RelaçÃo de material retirado da tss para envio em exposiçÃo estática na afa



Baixar 4.8 Kb.
Pdf preview
Página67/81
Encontro17.03.2020
Tamanho4.8 Kb.
1   ...   63   64   65   66   67   68   69   70   ...   81
49 .   A CIÊNCIA FUNCIONA 
 
   Iniciou-se o novo ano e tínhamos muitos planos observacionais em meta, O 
João Batista fizera um excelente trabalho na digitação e diagramação dos dados 
do  eclipse  de  novembro  passado,  eu  como  não  deixei  passar  a  oportunidade, 
distribui  este  trabalho  também  às  várias  entidades  e  pessoas  ligadas  à 
astronomia no Brasil e exterior,  não deixando também de seguir a sugestão do 
Hélio Vital. 
 
   Para  nossa  surpresa  e  admiração,  este  trabalho  foi  muito  bem  aceito  por 
seus destinatários e recebíamos de muito lugares, elogios pelos dados colhidos 
e pela iniciativa inédita em colocar-mos observadores e observatórios no Brasil 
e no exterior via fonia em iniciativas como a realizada. 
 
No  entanto  o  projeto  observacional  do  Hélio  Vital,  trouxe  um  ponto 
observacional  não  menos  importante  e  que  em  nossas  reuniões  preliminares, 
decidimos  deixar  para  um  outro  projeto  observacional  mais  detalhado  num 
futuro  próximo.  O  Vallis  Brasiliensis,  e  naquele  início  de  ano  era  hora  de 
começar-mos a definir as linhas gerais de observação deste trabalho. 
 
   Eu já tinha conhecimento deste assunto, através da leitura do Reporte n.º 5 
da REA de autoria do Nelson Falsarella, o João Batista sugeriu ainda contatar o 
pessoal  do  Monoceros  devido  ao  excelente  conhecimento  selenográfico  dos 
membros daquela equipe e também ao Nelson Falsarella. 
 
A oportunidade não tardaria, pois em 25 de maio, ocorreria um eclipse parcial 
da  lua  em  que  poderíamos  em  sua  fase  penumbral  tentar  visualizar  este  ponto 
lunar,  e  ainda  cronometrar  algumas  crateras,  no  entanto  este  vale  não  foi 
observado em nosso posto observacional. 
 
   Eu voltei a mira de meu telescópio e minhas diretrizes para a controvertida 
dicotomia de Vênus de acordo com o projeto de observação n.º 198/94, porém 
sabia  que  minhas  oculares  não  forneceriam  o  aumento  mínimo  necessário 
solicitado  no  projeto,  mas  decidi  arriscar  e  de  28  de  julho  a  15  de  setembro, 
passei  a  maioria  dos  fins  de  tarde  ou  início  do  crepúsculo  vespertino  com  os 
olhos pregados na ocular de meu refrator usando um aumento de 100 vezes. 


 
Em outubro, eu recebi do Cláudio Brasil Leitão Júnior, os dados reduzidos dos 
esboços, juntamente com uma correspondência informando que o aumento que 
usei  poderia  acarretar  numa  má  definição  do  terminador,  mas  que  isso  não 
ocorreu em minhas observações. 
 
   Particularmente fiquei muito grato com a atenção que foi dada pelo Cláudio 
Brasil  aos  esboços  que  fiz  e  iria  muna  próxima  oportunidade  empregar  o 
aumento necessário.  
 
   Nesta  época  também  era  hora  de  dar  início  aos  planos  de  viagem  que 
visavam a observação do eclipse total do sol de 03 de novembro de 1994 no sul 
do Brasil, e recuando um pouco no tempo vamos ao desenrolar destes fatos. 
A  comunidade  de  Lagoa  Santa  juntamente  com  os  membros  da  Paróquia  de 
Nossa  Senhora  de  Loreto,  promovem  anualmente  uma  festa  junina  com  a 
finalidade  de  angariar  recursos  para  obras  assistênciais  e  creches  daquela 
comunidade,  e  nós  tínhamos  por  obrigação  de  divulgar  o  eclipse  junto  ao 
público. 
 
