R evista 35 paradigmas contemporâneos


Denis Henrique scHmeiscH



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Denis Henrique scHmeiscH 

ArtHur rAmos Do nAscimento

PARADIGMAS CONTEMPORÂNEOS: 

O NAVIO NEGREIRO  

DO SÉCULO XXI

Revista Direito e Liberdade – RDL – ESMARN – v. 17, n. 1, p. 35-68, jan./abr. 2015.

e/ou quando não são respeitados os direitos mínimos para o 

resguardo da dignidade do trabalhador.

O trabalhador hoje escravizado encontra-se nessa situação não mais em 

virtude da cor de sua pele, mas, sim, das mazelas sociais que recaem sobre ele. 

Em outras palavras, a condição de trabalho forçado tornou-se mais complexa 

com o advento da globalização. Os trabalhadores são aliciados pelos “gatos”, 

em regiões de extrema pobreza e ausência de emprego, sob promessas de 

remuneração atraente e boas condições; esses indivíduos deixam suas casas, 

imaginando um dia retornar trazendo consigo provimentos para sua família.

No período em que Castro Alves escreveu seu poema, a prática não era 

tão lucrativa quanto atualmente, pois a mão de obra era escassa, dependendo 

do tráfico vindo dos países africanos ou do nascimento de filhos de escravos

que, por sua vez, também seriam escravizados, diferentemente de hoje, em 

que o grande número de desempregados torna fácil e lucrativo o aliciamento 

de trabalhadores. Ademais, não existe, hodiernamente, uma relação dura-

doura entre o patrão e o escravizado como na época do Império, quando 

o escravo era visto como uma propriedade, um investimento realizado por 

seu patrão, que sempre objetivava que ele trabalhasse o máximo de tempo 

possível. Atualmente, existe uma tocante diferença nessa relação, pois a mão 

de obra é quase descartável, frente ao número de desempregados existentes 

no Brasil, somado à necessidade de dinheiro rápido, sendo os trabalhado-

res obrigados a enfrentar tal mazela. No entanto, essa relação hoje é tão 

dramática, se não mais, quanto naquela época, pois o trabalhador, após ter 

sua mão de obra utilizada pelo patrão ou ao ficar doente ou deficiente, é 

demitido de suas funções, ficando ao léu, sem o dinheiro prometido e sem a 

saúde deixada na empreita realizada.

Nota-se que a principal relação da escravidão moderna com a clássica 

gira em torno da manutenção da ordem imposta pelos patrões e por seus 

aliciadores. Na escravidão clássica, o escravo era coagido por meio de amea-

ças, agressões verbais e castigos físicos, punições severas para que servisse de 

exemplo aos demais escravos; em casos extremos, até assassinatos ocorriam, 

o que não difere da contemporaneidade. A simples ameaça de abandono do 





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