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os  conceItos  abordados  e  suas  Im-

plIcações na etIopatogenIa das reab-

sorções dentárIas na prátIca clínIca 

ortodôntIca

Há  uma  quantidade  muito  grande  de  fato-

res  ambientais  envolvidos  na  etiopatogenia  das 

reabsorções  dentárias  durante  a  movimentação 

ortodôntica como: tipo de má oclusão, tipo e ex-

tensão do movimento dentário induzido, forma e 

cumprimento  da  raiz,  intensidade  e  distribuição 

da força, densidade e altura do osso alveolar, tipo 

de  mecânica  aplicada,  história  dentária  anterior 

como bruxismo, traumatismo dentário prévio, le-

sões periapicais, doença periodontal, onicofagia e 

outros vícios.

Para resgatarmos alguma possibilidade da rea-

bsorção dentária em tratamentos ortodônticos ter 

uma  origem  genética  têm-se  que  eliminar  todas 

estas  variáveis  citadas  anteriormente  e  intima-

mente  relacionadas  com  as  suas  causas.  Deve-se 

ressaltar  que  não  podemos  nos  fundamentar  em 

opiniões,  teorias,  experiências  pessoais  empirica-

mente analisadas e relatadas ou em dogmas classi-

camente estabelecidos.

Uma  observação  muito  importante  foi  feita 

por  Farah

6

:  “Na  prática,  a  determinação  de  que 



uma  doença  é  de  origem  genética  ou  tem,  pelo 

menos,  uma  forte  influência  dos  genes  é  muito 

mais complicada do que pode parecer. O fato de 

uma  doença  manifestar-se  em  vários  membros 

de uma mesma família não é prova suficiente de 

que ela é genética. Pode ser que esta família esteja 

exposta aos mesmos fatores desfavoráveis do am-

biente, como agentes infecciosos ou maus hábitos 

alimentares”.  Podemos  acrescentar  que  quando 

irmãos  têm  reabsorções  dentárias  parecidas  em 

sua morfologia e severidade isto pode estar rela-

cionado à forma e tamanho das raízes, tipo de má 

oclusão, técnica ortodôntica realizada, morfologia 

facial, etc. Mas, de imediato, e equivocadamente, 

procura-se atribuir estas reabsorções a fatores ge-

néticos ou a predisposição individual, expressões 

muito  vagas  em  um  contexto  verdadeiramente 

científico.

Se  debruçarmos  em  cada  conceito  genético, 

não conseguiremos encontrar uma explicação para 

a chamada “predisposição individual” ou “predis-

posição  familiar”  ou “fator  predisponente  indivi-

dual” para as reabsorções dentárias em tratamento 

ortodôntico. 

Não  há  estudos  com  grupo  controle  ou  me-

todologia adequada que permita, por menor que 

seja,  a  suspeita  de  uma  possibilidade  genética 

para os casos de reabsorção dentária, e mais espe-

cificamente  ainda,  às  induzidas  pelo  movimento 

ortodôntico.  Alguns  poucos  estudos  procuraram 

abordar a relação entre genética, hereditariedade 

e  reabsorções  dentárias  em  movimentação  orto-

dôntica,  mas  os  próprios  autores  reconhecem  as 

grandes limitações de sua amostra e metodologia 

utilizada

1,10,16


.

Deve-se ressaltar que todos mediadores sinteti-

zados e liberados nas áreas de reabsorção dentária, 

as células que executam a reabsorção, as enzimas 

liberadas, enfim todo o fenômeno é determinado 

por genes que comandam a função celular, mas a 

ocorrência do fenômeno não é desencadeada por 

um  gene  específico  voltado  para  as  reabsorções 

dentárias. Praticamente todas as funções celulares 



Conceitos de genética e hereditariedade aplicados à compreensão das reabsorções dentárias durante a movimentação ortodôntica

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e  teciduais  do  organismo  são  geneticamente  de-

terminadas.  E,  uma  vez  resgatados  os  conceitos 

anteriormente relacionados neste artigo, o fato de 

ser  genético,  não  necessariamente  confere  uma 

conotação hereditária ao fenômeno da reabsorção 

dentária  durante  a  movimentação  ortodôntica. 

Muito menos ainda dá uma conotação de predis-

posição individual ou genética. A natureza genéti-

ca de uma doença ou situação não necessariamen-

te lhe confere automaticamente a característica de 

hereditariedade.

Para aproximarmos um pouco mais as reabsor-

ções  dentárias  da  genética  podemos  relacionar  a 

forma da raiz dentária, a forma da crista óssea e a 

morfologia dos maxilares a uma melhor distribui-

ção  de  forças  durante  a  movimentação  ortodôn-

tica.

