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Capítulo 32 Héctor Mitchell



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Capítulo 32
Héctor Mitchell

Nada estava sob controle.
Voltei para casa naquele dia para garantir que Anthony estava bem e ficar
próximo dele. Assim como os irmãos do templo, não o alarmei e não lhe disse
nada sobre Bia.
Na segunda-feira Anthony me acompanhou até a Mitchell & Smith.
Não tirei os olhos dele por um minuto sequer.
Todos os funcionários que nos viram ficaram impressionados em ver que
Anthony estava por ali mais uma vez.
Ele  sempre  me  seguia,  tímido,  contando  os  passos,  olhando  ao  redor  e
quase se escondendo quando via muito movimento.
— Foi um final de semana conturbado, Mary. Os voos nos aeroportos de
Nova  York  simplesmente...  —  o  jornalista  narrava  o  atraso  dos  voos  e  a
segurança que havia quintuplicado.
Agora  todos  passavam  por  uma  inspeção  minuciosa,  a  documentação
realmente precisava estar em dia, tudo se tornou mais burocrático e lento.
Foi isso que Adrian e eu conseguimos fazer. Parar a cidade era divertido,
ilustrava bem o nosso poder, mas não era uma opção.
Percebemos que o clima ficaria tenso e os jornais começariam a falar de:
— seria um exercício militar, John? Você acha que após o bombardeio à
Síria é possível que terroristas...? — a jornalista jogou o pânico no ar.
—  Você  está  com  fome?  —  tirei  meus  olhos  da  tela  do  computador  e
encarei Anthony.
— Não — ele disse com simplicidade, escondi meu espanto ao perceber
que ele não estava rodeado de aparelhos eletrônicos.
Sempre que eu via Anthony ele estava pelo menos com o celular, tablet,
notebook  e  videogame  portátil,  todos  ligados,  com  suas  telas  multicoloridas
gerando informação.
O  que  eu  vi  foi  o  meu  filho  com  três  livros  abertos  diante  de  si  e
digitando alguma coisa no notebook.
— Está tudo bem, filho?
— Sim.


—  Onde  estão  seu  celular,  tablet  e  aquele  console  novo  que  você
ganhou?
— No apartamento.
— E por que não os trouxe?
— Bia disse que às vezes é bom se afastar um pouco da tecnologia. E eu
gosto  de  livros.  O  problema  é  que  não  vem  o  google  instalado  neles  para
pesquisar  algumas  coisas  —  ele  começou  a  passar  várias  páginas  em  busca  de
alguma coisa.
Só concordei e voltei minha atenção à tela do computador.
Que merda.
Eu não conseguia me concentrar.
Me  distrair  parecia  a  única  solução,  para  me  ocupar  e  fingir  que  estava
tudo certo. E nada estava. Tudo estava fora do lugar.
Eu precisava trabalhar. Muita coisa dependia de mim.
Minha mente, entretanto, só conseguia se concentrar em perguntas como:
Bia  estava  bem?  Quanto  tempo  iríamos  demorar  para  encontrá-la?  Onde  ela
estava?  Quando  ela  iria  voltar?  E  será  que  ela  estava  sentindo  saudades  de
mim?
Por que eu estava.
— Você não vai estudar hoje?
— Sim. O senhor Krabs passou uma longa lista de equações — Anthony
disse de muito bom humor. — A senhora Fellington me pediu para escrever algo
sobre “O Jardim Secreto”.
Ah — abri um sorriso. — Sua mãe gostava muito desse livro.
—  Hmm  —  Anthony  pegou  o  exemplar  começou  a  folhear.  —  Bia
também. Bia gostava de jardins.
— Sim, eu sei — cruzei as pernas e girei a cadeira lentamente para ficar
de frente para ele.
— E ela pegava terra com as mãos, não tinha medo de ficar doente.
Soltei uma risada branda, não sei porquê.
Anthony levantou o rosto e me olhou até que a risada sumiu e eu voltei a
ficar sério.
—  Eu  só  te  vi  sorrir  duas  vezes  —  ele  respirou  fundo  e  voltou  para  o
livro, muito concentrado. — A terceira hoje.
— É? Você conta as vezes que seu pai ri? — cocei o queixo.


—  A  primeira  vez  foi  naquele  dia  do  jogo  de  beisebol.  Depois  eu  te  vi
sorrir junto com a Bia. E agora.
Concordei.  É,  eu  não  era  uma  pessoa  de  ficar  rindo  por  aí,  mas  achei
curioso ele prestar atenção nisso.
—  Sorrir  significa  felicidade,  a  não  ser  que  você  esteja  sorrindo  de
nervoso,  a  Bia  me  disse.  Que  é  um  sorriso  falso  ou  trágico.  A  Bia  te  faz  feliz,
papai?
Quando Anthony tirou os olhos das fileiras de letras e me fitou, senti um
misto de saudade e dor.
Eu a queria de volta.
Eu precisava dela.
Repentinamente tudo parecia muito mais cinza, estranho e sem graça sem
Beatriz. Cada mínima coisa que ela fazia, que passava despercebida no dia a dia,
pesou como toneladas.
A ausência da preocupação se eu estava bem, o relatório de que Anthony
estava  estudando,  que  ela  me  queria  por  perto  e  estava  feliz  por  se  sentir  em
família...
— Sim, ela me faz muito feliz.
— Eu te faço feliz? — Anthony evitou me olhar, ficou meio paralisado
encarando a janela.
Tive de me levantar e ir até ele.
Em resposta ele se encolheu, continuou parado, mas os ombros cada vez
mais para frente e os olhos perdidos na sala.
Fiquei  de  joelhos  ao  lado  dele  e  girei  sua  cadeira  bem  devagar  até  que
nossos olhos se encontraram.
— Você é o motivo pelo qual eu estou vivo — toquei seu rosto. — Você
mudou a minha vida antes mesmo de nascer e eu não me arrependo um só dia de
ter  passado  noites  em  claro  só  te  observando  crescer.  Olha  —  estendi  minhas
duas  mãos  abertas  em  sua  direção.  —  Um  dia  você  foi  bem  menor  que  esse
tamanho.
Anthony levantou as sobrancelhas.
— E quanto mais você cresce eu tenho motivos para ser feliz e te amar
independente  de  qualquer  coisa.  Você  não  só  me  faz  feliz.  Você  é  a  minha
felicidade.
Por mais que eu odiasse aquela expressão, eu tive de dizê-la:
—  Você  é  insubstituível,  Anthony.  O  espaço  que  você  ocupa  em  meu


mundo  não  pode  ser  ocupada  por  mais  ninguém.  Você  é  um  campeão.  E  eu  te
amo.
Anthony  concordou  com  demora.  Pareceu  pensar  bastante  sobre  algo,
mas me abraçou com força.
Foi a primeira vez em muito tempo que ele tomava uma atitude daquelas.
— Eu quero ir para a escola — ele disse, ainda no abraço. — Bia disse
que faria bem conhecer outras pessoas e fazer novos amigos...
Ele era meu bebê.
Era difícil tirá-lo da bolha que fui obrigado a colocá-lo e que depois me
acostumei.
— Se você quiser, faremos isso.
— Quando a Bia vai voltar?
Aquela pergunta ecoou dentro de mim.
Fechei  os  olhos,  tentei  prender  a  respiração  e  fingi  que  eu  podia  dar
aquela resposta com segurança e certeza.
Mas era feio mentir.
E eu não podia dar aquela resposta, eu me sentia inseguro, pela segunda
vez na vida, e no mar das incertezas.
 Ohana  quer  dizer  família.  Família  significa  nunca  abandonar  ou


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