R evista 35 paradigmas contemporâneos


Denis Henrique scHmeiscH



Baixar 281.29 Kb.
Pdf preview
Página15/39
Encontro31.07.2021
Tamanho281.29 Kb.
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   39
46

Denis Henrique scHmeiscH 

ArtHur rAmos Do nAscimento

PARADIGMAS CONTEMPORÂNEOS: O 

NAVIO NEGREIRO  

DO SÉCULO XXI

Revista Direito e Liberdade – RDL – ESMARN – v. 17, n. 1, p. 35-68, jan./abr. 2015.

trabalhador, que terá que ficar à sua própria sorte, em certos casos, consiste 

em um grande instrumento de coação psicológica. Por vezes, o local onde 

os serviços serão prestados é distante e inóspito, dezenas de quilômetros de 

qualquer cidade ou distrito; dessa forma, não terá o trabalhador a quem 

recorrer.

Existem vários relatos sobre trabalhadores desaparecidos após tentar 

fugir dos locais de exploração. Como exemplo, destaca-se o relato de um 

trabalhador que foi vitimado pela exploração do trabalho forçado:

Eu, Sebastião Luiz Paulo, sou brasileiro com 17 anos, sem 

documento, residente em Colinas, Tocantins, no poder 

da minha bisavó, que mora na rua 18 de setembro s/n., 

em Colinas – TO. Sou filho de pai falecido Sr. Valdir e Dª 

Zenaide que convive com Raimundo Soares e trabalha na 

Fazenda Volkswagen, entre Redenção e Santana do Araguaia.

[...]


Ele estava oferecendo uma boa remuneração por alqueires 

de serviço em uma fazenda de Sul do Pará no município de 

Xinguara, e eu e mais 22 peões, incluindo dois menores, entra-

mos em uma carreta de transportar gado e fomos até a fazenda 

Lagoa das Antas, no município de Xinguara, do fazendeiro Luiz 

Pires. Quando chegamos lá encontramos o gato Fogoió que é 

o contabilista do gato João Moaramas, que nos levou à fazenda 

Flor da Mata, do fazendeiro Luiz Pires, a 300 km da fazenda em 

que estávamos. Fomos transportados de avião.

[...]


Depois de ter feito um alqueire e meio de juquirão e 20 km de 

aceiros, eu vi uma cena perigosa de um companheiro menor 

com idade mais ou menos de 10 anos que andava mais eu: em 

uma sexta-feira ele tomou uma botina emprestada para ir ao 

trabalho, pois não queria comprar uma por preço de 20,00 

reais, tinha medo de ficar devendo e não poder mais ir em-

bora, depois disseram que ele tinha roubado a botina, então 

o gato Fogoió levou ele para o mesmo barracão abandonado 

que ficamos quando chegamos na fazenda Flor da Mata, e 

bateram nele de facão, depois pegaram uma arma de calibre 

38, apontaram para ele e mandaram ele correr sem olhar para 

trás, e ele correu, entrou na mata e eu não vi mais.






Compartilhe com seus amigos:
1   ...   11   12   13   14   15   16   17   18   ...   39


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal