Recife, a cidade dos alagados



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#8832

Universidade Estácio de Sá

Pedagogia – EAD – Pólo Recife

Maria Emília Rocha Moreira

RECIFE, A CIDADE DOS ALAGADOS

E DA FALTA D’ÁGUA

Recife, 30 de Maio de 2016

1 – Introdução

2 – Desenvolvimento do Tema

3 – Referências Bibliográficas

Introdução

Os problemas ambientais em todo o planeta estão relacionados à maneira como o meio ambiente vem sendo tratado pelo ser humano ao longo da história. Desmatamento, poluição, exploração dos recursos naturais sem preocupação com sua reposição, desconsiderando as futuras gerações, atitudes predatórias, arbitrárias e egoístas são formas escolhidas pelo homem que desrespeitam o meio ambiente, nossa casa comum. Agora, a humanidade está sendo obrigada a repensar suas ações e tomar decisões enérgicas para sanar “as feridas abertas”, recuperar o que foi destruído, o tempo perdido - se é que isso ainda é possível- e transformar a realidade, reverter situações negativas em positivas, antes que comecemos a ver o fim da espécie humana.

RECIFE, A CIDADE DOS ALAGADOS E DA FALTA D’ÁGUA

Recife, capital pernambucana, conhecida como Veneza brasileira passa por dois sérios problemas, semelhantes a outras grandes cidades do país: não está preparada para enfrentar chuvas intensas e ainda possui um expressivo rio, o Capibaribe, que está morrendo e não tira quase nenhum proveito dele.

Primeiramente, fica alagada facilmente, causando transtornos sociais e econômicos enormes para toda população e o pior, pessoas morrem porque moram em áreas de riscos que desabam com as chuvas fortes, destruindo suas casas e suas vidas. Segundo, é cortada por um extenso rio e não sabe preservá-lo de maneira que beneficie sua própria população.

O problema das enchentes no Recife causadas pelas chuvas é recorrente, acontece todo ano. É um problema ambiental porque além do Recife ser uma cidade litorânea abaixo do nível do mar, foi construída em cima de áreas de manguezal que foram soterrados, a partir do projeto urbanístico executado pelos holandeses - por Maurício de Nassau.

Além disso, enfrenta outro problema ambiental que é a degradação do seu principal rio. Como pode, uma cidade possuir um rio tão extenso e sofrer com falta d’água por exemplo?

A fundação da cidade no século XVI foi sobre o mangue e há muito tempo sofre as consequências dessa falta de planejamento sustentável. A prioridade sempre foi abrir espaços para construções mesmo sem existir faixas de terra para isso. Além disso, a cidade que começou no bairro do Recife – atual bairro do Recife Antigo, onde está localizado o marco zero - cresceu, avançando sobre o rio Capibaribe, destruindo o seu leito.

Inúmeras obras foram feitas para beneficiar o “crescimento” da cidade sem pensar na preservação dos manguezais e no leito do Capibaribe. O bairro de Boa Viagem que antigamente era de veraneio, é hoje um bairro nobre, muito povoado que concentra muitas residências e um comércio forte. A maioria das ruas foi feitas e casas levantadas, encobrindo faixas extensas de mangues.

Na década de 90, por exemplo, o Aeroporto Internacional do Recife foi reformado e sua pista ampliada, resultando em um novo aterro de mangue, no bairro do Ibura.

Outro ponto agravante quando chove muito é a situação de risco em que vivem milhares de famílias. Com o avanço da seca no sertão pernambucano e a industrialização da cidade, muitas famílias vieram morar aqui e se estabeleceram em locais impróprios para moradia, nos conhecidos morros do Recife.

A nascente do Capibaribe fica na cidade de Poção/PE, o rio possui 70 km até chegar no Recife, corta 42 municípios e sofre com degradação do seu leito, com a poluição, tornando sua água imprópria para o consumo, e penalizando a renda de muitas famílias de pescadores. A poluição já diminuiu muito a variedade de peixes.