Os  dentes  com  raízes  triangulares  tendem 



concentrar  as  forças  no  terço  apical  e  lesar  mais 

freqüentemente a camada de cementoblastos, que 

protegem  a  estrutura  dentária  da  reabsorção.  O 

mesmo  ocorre  em  dentes  com  cristas  ósseas  al-

veolares retangulares, pois apresentam menor de-

flexão e aumentam assim a intensidade da força 

sobre  o  ligamento  periodontal

8

. A  forma  da  raiz 



dentária e da crista óssea alveolar é fortemente in-

fluenciada, mas não exclusivamente determinada, 

pela hereditariedade, pois também sofre influên-

cia  de  fatores  ambientais.  Esta  relação  pode  ser 

estabelecida dentro dos seus limites naturais

14

. Na 



formação dos indivíduos, os fatores ambientais são 

muito importantes e devem ser relevados nos es-

tudos genéticos

3

.



A forma e o tamanho da raiz e da crista óssea 

alveolar podem ser determinados radiograficamen-

te  em  películas  periapicais.  Se  o  paciente  apre-

senta  morfologias  compatíveis  com  uma  maior 

previsibilidade  de  reabsorção  dentária  durante  a 

movimentação  ortodôntica,  ainda  assim  não  se 

pode  afirmar  que  o  mesmo  apresenta  uma  pre-

disposição  individual  ou  predisposição  genética, 

pois o termo “pré” indica tendência já estabeleci-

da, codificada e recebida previamente. O paciente 

com estas características morfológicas não possui 

genes, ou células, ou moléculas, programadas em 

seu DNA para desencadear o fenômeno tecidual 

da reabsorção radicular.

A reabsorção radicular na movimentação or-

todôntica ocorre em função da atuação das for-

ças sobre o ligamento periodontal, eliminando os 

cementoblastos da superfície radicular, em maior 

ou menor extensão. A morfologia referida detec-

tada permite sim estabelecer uma previsibilidade 

de que reabsorções radiculares podem ocorrer no 

paciente portador. O conceito de previsibilidade 

alarga  os  horizontes  do  tratamento  ortodôntico 

em relação às reabsorções radiculares quanto ao 

controle, prognóstico e segurança na abordagem 

do  paciente  durante  o  planejamento  do  trata-

mento.

Alguns  dados  dos  trabalhos  analisados  se  re-



velaram  extremamente  frágeis  e  resumidamente 

pode-se destacar 3 deles: a) o gene seria respon-

sável,  pois  se  relacionaria  à  síntese  de  um  dos 

vários  mediadores  que  atuam  nos  fenômenos  da 

reabsorção óssea a partir de seu polimorfismo, b) 

a distribuição em grupos estabelecidos por meio 

de  diagnósticos de reabsorção dentária em radio-

grafias panorâmicas e telerradiografias em norma 

lateral  (cefalométricas);  c)  o  limite  de  2mm  de 

perda apical em apenas um dente, os demais fo-

ram desprezados, pois estatisticamente revelaram-

se insignificantes nos resultados.

  Em  uma  situação  hipotética,  vamos  descon-

siderar  todos  os  equívocos  e  limitações,  a  maior 

parte apontada pelos próprios autores dos artigos 

analisados; ainda assim os resultados seriam frágeis 

demais para as afirmações encontradas nos títulos 

dos trabalhos e em suas conclusões.

Recentemente duas revistas prestigiosas dedi-

cadas à ciência apresentaram artigos revisando o 

papel do DNA no controle das funções e das ca-

racterísticas de nosso organismo. Em novembro de 

2003 a revista francesa Sciences et Avenir publi-

cou um dossiê realizado por Jean-Baptiste, Rate

11

  

intitulado  “O  declínio  do  império  do  DNA”  no 




CONSOLaRO, a.; CONSOLaRO, R. b.; MaRTiNS-ORTiZ, M. F.; FREiTaS, P. Z.

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qual revisaram a existência de DNA silencioso, de 

RNA interferidor no processo de transmissão ge-

nética, de proteínas inibidoras e da influência do 

DNA mitocondrial. Todos estes fatores modificam 

e estão relacionados à transmissão genética e here-

ditária, não apenas como uma função exclusiva do 

DNA  nuclear.  São  nominados  como  fatores  epi-

genéticos. Na Scientific American, em dezembro 

de 2003, no artigo de Gibbs

 “O genoma oculto, 



além  do  DNA”  abordou  também  estes  aspectos, 

valorizando  e  demonstrando  que  a  afirmação  de 

que determinada característica é genética e heredi-

tária requer cuidados e metodologias minuciosas, 

checadas e interpretadas à luz dos conhecimentos 

gerais e atuais.




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