Protegida pelo Bilionário


Capítulo 3 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 3
Beatriz Rodrigues
Saí  mais  cedo  de  casa  para  o  trabalho  por  dois  motivos:  primeiro  Clair
que me decepcionou em um nível estratosférico.
Ela me contou, após ser muito pressionada, que ela havia se metido com
coisa errada, estava com uma dívida grande que precisava pagar e os traficantes
a estavam forçando a pegar mais drogas para vender para seus clientes.
O  segundo  foi  porque  o  senhor  Brown  me  intimou  a  comparecer  ao  La
Chica antes da hora.
—  Diga-me  que  você  tem  boas  notícias  —  bufei  assim  que  cheguei  ao
bar, um ambiente com um longo balcão, um palco principal e vários sofás com
seus próprios pole dances.
O senhor Brown apagou o cigarro e me degustou com os olhos.
— Você não sabe o quanto fica sexy vestida assim e irritada.
— Assim como?
— Jaqueta de couro, jeans...
—  Brown,  não  vem  com  esse  papinho  —  bati  com  a  bolsa  no  balcão  e
sentei  no  banco  que  tinha  um  curto  encosto  para  as  costas.  —  Por  que  me
chamou?
O senhor Brown não era muito bom com as palavras, não quando tinha
outros  interesses,  o  que  era  seu  caso  comigo.  Era  melhor  apenas  pagando  ou
dando  ordens,  conversar  de  igual  para  igual  era  uma  tarefa  que  ele  não
dominava bem.
— Você pensou em minha proposta?
— Não tive tempo — menti. Não queria perder aquele emprego e sabia
que ele poderia ser a denúncia que faltava para cortar minhas asas.
— Tudo bem — seu rosto transparecia derrota.
Sejamos justos aqui, pelo menos. Brown era uma boa pessoa.
E  embora  eu  precisasse  desconfiar  de  suas  intenções  para  me  auto
preservar,  eu  sabia  que  de  alguma  forma  ele  gostava  de  mim  e  não  queria  me
fazer mal.
— Durante esses três meses em que você esteve aqui no La Chica eu não
a  obriguei  a  nada.  E  eu  te  falei,  homens  importantes  vieram  atrás  de  você,  te
assistir e te desejar... políticos, grandes empresários, religiosos — ele arqueou a


sobrancelha. — Eu nunca a obriguei a nada...
“Mas”... — antecipei logo o “x” da questão.
—  Ofereceram  uma  boa  quantia  por  um  show  particular.  Apenas  meia
hora. Você fica com a metade, é mais do que você tirou todos esses meses. Ou
até mesmo poderia tirar em anos.
Foi a minha vez de arquear a sobrancelha. De quanto dinheiro estávamos
falando?
—  Eu  sou  obrigada  a  fazer  algo  nesse  show?  —  encolhi  os  ombros  e
olhei ao redor.
— Só o que você quiser...
—  Tudo  bem  —  balancei  os  ombros  e  fiquei  menos  tensa.  Incorporar  a
Sabrina  me  fazia  relaxar.  E  tudo  o  que  eu  queria  era  espairecer  e  fugir  de
problemas que nem meus eram. — Quando é o show?
—  Agora  —  ele  me  encarou  como  se  isso  tivesse  ficado  claro  desde  o
início. Não tinha.
Felizmente uma mulher prevenida vale mais do que cem homens –  uma
desprevenida,  distraída  e  com  labirintite  aguda  equivale  a  uns  dez  ou  vinte
deles.
Eu  já  estava  banhada,  perfumada  e  pronta  para  matar.  Afinal  de  contas,
quando  se  tratava  de  ir  ao  La  Chica  eu  precisava  estar  a  caráter  para  fechar
qualquer negócio.
E eu saberia controlar a situação nesse show particular.
Bom, eu não, mas a Sabrina conseguiria qualquer coisa.
— Vou me arrumar — peguei a bolsa e me dirigi ao camarim.
— Você sabe que sempre poderá contar comigo e com o clube — Brown
ficou para trás.
No  camarim  coloquei  toda  a  indumentária  de  Catwoman  e  incorporei
Sabrina. Saí de lá poderosa, indomável, segura.
Brown  indicou  qual  das  salas  privê  estava  o  ilustre  convidado  e  eu  já
entrei com a voz sedosa, manhosa, jeito de mulher que sabe fazer um pouco de
tudo sem nunca ter feito nada.
—  Boa  noite,  senhor.  Garanto  que  serão  os  trinta  minutos  mais
proveitosos de sua vida — entrei na sala escura, uma meia luz indicando o palco.
Caminhei  felinamente  e  me  sentei  no  palco,  voltando-me  inteiramente
para aquele milionário que havia pago bastante por meu tempo.
Boa noite, Sabrina — sua voz me arrepiou toda. Era ele.


Senhor Mitchell — estendi a mão e liguei o abajur que ficava diante
dele e assim pude ver seu rosto másculo.
Ele abriu um sorriso de canto, as covinhas de seu rosto ficaram salientes.
Mordisquei o lábio e recolhi a mão para o colo. Ou tentei.
Fui  puxada  para  cima  da  mesa  e  quando  meu  coração  desacelerou  e
minha  concentração  voltou  100%,  percebi  que  estava  deitada  de  barriga  para
cima,  com  um  homem  sentado  diante  de  mim,  os  cotovelos  em  cima  dos
próprios joelhos, as mãos unidas, o queixo no punho.
O senhor Mitchell me encarava como se eu fosse um banquete servido.
— Você prefere quando te chamam por Sabrina ou por Beatriz?
Meus olhos se arregalaram, os dele foram fechando.
Eu estava acabada!



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