Mas desta vez a idéia não  foi minha, o amigo Dimas Guido da Silva, solicitou-
me  que  colaborasse  colocando  telescópios  a  disposição  do  público  durante  a 
festa  como  uma  atração  a  mais  para  motivarem  os participantes, eu contatei o 
João  Batista  e  ele  indicou  a  amiga  Maria  Geralda  Alagoas  para  também 
colaborar  no  atendimento  ao  público,  porém  algo maior para a divulgação do 
fenômeno  deveria  ser  e  foi  feito,  eu  me  lembrei  da  cartilha  que  o  Cristóvão 
Faria  elaborou  para  o  eclipse  de  11  de  julho  de  1991  e  elaborei  com  o  João 
Batista  uma  cartilha  para  distribuição  ao  público,  aí  a  "Ciência  no  Arraiá"  foi 
um  sucesso  junto  aquela  comunidade,  que  de  24  a  26  de  junho  daquele  ano 
pode admirar a Lua e o planeta Júpiter.  
 
   No  entanto  com  o  mês  de  outubro  já  em  seu  início  eu  e  o  João  Batista 
averiguamos junto aos associados do CEAMIG, quem gostaria de participar de 
uma viagem até Foz do Iguaçu no Paraná para observarmos de lá o eclipse em 
sua faixa de totalidade. 
 
   Cristóvão, Janer Vilaça e alguns outros, seguiriam de avião para Criciúma e 
iriam  inicialmente  para  Foz  do  Iguaçu  Antônio  Rosa  Campos,  João  Batista 
França  Nunes,  Maria  Aparecida  de  Queiroz  e  Helder  Barbosa  Viana,  e  no 
sábado de 16 de outubro de 1994, fizemos uma reunião na residência da Maria 


Aparecida  para  acertarmos  meio  de  transporte,  data  de  viagem,  reservas  em 
hotel e equipamentos. 
 
   Seguiríamos  inicialmente  para  Foz  do  Iguaçu  de  ônibus,  mas  o  Helder 
Barbosa  Viana  teve  a  brilhante  idéia  de  empreendermos  tal  viagem  de 
automóvel,  eu  logo  pensei  que  realmente  poderia  ser  uma  boa  devido  ao 
mercado  de  automóveis  estar  abarrotado  de  carros  importados,  pois  assim 
faríamos uma boa economia em passagens e ainda pouparíamos as despesas do 
aluguel de automóvel naquela localidade. Para minha surpresa e também nossa 
alegria,  juntou-se  a  nosso  grupo  Cristine  Haagensen,  amiga  de  longa  data  que 
eu não via a muito tempo. 
 
   Iniciamos nossa jornada, às 06;30 do dia 1º de novembro estávamos todos a 
bordo  de  um  valente  e  possante  automóvel  FIAT  147  brancos,  ano  de 
fabricação  de  1983,  que  equipado  com  um  motor  1050, percorreu um total de 
3.200 Km nos 06 dias de viagem, e isto foi uma deliciosa aventura, pois dentro 
do  estado  de  Minas  Gerais,  São  Paulo  e  o  oeste  do  Paraná,  existem  lugares 
maravilhosos e lindas paisagens. 
 
Eu estava preocupado com as condições meteorológicas e fiquei gelado quando 
em meio a viagem, nossa valente e possante rodonave, enfrentou uma violenta 
tempestade  entre  as  cidades  de  Taquaritinga  e  Echaporã  no  estado  de  São 
Paulo,  aí  fomos  forçados  a  realizar  uma  escala  técnica  em  nossa  viagem  para 
descansar o corpo e o super motor 1050 do FIAT. 
 
   Na  manhã    seguinte,  retomamos  o  curso  de  viagem  e  conseguimos  chegar 
em  Foz  do  Iguaçu  às  16:00  horas,  ainda  estávamos  preocupados  com  as 
condições do tempo quando eu, João e Helder procuramos o Destacamento de 
Proteção  ao  vôo  do  Ministério  da  Aeronáutica  no  Aeroporto  Internacional  da 
Cataratas, ali chegando procuramos verificar através da sala de tráfego alguma 
informação de previsão do tempo, quando o pessoal daquele setor trouxe cópia 
da  fotografia  feita  pelo  satélite  meteorológico  às  15:00  (GMT)  daquele  dia, 
onde indicava a presença de uma zona de alta pressão sobre o Paraguai, e isto 
iria  garantir  excelentes  condições  do  tempo  para  o  sul  do  Brasil,  todo  o 
Paraguai, nordeste da Argentina e sul da Bolívia por 24 horas. 
 
