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Beatriz Rodrigues
O  quarto  de  Hillary  era  bem  mais  distante  que  o  meu,  então  ela  correu
para pegar o que precisava.
Eu não precisava de muito. Peguei o cartão, algum dinheiro em espécie
que eu tinha guardado e meus documentos.
Olhei  para  a  pintura  de  Serena  uma  última  vez  e  todas  as  suas  pinturas
em ordem numeral que eu havia decifrado.
Isso  não  tinha  mais  significado  algum.  Pelo  menos  não  agora  que  meu
pescoço estava em jogo. Eu precisava fugir.
Esperei Hillary durante um minuto do lado de fora do quarto.
Quando cansei de ficar em pé parada, me mexi, fui na direção do quarto
dela.
Quase dei um salto para trás ao ver Anthony.
Ele parou diante de mim, no corredor, trazia consigo um livro.
— Você está suando — ele analisou e se desviou, continuou o caminho
como se nada estivesse acontecendo. É claro, para ele, nada estava.
— Anthony — eu o chamei.
Ele parou onde estava e virou o rosto devagar.
—  Sua  voz  está  meio  alterada  e  você  parece  tensa  —  ele  arqueou  a
sobrancelha e me encarou como se pudesse ler minhas expressões faciais.
—  Eu  só  vim  buscar  algo  às  pressas  e  preciso  retornar  para  a  festa  —
tentei explicar, mentindo, é claro.
—  Você  não  é  boa  mentindo  —  ele  balançou  a  cabeça  e  continuou  o
caminho.
— Anthony?! — voltei a chama-lo.
Não sabia o que dizer.
Aquela era provavelmente a última vez que nos veríamos. Eu queria me
despedir, mas não sabia como.
O  menino  sabia  ler  expressões,  sabia  quando  eu  estava  mentindo,
analisava as pessoas só por diversão.


— Posso te dar um abraço?
— Pode, depois do banho — ele continuou a andar.
— Acho que não tenho todo esse tempo, Anthony...
Ele  parou  e  bufou.  Deu  meia  volta  e  arrastou  os  pés  em  minha  direção,
abraçou-me e encostou a cabeça em meu abdômen.
— A sua luta em tentar me fazer vencer o medo dos germes é incansável
— ele murmurou.
— É, é sim — eu o apertei com toda a força que pude.
Quis chorar, mas isso só levantaria mais suspeitas.
Beijei sua testa e tive de convencer a mim mesma que precisava soltá-lo
e deixa-lo ir.
Que merda de adeus. Ele merecia coisa melhor.
Fiquei de joelhos e o encarei.
— Nunca se esqueça que seu pai te ama muito — esfreguei as mãos nos
olhos que ardiam. — E que eu aprendi a te amar também, do jeito que você é.
— Então tá bom — Anthony sorriu.
— E, me escute — segurei em suas mãozinhas. — Um dia, lá no futuro,
talvez você sinta muita raiva e ódio das pessoas que foram ruins com você. Mas
isso só vai alimentar algo ruim que há dentro de você. Nunca pare sua vida para
culpar os outros por terem sido cruéis contigo. Só seja feliz por ter amadurecido,
crescido, ficado forte e resistente. A vida não é sobre as cicatrizes e rachaduras
que as pessoas nos fazem... mas o que decidimos fazer com elas — o apertei em
meus braços com muita força.
Anthony correspondeu e dessa vez foi ele quem não quis me largar.
Acho que de alguma forma ele entendeu que eu ia embora.
— Agora, vá. Vá levar seu livro a biblioteca...
— Mais tarde conversamos?
— Sim.
Anthony  me  soltou  e  andou  daquele  jeito  robótico  e  monótono  que  era
bem  engraçadinho,  segundos  depois  dele  sumir,  Hillary  apareceu  com  duas
malas gigantes.
Mas que diabos?!
— Eu vou. Mas não vou sem dar prejuízo.
Hillary! — a repreendi.
— Ele não quer nos matar sem motivo? Então vamos dar um motivo para


esse babaca querer nos matar mesmo! Peguei algumas coisas de valor.
— Não compactuo com isso.
— Não foi você, fui eu, amiga. Agora vamos!
Ela saiu na frente, desengonçada, puxando duas malas gigantes atrás de
si. Estava toda suada e sem fôlego.
—  Você  não  acha  que  ir  com  o  motorista  dele  para  o  aeroporto  não  vai
tornar mais fácil que ele nos encontre? Uma hora dessas ele já deve ter avisado
ao Héctor... — eu disse esbaforida, tentando acompanha-la.
— Por isso chamei o Uber. E ele está quase aqui.
— Ok...
As  pernas  falharam,  foi  difícil  sair  da  mansão.  Aquele  se  tornou  o  meu
lar.
Não era esse o fim que eu queria.
Depois de dar o meu melhor, cuidar de tudo e transformar o lugar em um
espaço  agradável  não  só  para  mim,  mas  para  Anthony  também,  dar  adeus  de
forma abrupta me machucava.
Infelizmente não havia outra opção.
Era isso ou a morte...
— O Uber chegou, amiga. Vem!
— Espera — pedi.
Respirei fundo e olhei a frente da mansão.
Parecia que uma parte de mim ficava ali. Uma parte que eu nunca teria
de volta.
— Vem!!! — Hillary me puxou para dentro do carro.




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