Reis Filho, Daniel Aarão Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos



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Reis Filho, Daniel Aarão

Luís Carlos Prestes: um revolucionário entre dois mundos

São Paulo: Companhia das Letras, 2014. 576p.

Luís Carlos Prestes nasceu em janeiro de 1898 e morreu em março de 

1990. Em sua longa vida, participou de momentos marcantes da história do 

país e das esquerdas em particular. Nos anos 1920, foi um dos líderes do mo-

vimento que percorreu o Brasil em oposição ao governo Artur Bernardes e à 

forma de organização do regime republicano. Nos anos 1930, passou longo 

período na União Soviética, onde aderiu definitivamente ao comunismo e pa-

vimentou sua entrada no Partido Comunista Brasileiro (PCB). Após retornar 

ao Brasil, participou da chamada Intentona Comunista, em 1935. Derrotado 

o movimento, esteve preso por vários anos, até emergir na segunda metade 

dos anos 1940, liderando um revigorado PCB após o final da guerra.

Com o governo Dutra, enfrentou nova fase de perseguições a partir da 

cassação do registro do PCB e nova imersão na clandestinidade. Do final dos 

anos 1950 até o golpe de 1964 viveu, com o PCB, os anos intensos da conjun-

tura dos governos Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, a renúncia deste e a 

conturbada posse de João Goulart. Entre 1961 e 1964, esteve presente nos 

debates sobre as Reformas de Base e outros projetos de desenvolvimento do 

país. Após o golpe, viveu novo e longo exílio na União Soviética, de onde 

acompanhou e foi protagonista da crise orgânica do PCB. De volta ao Brasil, 

em 1979, até a sua morte, participou, direta ou indiretamente, dos grandes 

eventos da redemocratização. Em linha geral, teve um posicionamento crítico 

ao PCB, aos partidos de esquerda e à chamada Nova República.

Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 35, nº 69, p.391-393, 2015  

http://dx.doi.org/10.1590/1806-93472015v35n69019

* Programa de Pós-Graduação em História, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). 

Nova Iguaçu, RJ, Brasil. jeanrodrigues5@yahoo.com.br 

Reis Filho, Daniel Aarão

Luís Carlos Prestes: um revolucionário  

entre dois mundos

Jean Rodrigues Sales*



Jean Rodrigues Sales

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Pela dimensão da participação de Prestes nos eventos aqui sumariamente 

arrolados, poderíamos nos perguntar sobre a viabilidade de se escrever uma 

biografia completa sobre sua trajetória pessoal e política nesse quase um século 

de existência. As dificuldades colocadas para um empreendimento dessa na-

tureza podem explicar o fato de o livro Luís Carlos Prestes: um revolucionário 

entre dois mundos ser o primeiro a assumir essa tarefa.

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Para dar conta da complexidade do longo período estudado, Daniel Aarão 



Reis dividiu a trajetória de Prestes em três grandes conjunturas, demarcadas 

por eventos políticos mais amplos e pela história de Prestes no interior do PCB: 

a primeira seria de 1898 a 1935; a segunda, de 1936 a 1964, e a terceira, de 1964 

a 1990.


Além do próprio mérito de biografar uma figura representativa da história 

da esquerda brasileira no século XX, o livro tem seu ponto mais forte na utili-

zação de ampla gama de fontes: entrevistas com militantes e ex-militantes que 

conviveram com Prestes, tanto dos que continuaram próximos ou admiradores 

do legado do líder comunista, quanto de críticos e desafetos históricos, permi-

tindo uma análise da trajetória do biografado no interior da máquina partidá-

ria; entrevistas realizadas com familiares, que possibilitaram vislumbrar os 

aspectos pessoas dessa trajetória; fontes do regime soviético e da Internacional 

Comunista pesquisadas em Moscou e, por fim, mas muito relevantes, grava-

ções em áudio de reuniões do Comitê Central do PCB realizadas no exílio. O 

acesso às gravações, até então inéditas, permitiu a análise das percepções de 

parte dos dirigentes do PCB em relação a situação do partido na conjuntura 

que antecede a volta do exílio, em 1979, e, com isso, o próprio posicionamento 

de Prestes naquele momento. Os debates realizados pelo Comitê Central no 

exterior, que aparecem nas gravações, ajudam também a entender o afasta-

mento de Prestes do PCB no decorrer da década de 1980.

Em um livro dessa natureza, sempre haverá quem aponte a falta de certos 

temas, a necessidade de aprofundamento desse ou daquele aspecto da trajetória 

de Prestes, bem como das abordagens implícitas da história do país ou do 

comunismo. São os casos, por exemplo, das relações do PCB e do próprio 

Prestes com os trabalhadores no decorrer do século XX. Do mesmo modo, 

pode-se discordar de uma interpretação, que permeia o livro, sugerindo que 

as opções de Luís Carlos Prestes teriam sido apostas em um sonho impossível: 

a realização de uma revolução socialista no Brasil. Caberia talvez expandir a 

análise e lembrar que no decorrer do século XX revoluções ocorreram em paí-

ses nos quais não eram esperadas, além da vitória de lutas de vários povos do 

Terceiro Mundo a partir do pós-guerra.

Revista Brasileira de História, vol. 35, n

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