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Código Hamurabi - Leis para o exercício da medicina



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Código Hamurabi - Leis para o exercício da medicina

Apesar das crenças não científi cas, a medicina mesopotâmica alcançou certo 

desenvolvimento. Os médicos sabiam diagnosticar doenças da boca, olhos, ouvidos, 

pele, coração e dos dentes. Conheciam, por seus sintomas, doenças como tuberculose, 

lepra, hérnia, sarna e reumatismo. Alguns dos medicamentos que receitavam eram 

extraídos de plantas: casca, fl ores, frutas, folhas e raízes. Outros eram obtidos a partir 

de órgãos de animais ou de produtos minerais como o cobre e o sal. O uso de ervas

colhidas em épocas determinadas em função das fases da lua, era também muito 

comum.

Os remédios mesopotâmicos eram ministrados sob formas diferentes: 



pílulas, pomadas, pós ou clisteres. Nos templos de Babilônia, por volta do século V. 

a.C, existiam verdadeiras Escolas de Medicina dirigidas pelos sacerdotes. Os médicos 

mesopotâmicos alcançaram reputação tão elevada que era frequente a ida de alguns 

deles ao Egito, a pedido dos Faraós.

Na Grécia, quatro séculos a.C, Hipócrates, de Quios, começou a tradição 

médica, que se caracterizou pela exatidão e objetividade de observação e registro de 

sintomas, libertando-se das práticas mágicas da medicina egípcia e mesopotâmica. 

Portanto, é considerado o iniciador da observação clínica sistemática, com bases mais 

sólidas e referiu-se em seus registros às moléstias da boca e dos dentes.

Os Imperadores Romanos, de modo geral, apoiaram os estudos de medicina, 

inclusive construíram hospitais públicos e até uma Escola de Medicina, onde 

realizavam intervenções cirúrgicas.

Na Antiguidade não existia a profi ssão de dentista, cabendo aos médicos 

diagnosticar, amenizar e curar os males dento-bucais.




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Na Idade Média (476-1453) os monges substituíram os médicos no tratamento 

de doenças, o que propiciou a proliferação dos cirurgiões-barbeiros, leigos que 

vagavam pela Europa medieval. A terapêutica não era científi ca A medicina monástica 

ocupou os primeiros cinco séculos da Idade Média, impondo o pensamento cristão. 

Todas as abadias medievais possuíam uma enfermaria, utilizando as ervas para a cura 

de todos os males. Segundo o medievalista Umberto Eco, em seu livro “O Nome da 

Rosa”, os monges utilizavam “Bórax, planta boa para os pulmões doentes. Betônica, 

boa para as fraturas da cabeça. Mástica, refreia os fl uxos pulmonares...Mirra, aqui 

boa para prevenir os abortos...”

Os Árabes ao conquistarem, no século VII, o conjunto de territórios do 

Oriente Próximo e do Oriente Médio preservaram os saberes médicos ali vigentes 

e depois os frutifi caram. A literatura médica encontrada e disseminada nesta região, 

de maneira especial, em Alexandria, no Egito e no Sul Iraniano era caracterizada 

pela profunda infl uência dos saberes e tradições medicinais da antiguidade Greco e 

Romana, entre eles destaque para dois ícones: Hipócrates ( grego, século V a.C) e 

Galeno ( Roma, 130-200 d.C).

A medicina medieval também foi infl uenciada pela presença dos povos 

árabes na Europa, desde o Século VIII. A cidade de Toledo, na Espanha, foi a capital 

do Califado Islâmico do Ocidente e abrigou intelectuais tradutores que trouxeram 

à luz diversos textos médicos clássicos utilizados nas Escolas Médicas. Entre os 

proeminentes médicos árabes, destaca-se Avicena, médico e fi lósofo, nascido na Pérsia 

(980-1037). Sua grande contribuição o “Cânone de Avicena” - consiste na síntese dos 

conhecimentos médicos da antiguidade e dos árabes. Estes conhecimentos serviram de 

texto principal para o estudo da medicina durante centenas de anos, tanto no Oriente 

quanto no Ocidente. Percebemos que a chegada da medicina praticada nos países 

árabes ao Ocidente, especialmente à Sicília e Espanha se deve à ocupação muçulmana 

nestes locais. Todavia, as cruzadas também desempenharam papel fundamental na 

propagação dos saberes e práticas medicinais exercidos pelos povos arábes.

No século X surgiu na Itália a mais famosa escola médica medieval - “Escola 

de Salerno”, que caracterizou-se pelo predomínio dos estudos práticos, em detrimento 

da teoria e fi losofi a. 

A partir do século XI proliferam-se as Universidades medievais, constituindo 

um grande legado à medicina. Elas davam ênfase aos cursos teóricos, dedicando pouco 

tempo à pratica médica. Entre as Universidades destacam-se: de Bolonha em 1088, 

Paris em 1200, Oxford em 1206, Pádua em 1228, Cambridge em 1229 e Montpellier 

em 1289. As Universidades eram as mais poderosas adversárias do estudo da medicina 

monástica, apesar de ainda sofrerem infl uência da teologia cristã.

A Igreja passou a coibir a prática da medicina pelos cléricos a partir dos 

concílios realizados no século XII e XIII.

Na França, a profi ssão de dentista nasceu com a do barbeiro. Somente em 

1786 foi regulamentada e passou a proibir o exercício da Odontologia aos que não 

tivessem o título de perito-dentista, conferido pelo “Colégio de Cirurgião de Paris”.



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