   Esta  informação  foi  animadora,  retornamos  ao  hotel  onde  Cristine  e  Maria 
Aparecida  já  estavam  aguardando  para  o  jantar  e  discussão  das  observações 
durante  o eclipse em suas fases. Como  não dispúnhamos de um GPS, o nosso 


local  de  observação  em  Foz  do  Iguaçu  deveria  ser  um  local  onde  teríamos 
conhecimento prévio de suas coordenadas. 
 
Antecedendo  nosso  embarque,  pedi ao Jânio de Souza Godoy, que verificasse 
no  ROTAER  (Manual  Auxiliar  de  Rotas  Aéreas)  as  coordenadas  do  eixo 
longitudinal  da  pista  de  pouso  e  decolagem  do  Aeroporto  Internacional  das 
Cataratas e solicitasse também no Destacamento de Proteção ao Vôo de Lagoa 
Santa  o  METAR  (Informe Meteorológico de Área) de Foz de Iguaçu dos dias 
01, 02, 03 de novembro, nos horários que corresponderia ao início, meio e fim 
do eclipse, para ter uma idéia da variação de temperatura e do ponto de orvalho 
nos dias antecedentes e no dia do eclipse.  
 
   Finalmente  chegou  o  grande  dia  que  amanheceu  muito  ensolarado  e  com 
uma  visibilidade  muito  boa  com  cerca  de  95%  de  céu  limpo  e  só.  Eu  corri  o 
centro  daquela  cidade  e  consegui  emprestado  um  cronômetro,  retirei  via 
TELEPAR  (Telecomunicações  do  Paraná)  o  sinal  horário  do  Observatório 
Nacional  e  nossa  equação  pessoal  de  Cronometragens  para  aquela  manhã_  e 
rumamos  para  um  local  próximo  a  pista  do  aeroporto.  Na  hora prevista, Sol e 
Lua iniciaram o mais belo espetáculo natural da Terra. 
 
   O  mesmo  absurdo  que  passou  pela  cabeça  do  amigo  Ignácio  Ferrín  no 
eclipse  de  11  de  julho  de  1991  no  México,  passaria  pela  minha.  O  que 
ocorreria  se  os  cientistas  estivessem  equivocados  e  na  realidade  nada  iria 
ocorrer  ?  estão  lembrados  do  fiasco  do  cometa  Kohoutec  e  da  tão    badalada 
visita do cometa Halley ? vi pela televisão os anúncios e recomendações para a 
população  em  não    observar  o  fenômeno  sem  proteção  nos  olhos,  e  até  uma 
entrevista do Prof. Ronaldo Rogério de Freitas Mourão  que também estava em 
Foz de Iguaçu para o eclipse, recomendando e ensinando a população de como 
deveriam proceder para observar o eclipse. 
 
   No  caso  do  amigo  Ignácio  Ferrín  uma  pequena  mordida  da  Lua  no  disco 
solar,  foi  o  bastante  para  tirar  de  seu  pensamento  estas  idéias,  eu  somente 
acreditei  que  iria  pela  primeira vez presenciar o eclipse na totalidade cerca de 
10 minutos antes, pois estava ocupado em registrar em fotografias o avanço da 
Lua pelo disco solar. 
 
A luz foi sutilmente reduzindo-se e o disco foi tomando forma de uma unha de 
gato  e  aquela  manhã_  aos  poucos  ia  tomando  forma  de  entardecer,  quando 
olhei  na  direção  noroeste  vi  a  sombra  se  aproximando  a  uma  enorme 


velocidade de nossa direção, rapidamente olhei para o João Batista e ele estava 
com  o  cronômetro  na  mão    e  com  um  dos  olhos  pregado  na  ocular,  olhei 
rapidamente  para  algumas  casas  pintadas  de  branco  da  vila  militar  e  também 
para o FIAT e pude ver faixas de sombra que corriam velozmente e eram mais 
visíveis  quando  encontravam  um  fundo  branco,  era  o  fenômeno  Shadows 
Bands  chamei  a  atenção  da  Cristine  para  isto,  olhei  para  cima  rapidamente  e 
pude ver por instantes o sol desaparecendo e em seu lugar um anel de pérolas 
que se formará, muito rapidamente tornou-se o sol em um grande disco negro, 
estávamos na totalidade.   
 
