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Capítulo 27 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 27
Beatriz Rodrigues

No final do domingo tive uma visita inesperada.
Após  ter  passado  o  dia  com  Anthony  repassando  alguns  exercícios  que
eu  não  fazia  ideia  de  como  resolver  e  sondar  o  que  ele  achava  de  ir  para  uma
escola, ter colegas, conhecer pessoas, voltei para o quarto e tentei mais uma vez
desvendar todos aqueles símbolos nas pinturas de Serena.
Definitivamente não eram a assinatura dela, mas seguiam um padrão.
Os símbolos se repetiam e já estava bem claro que eram frases.
Talvez citações de grandes pensadores do mundo...
Mas por que escrevê-las em símbolos?
Tomei  um  susto  quando  a  porta  do  quarto  se  abriu  de  repente.  Não  era
Hillary  que  tinha  o  péssimo  hábito  de  fazer  isso...  muito  menos  Yone,  que
sempre batia antes de entrar.
Era a irmã mais nova de Héctor.
Hey! Espero não estar atrapalhando! — ela disse, com a cabeça para
dentro do quarto.
—  Não  está.  Ainda  bem  que  não  me  pegou  desprevenida...  —  ri  de
nervoso.
— Desculpa — ela entrou e fechou a porta. — Você vai perceber que não
é hábito da minha família bater na porta, eles simplesmente saem entrando...
Que estranho.
— Laurel, não é? Me desculpa, é que não nos vemos há...
— Relaxe — ela abriu um longo sorriso e olhou as pinturas em cima da
cama. — Ah, você pinta?! — ela se aproximou devagar, não tocou em nada. —
São tão lindas!
—  Não,  não.  São  as  pinturas  da  Serena  —  eu  disse,  perguntando-me  se
ela  tinha  conhecimento  das  obras.  —  Estavam  sumidas...  tive  a  sorte  de
encontra-las.
—  Ah!  —  Laurel  disse  excitada.  —  Ouvi  falar  nelas,  sim,  faz  muito
tempo! São relíquias da família!
— Sim... pretendo colocar todas em quadros e espalhar pela casa depois
de... — parei de falar subitamente.


Laurel balançou a cabeça, esperando que eu finalizasse a sentença.
Depois de...?
—  Bom...  eu  só  estou  tentando  entender  os  símbolos  que  ela  escreveu
atrás das pinturas.
— Não seria a assinatura? — Laurel tomou a liberdade de pegar uma das
obras e olhar sua parte traseira. — Hum... acho que não.
— Embora sigam um padrão, nunca são os mesmos símbolos — mostrei
o  fundo  de  outra.  —  Ai,  é  bom  falar  disso  com  outra  pessoa,  Hillary  não  se
interessa por nada que me interessa.
Laurel concordou e continuou olhando a parte traseira das pinturas.
—  Na  verdade,  eu  tenho  um  motivo  por  não  ter  batido...  —  seus  olhos
subiram dos símbolos para os meus olhos. — Minha mãe está a caminho — ela
comprimiu os lábios, como se me desejasse boa sorte.
— Curioso, eu nunca vi vocês por aqui... — falei alto.
—  Ela  não  gosta  daqui  —  Laurel  voltou  aos  símbolos.  —  Meu  pai  se
encontrava com as amantes nessa mansão. Daí ela mandou derrubar tudo. Héctor
decidiu comprar do nosso pai e dar para o Anthony — ela cruzou os braços.
Eita.
— Você olhou o fundo de todas elas? — Laurel perguntou.
— Olhei sim... — dessa vez fui eu que comprimi os lábios.
— Todas mesmo? — ela apontou para o quadro em frente à minha cama.
De repente me veio um estalo de “Eureka” que me deixou paralisada.
Como eu não havia percebido antes?
Jurava  que  tinha  visto  o  fundo  de  todas  as  pinturas,  mas  de  repente  me
toquei que não. Faltava uma.
A  que  estava  bem  debaixo  do  meu  nariz.  Ou  melhor,  bem  diante  dos
meus olhos, todos os dias.
— Você é um g...!
Mal terminei a frase, a porta se abriu.
— Eu te disse — Laurel murmurou ao me olhar e segurou minha mão. —
Boa sorte! — ela desejou e saiu do quarto quando a senhora Mitchell escancarou
a porta.
A mulher parecia feroz.
Não faço ideia do que fiz para ofendê-la, mas pelo visto eu tinha atingido
seu pior lado.


