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esquecer — Anthony murmurou em meu ouvido.
— A Bia te disse isso? — era difícil encará-lo, ainda mais com os olhos
marejados de lágrimas. Mas tive de olhá-lo.
Anthony passou a mão em meu rosto, tocou em uma lágrima que desceu
e sorriu.
Lilo e Stich — ele respondeu.
Ah — balancei a cabeça, sem saber o que dizer. — Me desculpe...
Você não precisa se desculpar por ter sentimentos — Anthony encheu
a boca para falar isso. — A Bia me disse isso no dia em que plantamos algumas
sementes no jardim.
Ele havia plantado sementes no jardim?
Quem diria?!
Bia se fazia presente mesmo na ausência. E era nessa ausência que todas
as dúvidas me eram arrancadas. Não apenas eu, mas toda a minha família tinha
se tornado melhor depois dela.
—  O  papai  precisa  fazer  uma  ligação.  Continue  estudando  que  eu  já


volto.
— Você vai trazer a Bia de volta? — ele perguntou ansioso.
Não pude dar-lhe uma resposta, mas abri um sorriso de confiança.
Peguei o celular e liguei para Zimmerberg. Enquanto o telefone chamava,
Anthony me encarou de longe.
Um dia o senhor vai me perdoar por eu ter matado a mamãe?
*
Zimmerberg não podia vir à Mitchell & Smith à tarde, apenas a noite.
Chamei  Ethan,  Derick  e  Adrian  para  discutir  nossos  próximos  passos  e
tentei  perguntar  a  Anthony  o  que  ele  havia  dito,  por  que  eu  não  sei  se  tinha
escutado corretamente, mas ele não respondeu, ficou quieto o resto do dia.
—  Adivinha  quem  veio  dar  suporte  emocional  para  o  melhor  CEO  da
família? — Laurel bateu na porta depois de entrar.
— Estava demorando! — fingi reclamar.
Larguei  a  pasta  de  documentos  em  cima  da  mesa  e  me  levantei  para
abraça-la.
— Como você está? — ele me abraçou forte.
Comecei  a  gesticular  e  procurar  as  palavras.  No  fim  fiquei  quieto  e
suspirei.
—  Oh!  Olha  só  quem  está  aqui!  —  ela  se  surpreendeu.  —  Ele  saiu  da
mansão?
Laurel e eu fitamos Anthony dormindo nas duas poltronas que eu juntei
uma de frente para a outra.
—  É  a  segunda  vez  que  ele  se  aventura  na  cidade  grande...  —  também
parei  para  admirá-lo.  —  Se  eu  te  conheço  bem,  você  sempre  chega  alguns
minutos antes da mãe.
— Você sempre foi o observador da família — ela balançou a cabeça.
— E ela vem para me dar suporte emocional também? — brinquei.
— Parece que não conhece a mãe que tem — Laurel cruzou os braços e
se  escorou  na  minha  mesa.  —  Enfim,  me  conte  essa  novidade!  Era  mais  fácil
derrubarem  mais  prédios  em  Nova  York  do  que  Anthony  vir  para  cá.  O  que
houve?
— Bia. Ela que houve — balancei a cabeça e dei a volta na mesa para me


