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Grupo de Professores da 1ª Escola de Farmácia e Odontologia, fundada em 1926



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Grupo de Professores da 1ª Escola de Farmácia e Odontologia, fundada em 1926. 

Local Rua Atrhur Machado, 143 e 145 - Uberaba

Professores da esquerda para a direita

Em pé

Sentados

1 - Cecínio Silva

1 - Aristóteles Sales

2 - Não identifi cado

2 - Assis Moreira Júnior

3 - Francisco Mineiro Lacerda

3 - Não identifi cado

4 - Mozart Felicíssimo

4 - Não identifi cado

5 - Nicolau João de  Oliveira

5 - Odilon Fernandes

6 - Não identifi cado

6 - José Sebastião Costa

7 - Não identifi cado

7 - Álvaro Guaritá

8 - Não  identifi cado 

8 - Não  identifi cado

9 - Sebastião Fleury

Em 13/08/1931, o Governo Federal considerou a Escola de Farmácia e 

Odontologia idônea para conceder transferência e deu o parecer positivo do relatório 

da vida da Escola.

A  fi scalização feita pelo Conselho Nacional da Educação de 1932, segundo 

o Parecer da Comissão de Ensino Superior nº 60 desse Conselho, alegou que a Escola 

não dispunha de instalações apropriadas ao ensino a ser ministrado e não tinha fontes de 

renda própria para a garantia regular do funcionamento pelo prazo mínimo de três anos.

Diante disso a Escola foi reorganizada e o Diretor Francisco Mineiro Lacerda 

requereu a fi scalização preliminar objetivando a aprovação e equiparação Federal.




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A inspeção da Escola ocorreu de acordo com o Parecer nº 31 de 13/02/1933, 

do Conselho Nacional da Educação.

O reconhecimento Ofi cial Federal deu-se através do Ato do Exmo. Sr. 

Ministro da Educação e Saúde Pública de 06/04/1933.

A cerimônia comemorativa da ofi 

cialização aconteceu com festejos 

promovidos pela Diretoria da Faculdade e Missa em Ação de Graças, na Catedral.

Efetuou-se no edifício da Escola perante selecta 

assistência, a cerimônia da posse do Sr. Fiscal, sob a presidência 

do Dr. Mineiro Lacerda, diretor do estabelecimento e um dos 

baluartes do grande empreendimento e que mais vinha trabalhando 

para que a efeito fosse levado o ideal nunca esmorecido. Por essa 

ocasião falaram com sentimento e entusiasmo vários oradores 

que fi zeram jus aos aplausos de que foram alvos. Ao professor 

Carlos de Moraes foi oferecido pela directoria da Escola e seu 

corpo docente às 19 horas, em um dos salões daquela casa, 

um banquete que bem fez em relevo a alegria de que todos se 

achavam possuidos pelo triunfo conseguido e pela nomeação do 

professor Carlos Moraes para fi scal federal da Escola.

11

A posse do Fiscal Federal, Dr. Carlos Moraes ocorreu dia 12/06/1933, tendo 



este apresentado o seu título de posse no Departamento da Educação.

Os postulantes para os cursos da Escola de Farmácia e Odontologia prestavam 

exames preparatórios perante a Congregação e Professores idôneos. 

Os conteúdos dos exames eram: português, francês, aritmética, geografi a, 

física, química, história natural. 

As normalistas podiam matricular-se com o diploma que equivalia aos 

exames preparatórios.

Para ingressar na Escola, o postulante prestava exame de provas escrita e 

prática-oral.

A Congregação da Escola, órgão superior de sua organização didática, era 

constituída pelos professores livres, em exercício catedráticos; e por um docente livre, 

representante de sua classe.

O corpo docente era composto de professores catedráticos substitutos e 

professores contratados. O provimento do cargo de professor catedrático era feito 

através de concursos, títulos e provas didática e prática verifi cando, assim, a erudição 

e experiência do candidato. Para participar do concurso, o candidato devia apresentar 

diploma de médico, farmacêutico ou cirurgião-dentista, de Instituto Ofi cial, ofi cializado 

ou equiparado. Os professores contratados regiam por tempo determinado o ensino de 

qualquer cadeira da Escola.A instituição escolar possuía vários laboratórios dentre eles:

11

  Jornal Correio Católico de Uberaba, 17/06/1933, p. 4




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- Microbiologia

- Química Analítica

- Química Orgânica

- Química Inorgânica

- Gabinete de Física

- Gabinete de Histologia

- Gabinete de Anatomia Patológica

- Gabinete de Bromatologia

- Gabinete de Medicina Legal

- Gabinete de Toxicologia

- Gabinete de Higiene

- Gabinete de Clínica Dentária

- Gabinete de Botânica

- Gabinete de Fisiologia 

- Gabinete Dentário

O Gabinete Dentário era aberto todos os dias, de manhã e à tarde, com 

atendimento gratuito aos pobres.

