países parceiros.  

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