sentar na cadeira presidencial. — Nada mais é o mesmo depois dela.
—  Ela  tem  essa  aura  mesmo,  por  onde  quer  que  passa  ela  ilumina  as
coisas.  Parece  até  que  veio  de  ouro  mundo  —  Laurel  começou  a  mexer  nas
canetas  da  mesa,  olhou  os  quadros  na  parede  e  vigiou  o  resto  da  sala.  —  Você
não mudou nada. Ainda é a sala do papai.
—  Exato.  Ainda  é  a  sala  dele.  Quando  ele  despertar,  ele  voltará  a  ser  o
chefe.
—  Você  é  cruel.  Nem  pensa  na  melhora  dele,  já  quer  torturar  nosso
velhinho de novo! — Laurel gargalhou. — A vida dele era esse trabalho.
— Sim. Era o hobbie, o propósito, o fôlego da vida dele. Eu não mudaria
nada, seria tolice. Ele vai voltar e tudo estará no lugar.
— E quando Bia voltar tudo estará no lugar? — Laurel mordiscou o lábio
e me encarou.
— Desembucha. Quando você faz essa cara é porque...
— Mamãe foi a mansão há uma ou duas semanas...
Aquilo despertou o meu interesse. Não sabia disso.
— Ela deu um cheque em branco para a Bia.
— Para quê?
—  Sei  lá.  Para  ela  comprar  alguns  vestidos  Prada...  viajar  o  mundo...
comprar uma Ferrari... abandonar você...
Engoli em seco. Minha mandíbula ficou rígida e meu rosto se contorceu
com toda a demora que me era de direito. Apertei os olhos e cerrei os punhos,
deixei-os parados no ar e os abaixei calmamente. Abri os olhos e a encarei.
— Não acho que ela aceitou — Laurel abriu um sorriso gentil. — Sei que
parece que ela fugiu com a amiga stripper... mas ela parecia tão interessada em
tudo, sabe? No jardim, no Anthony, nas pinturas da Serena que ela encontrou e
estava  tentando  desvendar  o  que  estava  escrito  atrás...  —  Laurel  parou  um
instante para recuperar o fôlego. — Eu não acho que ela te deixaria.
—  Por  que  eu  ofereci  um  cartão  ilimitado,  um  Green  Card  e  outras
mordomias? — falei com aspereza.
— Não — Laurel foi simples. — Por que ela tinha um brilho no olhar, o
mesmo que o seu. Ela não era uma aproveitadora, na minha humilde opinião...
— Obrigado por acreditar nela.
—  Também  acredito  em  você.  Sei  que  seus  julgamentos  não  falham  e
você escolheu a mulher certa para essa empreitada. Sei que oficialmente se trata
mais  de  negócios  do  que  de  sentimentos...  mas  pode  falar,  maninho,  tem  algo


rolando entre vocês.
— Você acha?
— Nem mesmo nós tínhamos tanta liberdade para estar perto do Anthony
—  Laurel  riu.  —  Ela  se  encontrava  praticamente  todas  as  noites  escondido  no
quarto dele. Sabia disso?
— Não...
—  Ela  me  contou  —  Laurel  ajeitou  a  bolsa  no  ombro  e  me  deu  tchau
com a mão. — Quer apostar quanto que assim que eu sair a mamãe vai entrar?
— É... conversamos demais... você me enrolou muito bem — segurei sua
mão e apertei. — Obrigado, Laurel.
— Obrigado nada, traz a minha cunhada de volta — ela me repreendeu.
—  Não  pense  que  você  é  o  único  beneficiário  da  presença  dela.  Beatriz  e  eu
somos  as  pessoas  mais  normais  dessa  família,  não  quero  ter  que  ser  a  única,  a
excluída novamente — ela ficou bastante séria e disse tudo o que precisava num
tom imperativo, como era de se esperar de uma Mitchell.
Eu a trarei, eu juro.
Antes que Laurel pudesse dizer mais alguma coisa a porta se escancarou.
—  Ninguém  nessa  família  sabe  bater  antes  de  abrir  a  porta  —  Laurel
comentou  e  deu  espaço  no  meu  campo  visual  para  que  eu  encarasse  Rebecca
segurando a porta e minha mãe que entrou logo em seguida.
—  Ah,  ainda  bem  que  estão  reunidos.  Precisamos  conversar  —  minha
mãe tirou o casaco de peles e jogou em cima da mesa onde estavam as coisas de
Anthony.
— Também é bom te ver, mama.

*
A minha mãe não tirou os olhos da grande janela da sala presidencial.
Após uma rápida examinada na sala e ver que ela estava impecavelmente
como  sempre  fora,  ela  me  deu  as  costas  e  fitou  o  mundo  debaixo  de  todos
aqueles andares, onde os transeuntes eram do tamanho de formiguinhas.
Ela gostava dessa sensação.
— Isso parece menos uma reunião de família e mais uma intervenção —
quebrei o silêncio.
—  Uma  excelente  palavra:  intervenção.  Era  isso  que  essa  família
precisava há muito tempo.