Fatores como esses apresentados em relação à urbanização do Recife são preponderantes para que as chuvas alterem a rotina da cidade, causando enormes prejuízos sociais e econômicos. As consequências são incontáveis. A cidade, praticamente, pára. O transporte público é impedido de funcionar, os trabalhadores não conseguem se deslocar, as aulas em escolas são canceladas, o comércio não abre, pessoas que vivem nos morros perdem o sono, isso afeta até na qualidade de vida delas.

Já estamos no século XXI, e o problema de alagamento, deslizamento de barreiras em Recife e falta d’água persistem. Será que as inúmeras tragédias não foram suficientes para se tomar medidas e adotarem políticas públicas que se comprometam em mudar essa realidade e preservar as vidas das pessoas? Será que as soluções para a falta de água são inviáveis financeiramente; e se forem, será que os benefícios superariam a inviabilidade? Ou falta vontade política?

Em 1975, o Recife passou por uma grande cheia porque o rio Capibaribe transbordou, encobrindo 80% da cidade e deixando 60 mil desabrigados.

Sabendo que a escassez de água é um problema mundial é inaceitável que e o excesso dela devido às fortes chuvas que caem todo ano no Recife e cidades vizinhas gere tantos prejuízos. A água deveria ser a solução e não o contrário.

Essa água precisa ser canalizada, direcionada, aproveitada. Foram construídas algumas represas na Região Metropolitana do Recife, como Itapacurá e Jucazinho, mas ainda são insuficientes para suprir o abastecimento de água na região. Ainda tem muitos bairros do Recife que sofrem com falta d’água e passam por racionamento mensal. Então, é necessário que novas represas sejam feitas.

Visitei Santiago do Chile e fiquei impressionada como eles canalizam e aproveitam toda água que desce das geleiras da Cordilheira dos Andes, que servem para abastecer a cidade o ano todo, atendendo a demanda de água da população mesmo no período em que a neve acaba.

Essa água que cai das chuvas no Recife, se fosse aproveitada na sua totalidade, beneficiaria muita gente e quem sabe até poderia ajudar o sertão imenso de Pernambuco que sofre com estiagem. Outra ideia que acho interessante só não sei se é viável, seria puxar com bombas de água espalhadas pela cidade, a água da chuva e depois encaminhá-la para estações de tratamento.

Para a preservação do Rio Capibaribe é preciso haver uma ação conjunta forte da sociedade civil, governantes, comerciantes, empresários e donos de indústrias para fazer a limpeza do rio, retirando o lixo que já está lá, conscientização de todos que vivem próximos ao rio para que não poluam, não joguem lixo, nas escolas formais ou não. Conscientizar, desde o agricultor que coloca agrotóxico na sua plantação localizada próxima ao rio, passando pelos donos de fábricas de jeans da cidade de Toritama. Ainda, é necessário haver leis rígidas de proteção ambiental que penalizem aqueles que não seguem as regras e novos projetos de saneamento básico para cuidar do descarte dos esgotos tanto industriais como domésticos.

Assim, poderemos ver, mesmo que a longo prazo, a situação melhorada. A partir disso, o título de Veneza brasileira seria mais apropriado, mais justo e mais condizente com a realidade.

REFERÊNCIAS

LIVRO


Kouryh, Jussara Rocha, 1956 – História do Recife, Bagaço Design, 2012.

VÍDEOS


Enchente de 75

https://www.youtube.com/watch?v=mVKrbARF4HE

https://www.youtube.com/watch?v=YrZ4Lmh6XS8

https://www.youtube.com/watch?v=6DRZVdQFTK0

Recife História

https://www.youtube.com/watch?v=cihoNIMfKcE

Capibaribes, das nascentes à foz

https://www.youtube.com/watch?v=lebthvvaYZU

Rio Capibaribe – Reportagem Globo Rural

https://www.youtube.com/watch?v=nF33KYpB7E0



SITES

http://www.infraero.gov.br



www.fundaj.gov.br

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