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1782, aprovada por D.Maria I, objetivando aprimorar a fi scalização do exercício da 

medicina e cirurgia nos seus diversos ramos, criando “Real Junta de Proto-Medicato”, 

no lugar de “Cirurgião-Mor”. A nova Lei previa: sete membros, médicos e cirurgiões 

legais, para um período de três anos, cabendo a estes o exame e expedição de Cartas 

e Licenciamento das pessoas que tirassem dentes.

Joaquim José da Silva Xavier - “Tiradentes”, era licenciado e praticava a 

Odontologia, que aprendeu com seu padrinho, Sebastião Ferreira Leitão. Em 1789, 

quando foi preso por sua participação na Inconfi dência Mineira confessou ao Frei 

Raymundo de Penna que “tirava com efeito dentes com a mais sutil ligeireza e ornava 

a boca de novos dentes, feitos por ele mesmo, que pareciam naturais”. Os instrumentos 

utilizados por Tiradentes implicaram em um trabalho variado no seu atendimento

comprovado pelo grande número de pessoas importantes que o procuravam pela sua 

capacidade de pôr e tirar dentes. Habilidade rara naquela época de técnicas rudimentares. 

Entre os objetos sequestrados em sua casa, em Vila Rica, havia cinco pratos 

de pó de pedra branco, dois frascos de vidro grandes, duas garrafas fi nas pequenas, 

uma peneira de seda e instrumental de dentista. Os instrumentos fazem parte da reserva 

técnica do Museu Histórico Nacional (RJ). São dois fórceps, duas chaves de extração 

e uma espátula. 

Os dentes nesta época eram extraídos com as chaves de Garangeot - espécie de 

alavanca rudimentar, e o Pelicano. Não havia tratamento de canais e as obturações eram 

de chumbo, sobre tecido cariado e polpas afetadas, com consequências desastrosas. 

A prótese era bem simples, esculpidos os dentes em ossos ou marfi m, estes eram 

amarrados com fi os aos dentes remanescentes. As dentaduras eram esculpidas em 

marfi m ou ossos, utilizando-se dentes humanos e de animais, retendo-as na boca por 

intermédio de molas. Esta prática odontológica era exercida na Europa, porém, no 

Brasil, era tudo ainda mais rudimentar.

Os “barbeiros e sangradores” tinham que provar uma prática de dois anos 

para submeterem-se ao exame perante o Cirurgião substituto de Minas Gerais e dos 

profi ssionais escolhidos por este. Aprovados teriam suas Cartas expedidas e licenças 

concedidas.

Em 1800, D. João VI criou o “Plano de Exames da Junta do Proto-Medicato 

e a Carta de Comissão”, para aperfeiçoamento das formalidades e dos exames para os 

candidatos a cirurgiões, sangradores, dentistas e etc... Nesta Carta foi encontrado, pela 

primeira vez em documento do Reino, o vocábulo “dentista”, criado, anteriormente, 

pelo cirurgião Guy Chauliac, em seu livro “Chirurgia Magna”, publicado em 1363.

Com a vinda de D. João VI para o Brasil, em 1808, houve um grande surto 

de progresso, com destaque para a área cultural, artística e de educação. Foi fundada 

em 18 de fevereiro daquele ano, na Bahia, a “Escola de Cirurgia”, em nome da Real 

Junta do Proto-Medicato, instalada no Hospital de São José, graças à interferência do 

Dr. José Correa Picanço, Físico e Cirurgião-Mor. Também em 05/11/1808 foi criada 

a Escola Anatômica Cirúrgica e Médica do Hospital Militar e da Marinha. Esta, em 

1832, seria transformada em Faculdade de Medicina. 


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