Questão em de fevereiro, 40 famílias deixaram a reserva do Oco’y para ocupar um terreno em Itaipulândia. A alegação dos indígenas é de que, apesar da estrutura do Oco’y, é pequena a quantidade de terras destinadas à plantação das 160



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Encontro17.03.2020
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QUESTÃO 1 - Em 3 de fevereiro, 40 famílias deixaram a reserva do Oco’y para ocupar um terreno em Itaipulândia. A alegação dos indígenas é de que, apesar da estrutura do Oco’y, é pequena a quantidade de terras destinadas à plantação das 160 famílias, o que contribui com uma “perda de cultura” dos Guarani. Por isso, eles buscam mais terras de plantio. Como Itaipu rebate essa alegação?

Pelas informações de que a Itaipu dispõe, houve o deslocamento de 15 famílias e não de 40. E esse deslocamento se deu por conta de diferenças políticas entre o grupo migrante e a liderança da comunidade.

É importante destacar que a população Guarani não se constitui e nunca se constituiu em uma unidade homogênea, permanentemente harmônica. Sua história é permeada por conflitos políticos entre famílias extensas e nucleares, grupos e facções. E na comunidade do Ocoy não é diferente.

Apesar disso, a Itaipu entende que as alternativas encontradas pelos Guarani do Ocoy, através de atividades agropecuárias como a criação de peixes em tanques-rede e a comercialização do artesanato, minimizam esses conflitos e promovem readequações do modo de ser indígena, sem prejudicar a sua essência.



QUESTÃO 2- Quem determina a área onde as famílias poderão realizar o seu plantio no Oco’y? Qual o tamanho total das áreas destinadas à plantação?

A organização social Guarani, baseada em famílias extensas e na vinculação destas com o território, é que determina a área onde as famílias deverão construir suas moradas e realizar os plantios familiares. Evidentemente, pelo fato da aldeia estar inserida dentro da faixa de proteção do lago de Itaipu, a área total do Ocoy destinada ao plantio é reduzida, se comparada às demais aldeias do Itamarã e do Añetete. Atualmente, essa área é de 48 hectares.

Porém, a comunidade compensa essa extensão de terra com técnicas agropecuárias sustentáveis e culturalmente adaptáveis às suas necessidades, promovendo a adoção de plantios adaptados ao terreno, à densidade populacional da área e ao valor nutricional dos alimentos. E também com uma intensa atividade de aquicultura, com uma produção anual de até 5 toneladas de peixe, que possibilita o acesso a esse alimento durante o ano inteiro.

O Comitê Gestor Avá Guarani (instituído em 2003, o comitê é responsável pela discussão, implantação e gestão de todos os projetos desenvolvidos nas três comunidades indígenas da região) vêm incentivando, orientando e acompanhando a produção diversificada de laranja, abóbora, melancia, melão, acerola, maracujá, banana, manga e caqui, o plantio tradicional de amendoim, milho, batata doce, feijão, arroz e mandioca, além de acompanhar e apoiar na comercialização de alguns produtos.

Em 2014 Itaipu fomentou e deu suporte para o cadastro dos indígenas no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, possibilitando, nesse ano, a comercialização pelos indígenas de cerca de 10 toneladas de mandioca, batata doce e hortaliças. Através do PAA – Conab, 1.200 Kg de alimentos retornaram e foram distribuídos para a comunidade do Ocoy.

O preparo de solo, o repasse de sementes (milho, feijão, aveia, linhaça entre outros), de rama de mandioca, de ferramentas e insumos (enxadas, foices, ancinho, regadores) também compõe o plano de trabalho executado entre Itaipu, Prefeitura de São Miguel, lideranças indígenas do Ocoy e demais integrantes do Comitê Gestor Avá Guarani.



Também vale frisar que a produção agropecuária na comunidade Tekoha Ocoy passa por frequentes avaliações técnicas. As avaliações contam com a colaboração dos indígenas e visam promover a vocação familiar e sustentável da agricultura guarani. A comunidade divide-se em grupos de trabalho, cada um com suas especificidades e interesses na área agropecuária. Tal fato permite fomentar a produtividade sem impor padrões homogêneos de produção, pouco adequados ao modo de ser guarani.

A Itaipu também apoia a produção de alimentos no Ocoy através do programa Mais Peixes em Nossas Águas, - que vem há vários anos promovendo o cultivo de peixes (pacu) em tanques-rede (40 tanques). Em 2014, o apoio, por parte de Itaipu, além da orientação técnica, se deu com o repovoamento de 10.000 unidades de alevinos e no fornecimento de 5.500 kg de ração para cultivo de peixes. Realizou-se também a substituição de 19 tanques-rede.


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