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O que aconteceu?!
Senhora Mitchell, eu...
— Meio milhão? Um milhão? — ela tirou um talão de cheques da bolsa.
Cinco? Cinco é o suficiente?
Era muito dinheiro. De verdade.
Com  cinco  milhões  de  dólares  eu  poderia  viver  uma  vida  toda  sem  me
preocupar com trabalho ou até mesmo ter medo da crise no Brasil.
Com cinco milhões eu poderia comprar uma fazenda luxuosa em Minas e
dar  aos  meus  pais  a  aposentadoria  que  eles  mereciam  após  tantos  anos  de


trabalho...
Dez?
— Senhora Mitchell, eu sinto muito, mas eu não posso aceitar.
Ela rasgou uma das folhas do talão, assinou e a estendeu para mim.
— Aceite.
— Eu não posso, eu...
— Você é descartável — ela cuspiu as palavras. — Não serve para nada,
não  tem  utilidade  nenhuma.  É  apenas  uma  sortuda  que  caiu  na  vida  fácil  e
chamou a atenção do meu filho. É a fraqueza de homens como ele — ela franziu
a testa, mostrando as marcas de expressão com nitidez. — Buscam a selvageria,
a decadência, a imundice e podridão em prostitutas como você.
Não peguei o papel. Então ela o jogou em cima da cama.
Assine um valor, qualquer valor, pegue o dinheiro e volte para o seu
terceiro  mundo  desgraçado.  Aquela  terra  de  gente  mestiça,  imunda  e  pobre  —
ela empinou o nariz e deu-me as costas.
— Eu não sou essa mulher — murmurei.
—  É  claro  que  não  —  ela  disse  antes  de  sair.  —  Você  é  pior  que  um
bicho. Ao menos os bichos aprendem a obedecer. Então evolua da fase em que
está e obedeça.
E assim ela saiu.
Quando a porta se fechou eu tentei digerir tudo o que tinha acontecido.
E quanto mais eu tentava me lembrar das palavras da mãe de Héctor mais
enjoada eu ficava.
Deitei  na  cama,  paralisada,  perdida  em  meus  pensamentos,  consternada
por ter sido tratada assim, e preocupada com o que eu havia feito para merecer
aquilo.
Cada  coisa  que  fiz  não  foi  por  mal,  apenas  a  tentativa  de  me  sentir  em
casa e fazer com que Anthony e Héctor também sentissem que aquele era o lar
deles, não apenas o teto em que dormiam.
Merda! — tapei o rosto e chorei amargamente.
Nenhuma palavra saiu além dessa.
Chorei  e  quanto  mais  eu  chorava  mais  eu  me  sentia  zonza,  perdida,
nauseada.
E no meio do desespero e da raiva, abrindo os olhos marejados e turvos
para  me  castigar  um  pouco  mais,  eu  vi  o  quadro  com  o  autorretrato  de  Serena


olhando para mim.
Era como se ela quisesse me dizer alguma coisa, sempre pareceu.
E agora eu podia decifrar seus segredos.




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