   Naquele momento, muitas pessoas que estavam no pátio do estacionamento 
de  veículos  daquele  aeroporto  gritavam  e  aplaudiam,  o  pessoal  da  torre  do 
aeroporto  acendeu  as  luzes  de  balizamento  de  pista  e  taxiamamento  de 
aeronaves,  pois  neste  momento  um  jato  vinha  em  procedimento  de  pouso 
naquela pista. 
 
   Eu  e  os  demais  pudemos  observar  Vênus,  Júpiter,  Arcturus  e  uma  grande 
quantidade  de  estrelas  no  céu  diurno,  em  torno  do  sol  uma  magnífica  coroa 
solar  formou-se,  um  cirurgião  plástico  do  Rio  Grande  do  Sul,  que  ao  nosso 
grupo  juntou-se  foi  picado por um inseto de hábito noturno, peguei a máquina 
fotográfica  e  fiz  algumas  fotografias  durante  esta  fase,  pois  tínhamos  apenas 
3:23 minutos de totalidade. 
 
   Fim desta rápida fase, as pessoas novamente aplaudiram e gritaram, Helder 
e  Maria  Aparecida  foram  para  o  Aeroporto  com  a  finalidade  de  fazerem  uma 
entrevista  com  o  comandante  daquele  jato  que  pousará.  Ao  final  de  todo  o 
fenômeno,  tiramos  mais  algumas  fotos  e  começamos  a  conversar  sobre  o 
eclipse. A ciência realmente funciona. 
 
   Fizemos em seguida um passeio até o Parque Nacional do Iguaçu local onde 
esta localizada as cataratas na eminência de saber das pessoas que ali estavam 
qual foi a sensação em observar o show da natureza no céu e também na terra, 
lá a Christine fez o comentário de que a escolha de Foz do Iguaçu foi um acerto 
geral  por  sua  natureza  aflorada  foi  coroada  com  o  eclipse,  já  de  retorno  ao 
hotel, pudemos avaliar melhor alguns dados obtidos durante o eclipse. 
 
   Ainda  em  Foz  do  Iguaçu  tivemos  a  oportunidade  de  conhecer  o  Prof. 
Walmir  Cardoso  da  SBEA  (Sociedade  Brasileiras  para  o  Ensino  de 
Astronomia) de São Paulo, ele havia terminado a pouco de exibir uma série de 


programas pela TV Educativa chamada "Olhando para o Céu", eu o reconheci 
no ônibus do serviço de relações públicas da Hidrelétrica Bi-nacional de Itaipú, 
quando  fizemos  uma  visita  para  conhecer  aquela  maravilha  da  engenharia 
moderna. 
 
 
   Retornamos  a  Belo  Horizonte  numa  viagem  até  tranqüila  e  um  pouco 
retardada  devido  a  problemas  de  pneus  e  algumas  blitzen  da  Polícia  Militar 
com  a  finalidade  de  coibir  as  ações  do  tráfego  de  drogas  no  estado  de  Minas 
Gerais,  isto  atrasaria  um  pouco  nossa  chegada  mas  também  garantiria  nosso 
retorno.  Finalmente  em  Lagoa  Santa  colhi  os  dados  que  o  Jânio  havia 
conseguido obter junto ao Destacamento de Proteção ao Vôo de Lagoa Santa e 
fizemos uma análise mais detalhada do eclipse. 
 
   Ao  final  do  ano,  ainda  buscamos  energias  para  a  realização  de  um  curso 
para  o  público  de  fundamentos  de  astronomia  no  Centro  de  Referência  do 
Professor  que  realizou-se  no  período  de  12  à  16  de  dezembro.  Assim 
encerramos aquele ano que fora repleto. 
 



Compartilhe com seus amigos:
1   ...   63   64   65   66   67   68   69   70   ...   81


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal