Reportagem serra leoa acendem-se as luzes dossier



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D

ossier

Pesca

G

lobalmente, a pesca artesanal ori-

gina mais de 80% dos postos de

trabalho directos e indirectos no

sector da pesca. A pesca artesanal

ACP também é essencial às actividades de trans-

formação artesanal que abastecem os mercados

locais e regionais de peixe. Na África subsa-

riana, por exemplo, as estatísticas da FAO mos-

tram que a pesca artesanal assegura até 80% dos

desembarques de peixe destinado ao consumo

humano directo. Além disso, no caso da África

do Oeste, a pesca artesanal também desempenha

um papel importante no aumento da oferta de

peixe fresco aos mercados internacionais remu-

neradores, como a Europa, os Estados Unidos

ou a Ásia.

Em 2006, num encontro organizado pelos

armadores europeus para estudar uma maneira

de contribuir para o desenvolvimento sustentá-

vel dos países ACP, o Ministro da Pesca de

Moçambique declarou que a Europa devia

«compreender melhor os problemas que os paí-

ses enfrentam quando desejam gerir as suas

pescarias de maneira sustentável. A principal

luta que travamos é a luta contra a pobreza abso-

luta. O sector da pesca tem um papel a desem-

penhar nesta luta. Nesse sentido, o nosso princi-

pal objectivo é o desenvolvimento integrado da

pesca artesanal”. 

A pesca artesanal como instrumento privilegia-

do de luta contra a pobreza é uma relação que se

verifica em todos os países ACP costeiros.

Longe das imagens miserabilistas veiculadas

por alguns, a pesca artesanal é um sector

dinâmico, capaz de inovação, que representa

uma escolha privilegiada para responder aos

desafios do novo milénio, desde que se lhe

prestem a devida atenção e um apoio adequado. 

Um destes grandes desafios dos países ACP é a

restauração dos ecossistemas fragilizados e das

reservas de pesca sobrexploradas pela pesca

intensiva e destrutora. Neste contexto de empo-

brecimento dos recursos, os pescadores ACP

devem optar por um sistema de pesca de quali-

dade em vez de uma pesca quantitativa e privi-

legiar técnicas que respeitem, tanto o ambiente

como a qualidade do produto. Para começar,

existe uma ligação clara entre a qualidade do

produto e os desembarques da frota artesanal.

Na pesca mauritana, por exemplo, a superiori-

dade da pesca artesanal em termos de qualidade

e de valor acrescentado do produto é um ele-

mento constante. Assim, em 2005, o polvo cap-

turado pela pesca artesanal mauritana vendia-se

a um preço superior de 200 dólares/tonelada ao

do capturado pelos arrastões congeladores.

Relativamente aos peixes nobres de fundo, só os

produtos artesanais fornecem a qualidade

requerida para a exportação em fresco para a

Europa, atingindo um preço médio de 4,5 euros

o quilo, quando os mesmos peixes congelados

da pesca industrial custam menos de 2 euros o

quilo.


As modalidades de intervenção da União

Europeia no sector da pesca ACP deviam 

consistir em dar a prioridade ao investimento

nestas pequenas e médias empresas de pesca

artesanal e nos sectores dos serviços e das infra-

estruturas (portuárias, acesso aos locais de trans-

formação, utilização de tecnologias apropriadas)

para que o sector, nos países ACP, pudesse

exprimir todo o seu potencial em matéria de luta

contra a pobreza e pela segurança alimentar. 

I

* Coordenadora CAPE (Coligação para Acordos de



Pesca Equitativos)

Pesca artesanal ACP: a

MAIS EFICAZ

para responder

aos desafios do novo milénio

Pescas artesanais: os desafios da 

RASTREABILIDADE

E DA QUALIDADE.

O caso do Senegal

**

A noção de 



“valor

acrescentado”



E

m geral, é incorrecto falar de “valor

acrescentado” na transformação do

peixe. Em muitos casos, o esforço de

transformação não acrescenta qualquer

valor ao produto. Na realidade, o peixe

começa a perder valor logo que sai da

água... Tanto assim é que, para se opti-

mizar o valor dos desembarques, é

necessário guardar o produto vivo, ou

fresco, o mais tempo possível...

I

Béatrice Gorez*



Gaoussou Gueye*



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