Protegida pelo Bilionário



Baixar 1.31 Mb.
Pdf preview
Página87/124
Encontro29.07.2021
Tamanho1.31 Mb.
1   ...   83   84   85   86   87   88   89   90   ...   124
Beatriz Rodrigues


—  Merda!  —  ouvi  uma  voz  familiar.  Era  Héctor,  eu  não  podia  estar
louca.
Do  lado  de  fora  enquanto  contornava  a  casa  parei  diante  de  grandes
janelas que estavam bem acima de minha cabeça. Mesmo esticando os pés não
era possível conferir o interior do lugar.
Era a voz de Héctor, sem dúvidas.
Encostei o rosto na parede e aproveitei o silêncio para ouvir.
— A escolha é sua, amigão — era a voz de um dos amigos de Héctor.
—  Odeio  concordar  com  o  Terence  Smith,  mas  numa  coisa  ele  estava
certo:  na  tradição.  Nós  somos  insubstituíveis.  As  outras  pessoas  não.  Ninguém
vai dar falta dela, só matar a stripper — ouvi uma voz que me lembrou o rapaz
italiano do dia em que levei Anthony ao escritório de Héctor.
Engoli em seco, o coração veio na boca.
— Vocês ficaram malucos — Héctor riu.
—  Droga,  Héctor,  você  queria  provas,  aí  estão  as  provas.  Todos  nós
admiramos o fato de que você sempre foi o irmão protetor, cuidadoso e zeloso.
Mas  vamos  ser  realistas  agora:  essa  stripper  precisa  morrer  —  era
definitivamente a voz do italiano.
—  Ela  não  era  ninguém  antes  de  você,  Héctor.  Você  foi  tolo  ao  leva-la
para  casa  e  tentar  protege-la.  Ela  é  a  criminosa  —  não  consegui  identificar  de
quem era a voz. — E o seu filho? O tempo todo ela esteve em sua casa, você não
pensou por um instante o perigo que o seu filho corria?
— Estamos um pouco alterados agora — Héctor tentou acalmá-los.
—  É  queima  de  arquivo.  Não  é  novidade,  ela  não  será  a  primeira  ou  a
última.  Faço  isso  sem  fazê-la  sofrer  e  rapidamente  —  a  voz  do  italiano  foi  se
aproximando, quase saí correndo dali.
No fim ele só cobriu a janela com as cortinas cor de carmim.
— Ela esteve em sua casa, mexeu em suas coisas, esteve na droga do seu
jardim,  só  Deus  sabe  o  que  mais  ela  pode  ter  feito!  Essa  mulher  é  perigosa.  E
não deve estar trabalhando sozinha, olha o quanto ela conseguiu sem mover sem
que déssemos conta!
— Você não pode ser o apaziguador agora, Héctor. Ela não é uma de nós.
Nunca será uma de nós, queira você ou não. Essa mulher não sairá desse lugar,
não com vida. Vou chamar os seguranças.
— Se a matarmos como vamos descobrir com quem ela trabalha?
— E se ela for uma espiã?


Fiquei zonza com tantas informações.
— Oi — quando Hillary apareceu, enfiei a mão na boca dela e a calei.
—  Ela  pode  ser  um  grande  risco  para  o  seu  filho,  Héctor.  Não  importa
que você jurou proteger a stripper. Ela deve morrer. O seu filho é um de nós, ela
não.
— Certo, certo... — a voz de Héctor ficou abafada por um instante. — Só
permitam que eu tente esclarecer as coisas com ela e...
—  Votação  —  alguém  puxou  e  fez-se  um  silêncio  solene.  —  Quem  é  a
favor de matar as duas stripper?
Hillary segurou forte em meu ombro, eu mal senti minhas pernas.
—  Héctor,  não  votar  significa  votar  a  favor.  Essas  duas  mulheres  são
problema  seu.  Todos  nós  concordamos  em  cortar  o  mal  pela  raiz  e  acabar  com
isso. Então vote.
— Tudo bem. Matem uma e deixem a outra viva para interrogarmos —
Héctor decidiu.
Eu não fiquei ali para ouvir o resto.
Não queria saber se era Hillary ou eu que ficaria viva.
Hillary segurou em minha mão e me puxou.
No começo corremos, mas quando percebemos que isso chamava muita
atenção começamos a andar apressadamente.
Um  carro  parou  diante  de  nós  e  uma  figura  muito  bem  conhecida  saiu
dele.
Um homem importante, muito bem vestido, terno e gravata. O criador e
CEO da maior Rede Social de todos os tempos.
— Hillary, esse é...?
—  Vamos!  Ele  deve  ser  um  deles!  —  ela  acenou  para  o  motorista  que
havia  nos  levado  até  ali,  deu  uma  desculpa  idiota  e  me  puxou  para  dentro  do
carro.
— Preciso passar na mansão para pegar algumas coisas — murmurei.
— Não inventa merda agora — Hillary bufou.
— Meu cartão, meus documentos, passaporte... tudo está lá.
Merda! — Hillary bateu com a mão no assento. — Moço, dá para ir
mais rápido?
— Sim, senhora.
Ao  pegar  a  estrada  o  carro  aumentou  a  velocidade.  A  mansão  dos


Mitchell  não  era  muito  longe  dali,  rapidamente  chegaríamos,  eu  pegaria  só  o
necessário e sumiria no mundo.
Eu  precisava  ir  para  um  lugar  onde  nem  Héctor  nem  seus  amigos
pudessem me encontrar.
Novamente éramos fugitivas.


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   83   84   85   86   87   88   89   90   ...   124


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal