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Héctor Mitchell
Ethan me entregou um HD externo com tantos áudios que fiquei zonzo.
Fiz uma careta e coloquei o objeto na mesa.
— Você jura que terei tempo para ouvir tudo isso?
— Foi o que me perguntei quando peguei todos os arquivos de áudio que
o  notebook  do  seu  filho  captou  —  Ethan  abriu  um  sorriso  de  escárnio.  —
Felizmente  Anthony  é  um  menino  quieto,  não  gosta  de  falar.  A  maioria  das
coisas que ouvi são dele em jogos online gritando ou lendo em voz alta.
—  Então  não  deve  ter  nada  de  importante  —  olhei  o  relógio  no  pulso,
depois a tela do celular. — Derick e Adrian estão atrasados.
— Você parece tenso — Ethan suspirou. — Quando eu olho para você,
seu semblante fica tenso.
Arqueei a sobrancelha e o encarei, assustado.


O sorriso de escárnio de Ethan foi crescendo. Acabamos rindo juntos.
— Às vezes você me assusta — cocei os olhos com os dedos indicadores.
—  Alguém  tem  que  trazer  o  bom  humor  —  Ethan  mexeu  nos  óculos
escuros e olhou para o vazio. — Você anda tenso ultimamente — ele retornou ao
assunto. — Tem a ver com o seu filho? A Beatriz? A Amanda?
— Nada disso, você sabe.
Ethan ficou sério repentinamente.
— Héctor, você não pode se culpar.
— É difícil dormir a noite — eu disse com simplicidade.
—  Sua  empresa  trabalha  com  energia  nuclear.  Sempre  foi  assim.  As
pesquisas feitas pelo Smith e depois pelo seu pai deram novos rumos às bombas
nucleares.  Vocês  fazem  isso  junto  com  o  governo.  Se  o  maluco  usa  isso  para
destruir países...
—  Eu  me  pergunto:  e  se  fosse  o  meu  filho?  Sabe,  e  se  bombas
explodissem  no  Hamptons  de  madrugada?  Eu  não  consigo  dormir,  Ethan  —
soprei todo o ar que pude.
—  Essa  foi  a  desculpa  que  o  Smith  te  deu,  não  foi?  “Continue  as
pesquisas,  use  a  ideia  de  energia  renovável  só  para  encobrir  o  que  estamos
fazendo  aqui,  vamos  revolucionar  tudo  pelo  bem  maior.  Pense  no  seu  filho.  É
para protege-lo”.
Conforme as palavras saíam da boca de Ethan eu arregalei meus olhos.
— Como você...?
—  Eu  conhecia  o  Smith  —  Ethan  cruzou  os  braços.  —  Ele  que  fez  a
minha  sindicância  para  entrar  na  Ordem.  Pergunte  ao  Ricardo  Leão  quando
encontrá-lo. Aquele cara era doente.
Concordei.
— Ricardo dizia que se você olhasse por muito tempo dentro das pupilas
do  Terence,  era  possível  ver  o  próprio  diabo  —  Ethan  coçou  a  testa.  —  Não
precisei ver para saber. A forma como ele usava as palavras, o mínimo pudor em
ser cruel... não me admira que o filho é problemático.
— Você diz como se meu pai fosse inocente. Ou como se eu não tivesse
nada  a  ver  com  isso  —  desviei  os  olhos  para  a  janela  que  dava  para  a  Wall
Street.
— Seu pai tem um bom coração, só se deslumbrou pelo poder — Ethan
tirou o celular do bolso e o passou lentamente em frente ao corpo.
Quando  uma  voz  suave  saiu  do  celular  ao  identificar  uma  garrafa


“Whisky” e depois “copo”, ele esticou o braço, pegou a garrafa como se pudesse
vê-la e colocou no copo sem precisar tocá-lo, ele tinha uma excelente noção de
espaço. E a sua tecnologia era uma mão na roda.
— E eu? — engoli em seco.
— O que dizer de Héctor Mitchell? — Ethan riu. — Você é exatamente
como  na  faculdade.  Quer  ser  o  pai  de  todo  mundo,  quer  proteger  cada  um,
inclusive o Geoffrey.
— Acha que...
— Não acho que espionar seu filho seja algo ruim. Ele é o seu filho, está
na  internet,  nunca  se  sabe  para  quem  ele  pode  entregar  informações,  ser
hackeado,  ser  vigiado  por  outras  pessoas...  É  unânime  que  você  deveria  ser  A
Mão Oculta da Ordem. Todos te respeitam — ele deu um gole no líquido. — E
tem medo de você, o que é bom.
Ethan mal terminou de falar, Derick e Adrian entraram na sala.
— Novidades? — perguntei para Derick.
— Esse clima de Guerra Fria é o protocolo, Héctor. Não há com o que
se preocupar — Derick garantiu e se sentou à mesa.
—  Estou  vigiando  o  Geoffrey  e  o  pessoal  que  trabalha  para  ele.  Um
movimento em falso e meus homens agirão — Adrian garantiu.
—  Vocês  considerariam  que  isso  pode  ser  ação  terrorista?  Espionagem
industrial?  Algumas  peças  não  se  encaixam  —  Derick  escorou  a  cabeça  nos
punhos cerrados.
— Nem sempre é culpa dos Russos, meu caro — Ethan falou.
— Às vezes o culpado pode ter olhos puxados — Adrian riu.
Voltamos todos a olhar para Derick, no caso de Ethan, ele virou o rosto
para o homem.
— Bom, depois que descobrimos que haviam indícios de que seu pai foi
envenenado,  realmente  ficamos  paranoicos.  E  essa  morte  suspeita  da  colega  de
casa da sua esposa não ajuda também...
— Não adiantou muito fazer uma lista de possíveis inimigos do Héctor,
assim como uma legião de nós o admira, isso deixa implícito que uma legião lá
do  outro  lado  não  deve  gostar  muito  dele.  E  depois  que  descobrimos  que  um
espião  chinês  vinha  no  grupo  de  pesquisadores  para  a  Mitchell  &  Smith...  
Ethan coçou o queixo.
— O que acham que eles estão tramando? — Adrian ficou tão impaciente
que se sentou.