O Conselho Nacional de Educação, através do Secretário Américo Lacombe, 

aprovou, em 14/11/1933, o Regimento da Escola de Farmácia e Odontologia de 

Uberaba, com pareceres exigindo modifi cações em consonância com as leis. Este 

Regimento constituiu uma verdadeira fotografi a da Escola e foi corrigido em alguns 

artigos, sendo posteriormente, aprovado de acordo com os parâmetros legais.

Pelo Regimento da Escola, o Conselho Técnico Administrativo, composto 

por três professores, formava um órgão deliberativo das questões puramente técnicas e 

didáticas.O Presidente desse Conselho era nomeado pelo Diretor e os demais membros 

indicados pela Congregação da Escola. O Presidente era Dr. Manoel Libânio Teixeira 

e os membros eram Ruy Pinheiro e Álvaro Guaritá.

Em 1934 nada constava de irregular no Conselho Nacional de Educação 

sobre a Escola, além da concessão da inspeção preliminar no ano de 1933.

A última turma matriculada no curso de Odontologia da referida Escola foi 

a de 1934.

O Decreto nº 1003 de 01/08/1935 cassou a inspeção preliminar da Escola 

de Farmácia e Odontologia de Uberaba, alegando irregularidades administrativas e 

acadêmicas.

O Parecer nº 206, do Conselho Nacional de Educação, de 1935, da Comissão 

do Ensino Superior, pela apreciação do relatório do Dr. Jurandir Lodi - Inspector 

Especial, solicitou que fosse cassada a regalia de inspeção preliminar conferida à 

Escola. Em consequência, a Diretoria Nacional de Educação decidiu, pela:



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Demissão do inspector, Dr. Carlos Moraes pela 

demonstrada falta de exacção no cumprimento de seus deveres.

Cassação da regalia de inspeção preliminar outorgada 

à Escola.

Revisão do registro de diplomas da Escola a fim 

de serem cancelados os que não estivessem de acordo com as 

prescrições legais.

Na época, a fi scalização era um ato indispensável para a comunidade e para 

a continuidade da Instituição de Ensino.

O Inspetor Federal Dr. Carlos Moraes enviou, em 01/05/1934, uma carta ao 

Presidente Getúlio Vargas informando sobre as injustiças e falsas denúncias, além da 

cobiça de alguns pelo cargo que ocupava e solicitava solução. Os relatórios da Escola 

eram enviados e não recebiam respostas sobre as instruções que deveriam seguir. 

Solicitou que os seus vencimentos fossem pontualmente pagos, pois, não recebia seu 

salário há quatro meses, e se fosse necessário se retiraria da inspeção da Escola e que 

outra colocação fosse arranjada.

Em 12/02/1935, o Diretor Francisco Mineiro Lacerda se ausentou e tomou 

posse o Dr. Mozart Felicíssimo.

Diante dessa instabilidade administrativa os alunos entraram em greve, 

e, em abril de 1935 expuseram, através de uma Comissão de Grevistas, na reunião 

extraordinária da Congregação da Escola de Farmácia e Odontologia, o motivo da 

paralização: os alunos queriam a certeza de que haveria fi scalização na Escola e não 

compareceriam às aulas enquanto não se resolvesse a questão.

A resposta do Diretor Francisco Mineiro Lacerda foi a seguinte:

A Escola nada tinha de anormal. Em março de 

1935 o Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, publicou o parecer 

do Conselho Nacional de Ensino opinando pela cassação da 

fi scalização federal da Escola de Farmácia e Odontologia. Este 

parecer não foi homologado pelo Sr. Ministro. Mesmo assim 

a Diretoria da Escola não descuidou e tomou as necessárias 

providências a fi m de se resolver satisfatoriamente a situação 

gerada pela entrega do relatório do Dr.Jurandir Lodi, ao Conselho 

Nacional de Educação, relatório este apresentado sem a defesa 

feita pelo Sr. fi scal desta Escola, Dr. Carlos Moraes.

12

Os componentes da Congregação Escolar entraram em discussão e decidiram 



fazer um apelo aos alunos para que estes dessem um voto de confi ança e apoio à 

Direção da Escola, retornando às aulas. Informaram que todas as providências seriam 

tomadas para regularizar a situação. A partir disso, os alunos voltaram às aulas.

12

  Relatório da Escola de Farmácia e Odontologia, 1926, p. 20




79

Em 1935 não houve exames para o ingresso na Escola, apenas revalidação 

das matrículas de 1934.

Francisco Mineiro Lacerda era médico, que 

administrou com efi ciência, competência e lisura a Escola de 

Farmácia e Odontologia..

