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 .   AS CRISES E O ECLIPSE LUNAR DE 1993



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48 .   AS CRISES E O ECLIPSE LUNAR DE 1993 
 
 
   Iniciamos  o  ano  de 1993 e as esperanças em retomar-mos as atividades do 
CEAMIG,  minguavam  a  cada  dia.  Qual  seria  a  fórmula  ideal  para  ao  menos 
não deixar a entidade sucumbir de vez ? 
 
Não  tínhamos  esta  resposta  de  imediato,  mas  alguma  coisa  deveria  ser  feita. 
Particularmente  limitei  minhas  atividades  observacionais  e  tinha  um  projeto 
(por  hora  paralisado)  de  efetuar  uma  pesquisa  mais  extensa  sobre  o  meteorito 
de Ibitira. 
 
   Lúcio Tárcia Barreto já havia retomado suas funções na diretoria do Centro, 
mas muito pouco poderia ser feito, assim iniciamos numa diretriz voltada para a 
manutenção da entidade do que uma atividade dirigida para os associados. Isto 
significaria uma sobrevida para o CEAMIG? 
 
   Eu  havia  mudado  de  residência  e  também da capital para o interior, porém 
ainda  na  região  metropolitana  de  Belo  Horizonte,  onde  Lagoa  Santa  minha 
cidade de trabalho, passaria também a ser minha acolhida. Consequentemente, 
minhas coordenadas mudaram, e como resolver novamente este problema? 
 


Não  iria  ser  difícil,  pois  minha  felicidade  em  trabalhar  com  pessoas  que 
entendem  a  realidade  da  vida  e  admiram  as  paixões  humanas,  iriam  resolver 
este  problema  quase  que  de  imediato,  através  de  pessoas  como  Dimas  Guido 
da Silva e Edmar Thomaz da Silva, ambos da Força Aérea Brasileira e o auxílio 
de um GPS Garmmim que equipam alguns aviões da Força, e mais 5 minutos, 
elas foram trianguladas. Fiquei devendo isto a eles. 
 
   Eu  aproveitei  a  oportunidade  e  iniciei  com  o  amigo  José  Guilherme  de 
Souza  Aguiar,  uma  dobradinha  de  astronomia  com  o  rádio  amadorismo, 
aproveitando  para  isto,  os  conhecimentos  nesta  área  do amigo Jânio de Souza 
Godoy ou PY4-NY. 
 
Infelizmente,  como  tudo  não  corre  como  gostaríamos  que  assim  fosse,  eu 
recebi  uma  correspondência  do  amigo  José  Walter  Rangel  dos  Santos  e  do 
Observatório  Monoceros,  comunicando  o  descaso  de  novos  políticos  daquela 
cidade para com o observatório, bem como várias entidades culturais. 
 
   No entanto, o amigo Roberto Ferreira Silvestre sensibilizado com a situação 
que  formou-se  em  torno  do  Monoceros,  fez  circular  junto  à  Agenda 
Astronômica  de  abril  de  1993,  uma  alerta  para  os  assinantes  e  a  comunidade 
astronômica  ibero  americana  em  geral,  que  se  alguém  pudesse  fazer  alguma 
coisa  com  a  finalidade  de  impedir  que  se  desmoronasse  o  Observatório 
Monoceros,  que  entrassem  em  contato  com  eles.  Eu  solicitei  ao  Lúcio  que 
elaborasse ofícios a Prefeitura e Câmara Municipal daquela cidade.  
 