— O ataque a Síria não vai ficar sem respostas — confabulei.
— Não foi você quem apertou o botão — Derick tentou ser otimista.
— Não, ele só é o CEO de uma empresa que finge trabalhar com energia
sustentável  e  tem  pesquisadores  em  todo  mundo,  que  na  verdade  são  espiões  e
roubam  propriedade  intelectual  relacionado  a  energia  nuclear.  Ele  é  só  o
engenheiro que pesquisou e ajudou a construir os novos modelos de bombas —
Ethan mostrou todo seu otimismo.
— Como Mão Oculta e chefe de todas as famílias é o meu dever manter
todas as famílias seguras, e isso inclui a sua — Derick me encarou.
— É — anuí sem expressar qualquer sentimento.
—  Você  contou  a  Beatriz  que  enviou  alguns  dos  nossos  melhores
atiradores  para  proteger  a  família  dela  no  Brasil?  —  Ethan  voltou  a  encher  o
copo com whisky.
— Claro que sim. Depois lhe contei com o que realmente trabalho. Nos
beijamos e tudo ficou bem — foi minha vez de abrir um sorriso de escárnio.
Esperava que pelo tom Ethan conseguisse perceber minha intenção.
Em resposta ele fez uma careta.
—  Vamos  deixar  a  paranoia  de  lado  e  voltar  à  estaca  zero  —  Ethan
rosnou.
—  Novamente?  —  Adrian  ficou  consternado.  —  Droga,  e  se  algo
acontecer nesse intervalo?
— Não vai. Quem quer que seja, sabe que estamos de olho. Não vai agir
—  Derick  se  levantou.  —  E  semana  que  vem  temos  golfe  —  ele  fez  um  sinal
com as mãos que nos fez entender o que aquilo significava.
Ethan pigarreou.
—  Vocês  sabiam  que  no  Brasil  eles  fazem  um  leilão  ao  invés  de  jogar
golfe? — ele perguntou.
— Parece sem graça — Adrian se levantou também. — Vou ficar de olho
no verme do Geoffrey — ele disse e saiu.
— Como está o seu pai? — Derick perguntou antes de sair.
—  Está  estável.  Desde  o  momento  em  que  descobrimos  indícios  de
envenenamento  colocamos  atiradores  de  elite  por  todo  o  hospital  e  alguns
agentes nossos na ala de enfermaria por lá. Só precisamos aguardar ele acordar e
descobrir o que realmente aconteceu. Talvez isso nos ilumine.
— A luz sempre vem — Derick se despediu.
— Héctor — Ethan me chamou a atenção.


— Sim?
—  Talvez  você  queira  ouvir  os  áudios  mais  recentes  que  coletei  —  ele
tamborilou os dedos na mesa e se levantou, colocou as mãos no bolso.
— O que eles têm de especial?
—  Seu  filho  conversando  com  a  nova  madrasta  —  Ethan  sorriu.  —
Parece que ele não apenas descobriu, mas encontrou o que precisava.
—  Não  sei  se  quero  invadir  a  privacidade  deles  assim  —  voltei  a  olhar
para o HD em cima da mesa, havia até esquecido que o objeto estava ali.
—  Para  pessoas  como  nós  a  privacidade  é  uma  ilusão.  Cada  cidadão
desse mundo é um livro aberto em nossas mãos — ele pegou a garrafa em cima
da mesa após passar a mão com cuidado de um lado para o outro. — Vou ficar
com isso. É do estoque particular do Smith, não é?
— É. É sim. Pode levar.
—  Ricardo  e  eu  roubamos  algumas  após  o  desgraçado  fazer  a  nossa
sindicância — Ethan abriu um sorriso de canto.
—  Ele  que  me  viciou  nessa  merda  —  falei,  pisquei  os  olhos  e  vi
nitidamente  a  cena,  muitos  anos  atrás,  quando  o  líquido  queimou  todo  o  meu
corpo e me anestesiou após ter visto uma das piores cenas da minha vida.
— Tomara que ele esteja queimando no inferno — Ethan saiu balançando
a garrafa.




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