Ela bateu a porta atrás de si e me encarou como se eu fosse uma criança.
Andou pelo quarto e espiou através da janela, depois cada perímetro do cômodo,
então parou diante de mim.
Eu nem liguei.
Permaneci  encantada  olhando  o  quadro  diante  de  mim,  ansiosa  para
descobrir o que aquelas frases significavam.
Talvez  fosse  muita  animação  para  nada.  No  fim,  as  frases  poderiam  ser
“ser ou não ser, eis a questão” ou “vencedores: vence dores”.
—  Dormem  em  quartos  separados  —  ela  disse  em  voz  alta,  não  sei  se
estava falando comigo ou fazendo uma anotação mental.
Na dúvida balancei a cabeça.
— Que tipo de meretriz é você? — ela sibilou.
Como? — permaneci sentada.
— Que tipo de mulher é você?
Era para eu me definir? Nunca consegui nem no Orkut.
— Me desculpe, senhora Mitchell, eu não entendo...
O que é tudo isso? — ela apontou para as pinturas.
—  Obras  da  Serena.  Eu  as  encontrei  —  preferi  não  entrar  em  mais
detalhes.
A  senhora  Mitchell  se  aproximou  da  cama  como  se  tivesse  ojeriza  do
móvel, de mim, do ar que respirávamos juntas.
Pegou uma pintura e a examinou de cima a baixo, depois outra, não foi
para a terceira, apenas viu panoramicamente tudo o que havia por ali e fez uma
cara azeda.
—  Você  não  pode  simplesmente  entrar  aqui  e  colocar  a  casa  de  cabeça
para baixo — ela começou, pelo visto, era por isso que havia vindo. — Afastou a
babá do meu neto... não permite que ele veja o médico que o acompanha desde o
nascimento... coloca os criados para jantar na mesa principal...
Até então só ouvi elogios, por isso sorri.
Quem você pensa que é? — ela se aproximou de uma forma que me
amedrontou um pouco.
— Estou cuidando das coisas por aqui — foi a resposta mais simples que
encontrei. — Estou tentando construir um lar...
— Você não passa de uma meretriz barata que será enxotada quando meu
marido acordar — ela cuspiu as palavras. Foi aí que percebi que não era elogio


algum.  —  Você  não  é  nada,  nunca  foi  nada  e  nunca  será  nada  —  ela
praticamente recitou Tabacaria.
— Eu não entendo...
— Por isso vim aqui fazê-la entender — a senhora Mitchell mostrou-se
solicita.
Fiquei atenta.
— Você não passa de um objeto sexual que existe para ser usada e nada
mais.  Não  pode  agir  como  a  dona  da  casa,  você  não  é  a  dona  dessa  casa.  Os
criados devem ficar no seu devido lugar, você não deve interferir na vida do meu
pobre neto frágil, ele é instável, doente...
— Mas Anthony... — tentei explicar.
Ela riu.
—  O  que  uma  menina  como  você  pode  me  dizer  ou  ensinar?  —  ela
cruzou os braços. — Escute calada.
Comprimi os lábios.
—  O  meu  pobre  neto  já  tem  problemas  suficientes,  não  precisa  de  uma
prostitua  baixa  e  imoral  como  você  para  acabar  com  a  pouca  sanidade  que  lhe
resta.  Pessoas  como  você  só  trazem  a  ruína  e  a  desgraça,  nada  mais  que  a
podridão acompanha pessoas como você.
Abaixei o rosto. O que eu tinha feito de errado?
— Diga-me um valor.
Quê? — levantei o rosto para encará-la.
—  Qualquer  valor.  Um  que  seja  o  suficiente  para  que  você  faça  uma
longa viagem e só retorne para assinar o divórcio quando assim for solicitado.
Meu Deus, tudo estava indo tão bem...
E de repente...


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