—  A  intervenção  dela  em  nossas  vidas,  é  claro  —  Laurel  se  sentou  no
braço de uma das poltronas onde Anthony estava dormindo.
Rebecca ficou de pé, guardando a porta, quieta.
Pode falar, mama. Ilumine-nos — falei.
— Ah, eu tenho muitas coisas a dizer — ela respirou fundo. — Por onde
começo?  Por  onde  começo?  Ah,  sim,  seu  péssimo  gosto  para  mulheres  fúteis,
um testamento de uma mente demente e uma aproveitadora que quer destruir não
apenas essa família, mas tirar toda a nossa fortuna...
—  A  mamãe  avisou,  Héctor.  Por  que  você  tinha  que  casar  com  essa
maldita mulher? — Rebecca ralhou. — Agora ela fugiu com a parceira de crime
e nos deixou em uma situação perigosa.
—  Héctor,  você  tem  um  bom  coração  —  minha  mãe  suspirou.  Ainda
olhava  o  mundo  lá  fora.  —  Tão  puro  que  se  embrenha  no  mundo  imundo  e
perverso  de  mulheres  como  aquela  Beatriz  e  ainda  se  sente  cativado  pela
víbora...
— Não fale assim dela — mandei.
— Ela fugiu! Entende em que situação ela nos colocou? Entende que se
os  advogados  da  empresa  pedirem  para  ver  você  e  sua  mulher  nesse  instante,
você não a tem para apresentar? O que isso nos torna?
Falidos — Rebecca voltou a ralhar.
— Eu a encontrarei antes que descubram. Só contei para vocês porque eu
quero  tornar  tudo  transparente.  Expliquei  o  que  houve  e  darei  um  jeito  nisso
antes  que  qualquer  outro  perceba.  Na  dúvida,  Beatriz  continua  na  mansão  nos
Hamptons e fim de assunto.
— Héctor, ela não vai voltar — minha mãe se virou para mim, de braços
cruzados. — Ela aguardou o momento certo para dar o bote. Esperou quase seis
meses  para  enfim  desestabilizar  as  bases  dessa  família!  Você  pode  não  se
importar  conosco,  Héctor.  Mas  toda  a  fortuna?  Entende  que  perderemos  tudo
para o Geoffrey?!
— Eu entendo. Assumo as consequências. Darei um jeito nisso.
— Eu dei um cheque em branco a ela — minha mãe balançou a cabeça
negativamente.  —  Para  que  ela  não  criasse  mais  problemas,  desaparecesse  do
mapa e reaparecesse quando fosse solicitado, caso os advogados exigissem vê-la.
Sabe o que ela disse, Héctor?
— Estou ansioso para ouvir.
— Que aquela seria a carta de alforria dela.


Meus pensamentos pararam por um segundo e eu a encarei muito sério,
sem saber como reagir.
— Ela estava exausta de você. Do seu mundo perigoso. Disse até que não
aguentava  mais  fingir  suportar  o  seu  filho  —  ela  continuou  a  fazer  sinais
negativos  com  a  cabeça.  —  Aquela  maldita  stripper  só  aguentou  tudo  porque
tinha benefícios e ao perceber que os perderia em seis meses, deu graças a Deus
por não precisar mais se humilhar para...
Chega — mandei.
Minha mãe sorriu, satisfeita, ao perceber que havia me atingido.
E havia mesmo.
— Saiam, todas vocês, da minha empresa.
Sua? — Rebecca riu.
Saiam! — rugi.
Pela  primeira  vez  vi  as  três  assustadas,  pálidas,  trocando  olhares
confusos.
—  Vamos  embora  —  minha  mãe  pediu  para  minhas  irmãs.  —  Héctor
sabe  que  a  verdade  dói.  E  precisamos  dar-lhe  a  chance  de  digerir  a  verdade.  A
stripper  não  foi  raptada,  filho.  Ela  fugiu.  É  só  ver  as  câmeras  de  segurança  de
fora da sua mansão. Ela entrou de livre e espontânea vontade no carro, ninguém
a  pressionou,  ninguém  exigiu,  ninguém  estava  com  uma  arma  apontada  para  a
cabeça dela.
Eu mandei saírem — me levantei e apontei para a porta.
Laurel passou por mim e me abraçou.
— Fique forte — ela pediu.
Rebecca não me dirigiu a palavra, saiu depois de Laurel.
Minha  mãe  esperou  que  estivéssemos  a  sós  e  me  olhou  no  fundo  dos
olhos.
—  Você  colocou  toda  a  fortuna  dessa  família  em  risco.  E  ajudou  uma
prostitua  a  destruir  essa  família.  Pelo  bem  maior,  Héctor  —  ela  pediu.  —  Se
algum de seus homens ou amigos encontrarem essa mulher e aquelas outras duas
strippers...  —  ela  respirou  fundo,  suas  narinas  se  encheram  e  seus  olhos
mostraram-se vermelhos. — Mate-as.
— Tchau, mama.
—  Se  a  fortuna  e  a  família  não  são  capazes  de  te  convencer...  —  ela
segurou em meu braço. — Que o Bem Maior possa convencê-lo. Ou eu levarei
esse assunto diante os anciões da Grande Ordem e exigirei eu mesma que pelo




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