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Psic. da Ed., São Paulo, 33, 2º sem. de 2011, pp. 161-164

Abigail Alvarenga Mahoney 

Marcas de uma educadora no ensino  

e pesquisa de Psicologia da Educação



Melania Moroz 

Laurinda Ramalho de Almeida 

Vera Maria Nigro de Souza Placco

Por ocasião dos 40 anos do PED (Programa de Estudos Pós-Graduados em 

Educação: Psicologia da Educação), a professora Abigail Alvarenga Mahoney registrou 

aspectos sobre a história do Programa, a partir de sua experiência tanto como professora 

e orientadora, quanto como coordenadora. Antes de apresentar o texto de sua autoria, 

gostaríamos de expressar como sua presença afetou o Programa e as pessoas que por 

ele passaram.   

Abigail Alvarenga Mahoney iniciou suas atividades no Programa de 

Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação no ano de 1970, 

tendo se aposentado em 2006. Foram 46 anos de atividade, ministrando disci-

plinas, orientando alunos e realizando pesquisas.

Como fazer referência à sua atuação, sem mencionar quantos mestrados e 

doutorados foram realizados sob sua orientação? 

Em 1975, teve sua primeira experiência em levar um aluno à defesa 

pública de uma pesquisa – no caso, uma dissertação de mestrado focalizando 

um programa sobre como estudar. O último trabalho orientado – tendo como 

foco a afetividade – foi à defesa em 2006. A finalização de sua atividade como 

orientadora, em função de sua aposentadoria, não significou, porém, sua retirada 

do meio acadêmico, já que continua a participar não só como membro de bancas 

de avaliação, tanto na PUC-SP quanto em outras universidades, como também 

de apresentações em eventos científicos. 



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É grande o número de orientações realizadas: entre dissertações de mestrado 

e teses de doutorado, orientou 55 pesquisas. Nas duas primeiras décadas (1970 e 

1980) de atividades, orientou 11 delas. A partir de 1990, porém, sua atividade 

de orientação foi intensificada, pois até 2006 levou à defesa 44 dissertações/teses.  

Foram inúmeras as temáticas orientadas, revelando sua capacidade de 

orientar tanto pesquisas com problemáticas decorrentes da realidade educacional 

brasileira, quanto as de cunho eminentemente teórico, com foco na articulação e 

reflexão conceituais de diferentes teorias da Psicologia. Dentre elas, destacam-se 

especialmente as propostas de Ausubel, Rogers e Wallon, de cujos conceitos e 

princípios foi estudiosa e divulgadora.

O número de orientações evidencia que a professora Abigail deixou sua 

marca no Programa de Psicologia da Educação, e os trabalhos orientados expres-

sam sua influência para além dos limites do Programa, ao atingir profissionais 

da Educação.

Uma outra marca de Abigail Alvarenga Mahoney no PED foi sua vocação 

para organização de grupos de estudos.

Nos anos 1970, quando Grupos de Pesquisa não estavam ainda institu-

ídos no calendário da Pós-Graduação, Abigail Alvarenga Mahoney constituiu 

um Grupo de Estudos sobre Carl Rogers, teórico sobre o qual ministrou cursos 

durante toda a década. Desse grupo, do qual também faziam parte as professoras 

doutoras Bernardete Gatti, do PED, e Thereza Marini, da UNESP de Presidente 

Prudente, resultaram, entre outras, três dissertações teóricas sobre a abordagem 

rogeriana. Duas das participantes desse grupo histórico são hoje professoras do 

PED: Vera Maria Nigro de Souza Placco e Laurinda Ramalho de Almeida.

O Grupo de Estudos reunia-se na antiga sede da Fundação Carlos Chagas, 

em Pinheiros. Os estudos de Rogers, naquela década, foram decorrentes do 

interesse da professora Abigail com a questão da afetividade, interesse esse que 

perdura até hoje.

Na década de 1990, novo Grupo de Estudos é constituído, agora sobre 

Henri Wallon, que passou a ser referente teórico para as pesquisas que orientou 

e sobre o qual ministrou cursos, desde essa década. Foi um grupo muito produ-

tivo, não só em fundamentação teórica para seus participantes, como também 

para instrumentalizar pesquisas de Mestrado e Doutorado.

O grupo Wallon, constituído em 1994 e, naquele momento, coordenado 

por Abigail A. Mahoney, foi assim definido por ela: “um espaço para  partilhar o 

saber e o não saber”. Abigail, no grupo, exerceu uma coordenação flexível, mais 




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no papel de facilitadora, de parceira mais experiente, o que levou o Grupo a dar 

suporte teórico e afetivo para elaboração de um grande número de dissertações 

e teses sobre diferentes temáticas, predominando a da afetividade.

Cabe ressaltar, ainda, sua importância na interação com alunos e profes-

sores, deixando sua marca pessoal e profissional.

No atendimento a seus alunos e orientandos, aos professores/colegas do 

PED, aos funcionários do Programa e da Pós-Graduação, Abigail sempre se fez 

referência e porto seguro: ouvir com atenção e carinho, falar as palavras certas e 

adequadas para o estímulo e para o consolo, oferecer o abraço meigo e caloroso, 

partilhar os silêncios expectantes ou ansiosos! Esse o papel desempenhado, esse 

o exemplo oferecido e vivido.

Esse afeto e calor humano sempre se fizeram apoiados em uma inteligência 

aguda e profunda, uma crítica atenta e respeitosa, uma criatividade pujante, que 

a fizeram intelectual respeitada e valorizada, não apenas no âmbito de nosso 

Programa e nossa universidade, mas também no meio acadêmico da Educação 

e da Psicologia. 

Abigail – com sua história pessoal e profissional – afirma-se uma agrega-

dora de pessoas e sintetizadora de posicionamentos teóricos e humanos, o que 

a torna, não só para nós, amigos e sempre orientandos, mas para todos que a 

conhecem, uma figura cujas marcas são indeléveis!




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