Quando viajou para o Rio de Janeiro passou a 

responder pela administração da Escola, o seu genro Vitório 

Guaraciaba. A partir disso, houve denúncias sobre a venda de 

diplomas.

13

Durante a existência da Escola de Farmácia e Odontologia foram diplomadas 

cinco turmas. 

Para os alunos estagiarem, a Escola mantinha uma clínica, onde estes 

atendiam os indigentes e crianças pobres, encaminhadas pelos professores do Grupo 

Brasil, prestando ainda grande serviço social. Os pacientes com maiores condições 

fi nanceiras pagavam apenas os materiais utilizados.

A Escola, situada num recanto do Estado de Minas, 

região que o Zebu era adorno das salas de visita e o reprodutor 

da raça, vindo da Índia, era recebido a discurso e algumas vezes 

banhado com champagne, fundou-se, nessa mesma época, a 

primeira Escola de Farmácia e Odontologia que com êxito elevou 

o nome de Uberaba na evolução do ensino superior credenciando 

vários profi ssionais, odontólogos e farmacêuticos.

14

De acordo com os registros da Escola de Farmácia e Odontologia, esta 



provavelmente funcionou até 1936, conforme a comprovação de diplomas que foram 

expedidos naquele ano, assim como, exames e boletins.

As razões que provocaram o seu fechamento, se inserem em alguns destes fatos: 

- As autoridades do ensino alegavam irregularidades pedagógicas e 

administrativas.

- Disputas pelo cargo diretivo da Escola confi rmada por uma campanha 

movida por alguns professores.

- Alguns dentistas práticos, evidentemente, torciam pelo fechamento da 

Instituição de Ensino, para evitar concorrentes legalizados no campo 

profi ssional.

No relatório da Escola alguns fatos revelados são transcritos na íntegra, a seguir:

13

  Depoimento: Dr. Edmundo Rodrigues da Cunha, julho 2001



14

  Relatório da Escola de Farmácia e Odontologia. 1926, p. 21




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Médicos, chefes da politicalha e tantos outros, 

terçaram armas diversas e variadas para defender uma idéia 

injusta, iníqua e absurda.

Um médico trabalhou no Congresso; outro 

entabulava a imprensa e alguns licurgos; outro conferenciava 

com o Presidente do Estado, expondo os defeitos da Escola 

de Farmácia e Odontologia de Uberaba, pedindo os favores 

do magistrado para uma Faculdade Modelar de Farmácia, 

com professores, laboratórios e maquinários que viriam dos 

Estados Unidos, salões para todos os trabalhos escolares; outro 

conversava com os alunos matriculados na Escola do Mineiro, 

aliciando-os para a nova Faculdade; outro promovia reuniões 

de professores e de alunos no intuito muito nobre e altruísta de 

acautelar os direitos de uns e de outros, penalizando pela sorte de 

todos; um chefe político de oposição espalhava por toda a parte 

que a Escola estava para ser cortada (e fazia um gesto de facão); 

um dentista notável com ares de supermoralista, confi denciava 

que ouviu falar numa alta roda, na capital do Estado, cobras e 

lagartos da Escola Mineiro;um jornalista e publicista, caráter 

puro e honesto, telegrafava e rabiscava nos jornais contra o 

Mineiro, depois de ter conseguido uma boa soma pra escrever 

umas sandices de mistura com zebu, a favor; outro jornalista 

menos puro, porém muito mais honesto armou uma chantagem 

que, felizmente, não surtiu efeito; outro jornalista, afamado 

e escrevinhador purista, deitou artigos de léguas contra o 

charlatão Mineiro Lacerda; tudo isto, senhores Conselheiros 

do Conselho Nacional de Educação, demonstra claramente de 

modo insofi smável, que a Escola de Farmácia e Odontologia de 

Uberaba, sempre venceu as lutas homéricas.

Viveu, fl oriu e frutifi cou serena e tranqüilamente mas 

aparando os golpes daqui e dali e cuidando seriamente da sua 

orientação regular; o trabalho foi-lhe sempre o meio certo e seguro 

para atingir o escopo que é, como se vê, uma realidade concreta.

Temos a confortadora certeza de ter feito um bem e 

nunca tivemos um só momento de fraqueza ante as tentativas 

dos despeitados e dos maldizentes.

15

Os arquivos da Escola foram transferidos ao Ministério da Educação. Os 



materiais e equipamentos foram vendidos para Ouro Preto e Alfenas. Os alunos que ainda 

não haviam concluído o curso foram transferidos para a Faculdade de Ribeirão Preto.

Após onze anos de encerramento das atividades da Escola de Farmácia e 

15

  Relatório Elucidativo da Escola de Farmácia e Odontologia, 1926, pp. 10 e 11



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