Reportagem serra leoa acendem-se as luzes dossier


D.P.  I Palavras-chave Debra Percival; King Fisher; Serra Leoa



Baixar 2.04 Mb.
Pdf preview
Página38/86
Encontro30.06.2021
Tamanho2.04 Mb.
1   ...   34   35   36   37   38   39   40   41   ...   86
D.P. 

I

Palavras-chave



Debra Percival; King Fisher; Serra Leoa;

músico; rap.

Z

oom

É

sábado e o Body Guard Studio, nas traseiras de uma rua de

Freetown, é o local do nosso encontro com King Fisher, um

músico que se tornou DJ número um da Serra Leoa, produtor

de música e documentarista. Acabou de chegar de uma região

do país onde esteve a gravar vídeos que apelam à compreensão pública

para as dificuldades que enfrentam os serra-leoneses. 

Fisher está apaixonado pelo seu país e pela música. As oportunidades

de distracção são raras. Levanta-se às 6 e meia da manhã, ouve as notí-

cias da BBC World e segue directamente para o estúdio a fim de insta-

lar um novo equipamento de produção de música e de vídeo.  

Para muitos serra-leoneses, como King Fisher (aliás, Emrys Savage), a

guerra civil alterou a marcha do futuro. O panorama musical no seu país

descolou durante o conflito que durou uma década, a dos anos noventa,

“quando tudo deixou de funcionar”.  

“Nessa altura, trabalhei como DJ e participei em concursos de rap. A

maior parte do tempo era escolhido para fazer parte do júri. Num deles,

encontrei um grupo chamado Black Roots. Este foi o primeiro grupo

jovem a actuar ao vivo. Fiquei tão impressionado que prometi ajudá-los

com álbuns. Estávamos então em 1995”.

Em 1997, Fisher começou a compor as suas próprias canções. Explica

como surgiu o nome do estúdio: “Havia uma estação de rádio britânica

chamada British Forces Broadcasting Service (BFBS) e um DJ muito

forte que tinha um grupo chamado Bodyguard. Apenas utilizei o seu

nome. Também vi no nome um tipo de protecção contra muitas coisas

que aconteceriam mais tarde”.

Ele fala da influência de Jimmy Bangura (Jimmy B), um serra-leonês

que tem um contrato de gravação com a EMI e que passou a maior parte

da sua juventude nos Estados Unidos e na África do Sul, sendo também

o primeiro a importar equipamento digital para a Serra Leoa. Após o

fim da guerra em 2002, criou o Paradise Recording Studio e deu a

jovens, colectivamente conhecidos por Paradise Family, a oportunidade

de editarem o primeiro álbum gravado na Serra Leoa. Foi um grande

sucesso. “Tentei levar, sem êxito, os Black Roots para os Paradise

Family. Prometi-lhes, no entanto, que um dia criaria o meu próprio

estúdio de gravação”.

Outra porta se abriu a Fisher quando trabalhava para Search for

Common Ground, uma ONG internacional com uma representação na

Serra Leoa, com a qual continuou a trabalhar, fazendo vídeos sobre

assuntos que preocupam os serra-leoneses, que vão da saúde ao com-

bate à corrupção. “Encontrei um expatriado que estava a instalar um

equipamento digital. Pensei, uau!, posso comprar um computador, algu-

mas coisas, instalá-las, montar um estúdio e isso tornou-se no estúdio

digital”.

Às 10 e meia, Fisher interrompe para fazer um intervalo (hora do chá),

depois regressa directamente ao estúdio até às 3 da tarde. Fala-nos da

edição do seu primeiro álbum:

“Quando fizemos a nossa primeira compilação no Body Guard Studio,

chamada Body Guard Revolution Chapter 1, as pessoas perguntavam-

me qual era o significado da revolução e se eu queria voltar aos tempos

da guerra. Disse-lhes que esta revolução é positiva”. Para Fisher, os

KING FISHER 

Um músico serra-leonês 

com “ambientes conscientes”  

Um dia 


na vida de 

Páginas 26 e 27:

King Fisher no Talking Drum Studio, Search for 

Common Ground, Freetown (Serra Leoa) 2008.

© Alfred Bangura aka Funky Fred, Talking Drum Studio

Álbum popular de Emmerson produzido 

por King Fisher 2008.

© Emmerson

N. 5 N.E. – ABRIL MAIO 2008



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   34   35   36   37   38   39   40   41   ...   86


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal