Quem Manda no Mundo?


partes da população normalmente passivas e apáticas adentraram a arena política



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Quem Manda no Mundo - Noam Chomsky

partes da população normalmente passivas e apáticas adentraram a arena política
para expor seus anseios e interesses: minorias, mulheres, jovens, velhos, classes
trabalhadoras... Em suma, a população, por vezes chamada de “os interesses
especiais”. Esses grupos devem ser distintos daqueles que Adam Smith intitulou de
“mestres da humanidade”, que eram “de longe os principais arquitetos” da política


de governo e iam no encalço de sua “vil máxima”: “Tudo para nós e nada para os
outros”.
[8]
O papel dos mestres na arena política não é deplorado, tampouco
discutido, no volume publicado pela Trilateral, presumivelmente porque os
mestres representam “o interesse nacional”, como os que aplaudiam a si mesmos
por conduzir o país à guerra depois que “a exaustiva deliberação dos mais
ponderados membros da comunidade” havia chegado a seu “veredito moral”.
Para sobrepujar o excessivo fardo imposto ao Estado pelos interesses especiais,
os trilateralistas reivindicaram mais “moderação na democracia”, um retorno à
passividade por parte dos menos merecedores, talvez até mesmo aos felizes dias
quando “Truman tinha condições de governar o país com a cooperação de um
número relativamente pequeno de advogados e banqueiros de Wall Street”, e
quando a democracia, por conseguinte, florescia.
Os trilateralistas poderiam muito bem ter alegado que estavam seguindo o
intento original da Constituição, “intrinsecamente um documento aristocrático
elaborado para refrear as tendências democráticas do período”, entregando o poder
a uma “melhor espécie” de pessoas e excluindo “os que não eram nem ricos nem
bem-nascidos, nem pró-ceres de exercer o poder político”, nas palavras do
historiador político Gordon Wood.
[9]
Em defesa de Madison, porém, devemos
reconhecer que sua mentalidade era pré-capitalista. Ao determinar que o poder
deveria estar nas mãos da “riqueza da nação”, “o conjunto dos homens mais
capazes”, ele vislumbrou esses homens com base no modelo do “estadista
esclarecido” e do “filósofo benevolente” do imaginado mundo romano. Seriam
“puros e nobres”, “homens de inteligência, patriotismo, propriedade e
circunstâncias independentes”, “cuja sabedoria pode discernir melhor o verdadeiro
interesse de seu país e cujo patriotismo e amor à justiça diminuem a probabilidade
de que o sacrifiquem a considerações temporárias ou parciais”. Assim dotados,
esses homens “refinariam e ampliariam os pontos de vista públicos”,


salvaguardando o interesse público contra as “traquinagens” das maiorias
democráticas.
[10]
De forma em tudo semelhante, os intelectuais wilsonianos talvez
pudessem se consolar e se animar com as descobertas das ciências
comportamentais ou behavioristas, explicadas em 1939 pelo psicólogo e teórico da
educação Edward Thorndike:
[11]
É a maior boa sorte da humanidade que haja uma substancial correlação entre inteligência e moralidade,
incluindo a boa vontade para com o próximo [...] Consequentemente, os que são superiores a nós em
habilidades são na média os nossos benfeitores, e é sempre mais seguro confiar nossos interesses a eles
do que a nós mesmos.
Uma doutrina reconfortante, embora alguns talvez julguem que Adam Smith
tinha a visão mais aguçada.

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