Quem Manda no Mundo?



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Quem Manda no Mundo - Noam Chomsky
CAPÍTULO 2
Terroristas procurados no mundo inteiro
Em 13 de fevereiro de 2008, Imad Mughniyeh (ou Mughniyah), veterano
comandante do Hezbollah, foi assassinado em Damasco. “O mundo é um lugar
melhor sem esse homem”, declarou o porta-voz do Departamento de Estado dos
EUA
, Sean McCormack, que acrescentou: “De uma forma ou de outra foi feita justiça
com ele”.
[1]
Mike McConnell, o diretor da Inteligência Nacional norte-americana,
afirmou que Mughniyeh era o terrorista “responsável pelo maior número de
mortes de norte-americanos e israelenses depois de Osama bin Laden”.
[2]
A notícia também foi recebida com alegria incontida em Israel, uma vez que a
justiça havia sido feita com “um dos homens mais procurados pelos
EUA
e por
Israel”, informou o jornal londrino Financial Times.
[3]
Sob a manchete “Um
militante procurado no mundo inteiro”, a matéria que se seguia relatava que,
depois do 11 de Setembro, Mughniyeh foi “suplantado por Osama bin Laden na lista
dos mais procurados” e, tendo perdido a liderança, figurava em segundo lugar
entre “os militantes mais procurados do mundo”.
[4]
A terminologia é suficientemente precisa, de acordo com as regras do discurso
anglo-americano, que define como “mundo” a classe política de Washington e de
Londres (e todos aqueles que porventura concordem com eles em questões
específicas). É comum e frequente, por exemplo, ler que “o mundo” todo apoiou
plenamente George Bush quando o então presidente norte-americano ordenou o
bombardeio do Afeganistão. Isso podia até ser verdade para “o mundo”, mas


certamente não era para o mundo, conforme revelou uma pesquisa de opinião
internacional realizada pela agência Gallup logo após o anúncio do bombardeio. O
apoio mundial foi mínimo. Na América Latina, que tem alguma experiência no que
diz respeito à conduta dos
EUA
, a porcentagem de aceitação variou de 2% no México
a 16% no Panamá, e esse apoio estava condicionado à identificação dos suspeitos
(cuja identidade, oito meses depois, ainda não havia sido confirmada, informou o
FBI
), e a que os alvos civis fossem poupados das bombas (longe de estarem a salvo,
foram atacados de imediato).
[5]
O mundo demonstrou uma acachapante preferência
por medidas diplomático-jurídicas, que “o mundo” descartou sem demora e
completamente.

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