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Beatriz Rodrigues

A porta do elevador se abriu.
Andei  pelo  longo  corredor  até  chegar  em  casa.  Vi  a  porta  aberta  e  por
reflexo olhei ao redor.
Alguém em casa? — perguntei.
Dando uma última olhada para trás no corredor silencioso, decidi entrar.
Olá? — perguntei.
Meu coração bateu mais forte. Senti meus pelos se eriçarem.
Era como uma sombra atrás de mim. Algo estava me perseguindo.
Hill? — chamei por minha colega de casa.
Assustei-me ao me deparar com tudo revirado: fogão e geladeira jogados
no chão, tudo quebrado, pratos, copos, alimentos...
Clair? — chamei pela minha outra colega.
Enfiei  a  mão  dentro  da  bolsa  e  só  me  senti  satisfeita  ao  retirar  dali  o
aparelho de dar choque. Respirei fundo, empunhei o objeto e segui pelo corredor
que dava para os quartos.
Ao ficar diante do primeiro quarto que estava com a porta entreaberta, vi
um corpo estendido no chão, ensanguentado.
Clair? — tentei identificá-la. — Hill? — estiquei a mão.
Quase cambaleei para trás, mas dessa vez fui mais forte.
Avancei ao corpo e segurei em seu ombro, virei-a para poder identificar
quem era.
Não era Clair.
Não era Hillary.
Socorro — ela murmurou.
Era Serena.


Bia? — senti uma mão pesada em mim.
Dei um pulo da cama, quase agarrei Hillary pelo pescoço e a derrubei no
chão.
Jesus! — ela me jogou contra a cama e se afastou. — Calma!
Tentei respirar, uma sensação ruim e um enjoo maldito tomaram conta de
mim. Ofegante e presa naquela cena com uma nova personagem, tentei colocar a
cabeça no lugar.
— Você me assustou — tapei o rosto.
Olhei para a janela e me assustei. Sequer havia amanhecido!
Peguei o celular em cima da escrivaninha e conferi que eram três horas
da manhã.
— Céus, o que foi? Por que você me acordou tão certo?
Bia — Hillary sussurrou. — Tem alguém lá fora. Tentou invadir meu
quarto pela janela. Acho que nos encontraram. Precisamos fugir.
Cocei  os  olhos  e  me  dei  um  beliscão  caprichado  só  para  conferir  se  eu
estava acordada mesmo.
Era só o que me faltava: um pesadelo dentro de outro pesadelo.
— Deve ter sido só o vento, Hill... volte a dormir...
— Não. Eu vi. Eu vi nitidamente o rosto de um homem. E se forem eles,
Bia? E se eles nos acharam? Pode ser o nosso fim! — ela esbugalhou os olhos e
começou a andar em círculos sem parar.
Respirei fundo.
Hillary  poderia  estar  falando  a  verdade,  tudo  bem.  Mas  eu  precisava
ficar.
Eu não podia mais fugir. Eu estava cansada de fugir.
Eu ia encarar tudo de frente. Assim como Serena encarou.
— Você pode ir se quiser — precisei dizer com candura e sinceridade.
Hillary  parou  e  fitou  o  vazio.  Lentamente  seus  olhos  me  encontraram,
incrédulos. Ela mal conseguiu formular uma frase após ouvir minha negação.
— Posso não estar segura aqui — foi a minha sentença e condenação. —
Mas aqui é o meu lugar. Eu não vou a canto algum — me deitei.
—  Você  enlouqueceu!  —  ela  avançou  e  me  puxou  pelo  braço.  —  Não
estamos mais seguras! Precisamos ir!
— Hillary, eu preciso dormir. Amanhã Héctor tem um evento importante
e ele quer que eu vá. Preciso dormir, o dia será cansativo.


—  Você  deve  ter  esquecido  o  que  eles  fizeram  com  a  Clair...  não
entendeu que estamos em perigo? Que nos encontraram? — ela insistiu.
Eu fingi que Hillary era apenas uma miragem diante de olhos cansados.
— A casa está cercada de seguranças. Nada lá fora pode nos atingir agora
— me cobri com a coberta, bocejei e tentei voltar a dormir.
Eu juro que antes de mergulhar no sono novamente escutei:
Os perigos não estão mais lá fora, Bia.




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