   Eu  tive  inúmeras  tarefas  em  minha  vida  profissional  no  primeiro  semestre 
daquele  ano,  a  correria  e  a  falta  de  tempo,  aliado  com  a  espera  do  primeiro 
filho de minha união com Mônica, fez com que toda a minha correspondência e 
o  contato  com os amigos, viessem a diminuir sensivelmente minhas atividades 
astronômicas,  no  entanto,  quando  escrevi  a  Lucimary  Vargas  de  Oliveira, 
comunicando-lhe  meu  novo  endereço  e  desculpando-me  pela  impossibilidade 
em  fazer  algo  pessoal,  ela  retornou-me  com  novas  e  boas  notícias  sobre  os 
amigos  de  Além  Paraíba  e  do  Observatório  Monoceros,  pois  após  inúmeros 
ofícios  e  muito  diálogo,  conseguiram  sensibilizar  e  angariar  o  apoio  da 
administração  e  do  legislativo  local.  Particularmente,  acredito  mais  que  como 
um  presente  de  pelica  para  aquela  classe  política,  ela  informou-me  ainda  que: 
coroando este feito ouve uma palestra do Marcomede Rangel Nunes proferida 
naquela cidade no dia 14 de maio daquele ano. 
 


   Tomava  a  efeito  naquele  ano  ainda,  mais  dois  eventos  astronômicos,  que 
para  a  sobrevida  que  tínhamos  dado  ao  CEAMIG  viesse  a  surtir  resultado, 
haveríamos de participar e seriam eles: 
 
   1º - Convenção da LIADA em Campinas - SP; 
 
   2º - Eclipse total da Lua em 29 novembro de 1993. 
 
   O  amigo  José  Guilherme  S.  Aguiar,  ainda  não  ciente  de  minha 
impossibilidade  em  viajar  e  participar  da  Convenção  em  sua  cidade  realizada 
nos  dias  20,  21,  22,  23  e  24  de  outubro  de  93,  queria me incluir no Mail-List 
geral  dos  observadores  para  eu  receber  as  circulares  e  programação  da 
comissão organizadora deste evento. 
 
Eu  não  poderia  ir  mais  dei  ciência  da  realização  da  convenção  ao  pessoal  do 
Centro,  e  o  Lúcio  queria  que  eu  participasse,  mas  entendeu  meu 
posicionamento e meus deveres de ordem familiar. 
 
   Num deste contatos via rádio que tivemos em 07 de novembro de 1993, eu 
comentei com o José Guilherme sobre o eclipse total da lua que iria ocorrer na 
madrugada do dia 29 novembro, e ele prometeu-me enviar cópia do projeto da 
REA  que  objetivou  a  realização  de  determinados  detalhes  observacionais 
durante este fenômeno, eu já conhecia as linhas gerais deste tipos de trabalhos 
devido  aos  eclipses  lunares  passados  e  isto  credenciava  o  CEAMIG  e  seus 
observadores  a  realizarem  um  bom  trabalho,  no  entanto  eu  queria  fazer  uma 
observação em conjunto com outros observadores, e veio imediatamente a idéia 
de compor uma "Roda de Rádio em caráter especial," para a observação do 
eclipse, esta roda de rádio teria como principal finalidade a constante vigilância 
de algum TLP. 
 
   Começei a pesquisar nos exemplares da revista Universo e boletins La Red 
da  LIADA  que  possuo,  os possíveis observadores e observatórios na América 
do Sul para esta atividade, assim na Universo n.º 37, tive conhecimento que o 
Observatório  Del  Colégio  "Cristo  Rey"  em  Rosário  -  Santa  Fé,  Argentina, 
possuía  equipamento  de  rádio  HF  e  transmitiam  nas  bandas  de  20,  40  e  80 
metros.  Também  através  do  rádio  o  José  Guilherme  colocou-me  a  par  de  que 
meu  amigo  boliviano  Manuel  de  La  Torre,  possuí  também  equipamento  de 
rádio. 
 


   Eu  esperava  em  contar  com  a  colaboração  nesta  roda  de  rádio  do  José 
Guilherme na madrugada do dia 29 e por isso escrevi a Manuel de La Torre e 
ao  Reverendo  Rogelio  Pizzi,  diretor  Del  Observatório  Colégio  "Cristo  Rey". 
Bom  aqui  temos  que  fazer  uma  ressalva  ao  trabalho  do amigo Jânio de Souza 
Godoy ou PY4-NY como também é conhecido neste meio. 
 
   Eu  na  esperança  e  no  prazer  que  sempre  tive, tenho e acredito que sempre 
terei  em  mostrar  as  pessoas  o  céu  e  os  fenômenos  que  nele  ocorrem,  levei  o 
amigo Godoy para observar e assistir juntamente conosco o eclipse total da lua 
de 16 para 17 de agosto de 1989, e foi aí sua primeira experiência, portanto ele 
já sabia alguma coisa sobre o fenômeno e o tempo de sua duração. 
 
   Aliamos  seus  conhecimentos  de  rádio  juntamente  com  a  prática  que  já 
possuíamos e escolhemos a freqüência de 14.210 MHz em USB e marcamos às 
03:30  (Tempo  Universal)  para  início  dos  trabalhos.  Os  observadores  seriam 
João Batista França Nunes, Helder Barbosa Viana e Antônio Rosa Campos, na 
tentativa  de  conquistar  novos  simpatizantes  para  a  astronomia  e  como  uma 
dívida  de  gratidão,  convidei  a  participarem  também  deste  trabalho  como 
auxiliares, os amigos Dimas Guido da Silva, Edmar Thomaz da Silva e Antônio 
Sérgio  Avelino,  destes  três,  apenas  o  Guido  não  pode  comparecer,  mas  já 
estava tudo dentro das melhores expectativas. 
 
   O início da fase parcial estava previsto para as 04:40 (TU), nós iniciamos os 
trabalhos de contatos rádio às 03:30 (TU), logo no início da fase penumbral do 
fenômeno e comporam aquela roda de rádio os seguintes grupos e observadores 
sul americanos: 
 
   Leonardo Severi       - Observatório Del Colégio Cristo Rey 
   
 
 
 
   - SF Argentina
   Manuel de La Torre    - Estacion Astronomica de Patacamaya 
   
 
 
 
     La Paz - Bolívia; 
   Observadores  do  CEAMIG:  No  aerôdromo  do  Parque  de  Material 
Aeronáutico de Lagoa Santa - Lagoa Santa - MG - Brasil. 
 
Infelizmente  devido  a  problemas  de  ordem  pessoal,  aliado  com  a  data  e  hora 
que  ocorreu  o  eclipse  (madrugada  de  segunda-feira),  o  amigo  José  Guilherme 
de  Souza  Aguiar  não  pode  compor  a  roda  de  rádio,  no  entanto  ele  observou 
cerca de 25 % do fenômeno. 
 


 
Foi uma excelente madrugada e a idéia valeu a pena, mesmo que não ocorresse 
algum TLP, o que de fato não ocorreu, já teria sido válido, pois ter a companhia 
mesmo  em  viva  voz  de  Manuel  de  La  Torre  e  de  Leonardo  Severi  em 
observações conjuntas como esta, mostrou-se de suma importância na troca de 
conhecimentos e de fatores observacionais a serem levados a termo. 
 
Vale  ressaltar  a  título  de  ilustração,  que  imediatamente  após  o  término  do 
eclipse o Jânio Godo teceu o seguinte comentário: 
 
   -  Que  hobby  este  de  vocês  Hein  !?...  Que  disposição  destes  colegas 
argentinos em simplesmente serem limitados a ouvirem o que nós, brasileiros e 
bolivianos estamos vendo! 
 
   De  fato,  no  momento  em  que  iniciamos  os  contatos  via  fonia,  o  Leonardo 
Severi  reportou  que  chovia  copiosamente  em  Santa  Fé,  e  que  a  equipe  do 
Cristo  Rey,  estava  com  tudo  preparado  para  iniciarem  também  suas 
observações,  caso  o  tempo  na  Argentina  tivesse  melhora,  mas  mesmo  assim, 
independentemente  disso  estariam  conosco  o  tempo  todo  necessário  na 
freqüência.  Isto  demonstrou  claramente  que:  A  CIÊNCIA  NÃO  TEM 



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