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Héctor Mitchell
— Acho que não estou acreditando no que estou vendo.
O jardim parecia outro lugar.
Aprisionado  dentro  de  muros  tão  altos  e  abandonado  há  quase  uma
década o local era inabitável. Por vezes eu quis arrumar tudo, reconstruir o lugar,
torná-lo lindo de novo, mas eu não tinha tempo.
E  aquele  jardim  merecia  muito  mais  do  que  uma  dezena  de  operários
reconstruindo o lugar.
Aquele  amplo  espaço  fora  palco  de  reuniões  do  Grande  Templo  e  era  o
lugar favorito de Serena.
— Como você fez tudo isso? — Encarei Bia.
— Um pouquinho a cada dia... juntar o entulho... jogar fora... preparar a
terra...  plantar  as  sementes...  bom,  o  ócio  me  deprime,  então  tive  que  arranjar
algumas coisas para fazer.


— Mas não precisava.
—  Eu  queria.  Gosto  de  cuidar  da  natureza,  já  te  disse  que  nasci  no
interior. Espero que tenha gostado. Considere como um presente. Quando eu me
for, espero que esse lugar possa te fazer lembrar um pouco de mim.
Quando você for? — perguntei, interessado.
— Quando o contrato acabar — Bia cruzou os braços e olhou ao redor.
Aquela ideia me deu uma sensação terrível de incerteza.
De repente um ano ao lado dela pareceu como uma semana.
O tempo havia passado voando desde que nos casamos. E sua companhia
nunca fora pesada, desgastante ou pedante.
Bia, na verdade, era refrescante. Me surpreendia o tempo todo com lados
seus que eu sequer poderia ter imaginado.
E se eu pedir para você ficar?
Tive a sensação que Bia parou de respirar.
Ela  ficou  petrificada  olhando  para  frente,  o  barulho  da  estátua  jorrando
água começou a ficar alta devido ao nosso silêncio.
—  Mas  uma  hora  eu  vou  ter  que  ir  embora,  certo,  Héctor?  Não  posso
ficar aqui para sempre... — ela cruzou os braços.
— Por que não?
Bia  virou  o  rosto  suavemente,  estava  corada,  evitou  o  contato  visual
quando percebeu que eu a encarava apreensivo.
— Prefiro ir embora no ápice do que ver você se cansar de mim e ficar
aqui feito um quadro velho ocupando espaço na parede — ela voltou a olhar para
frente.
Segurei  em  seu  ombro  e  me  aproximei  com  lentidão  até  abraça-la  por
trás. Encostei o queixo em cima da cabeça de Bia, que riu com a situação.
— Todo dia contigo é o ápice, Bia.
Hum...
— Você me despertou outras fomes que vão além do sexo. A fome de me
sentir  vivo,  cuidado,  atendido,  a  fome  de  querer  cuidar,  proteger,  ajudar,  dar  o
meu melhor, redescobrir alguns talentos...
— Como dançar pelado em volta de velas... — ela riu.
— Ou só admirar o seu trabalho impecável no jardim... em Anthony... e
em mim...
— Quando você fala assim parece grande coisa...


—  Mas  foram  grandes  coisas.  Antes  de  você  esse  lugar...  era  só  uma
mansão onde vivíamos e dormíamos.
— E o que ela é agora? — ela provocou.
— Algo que lembra um lar.
Tateando seus ombros, trouxe-a para mim e a beijei.
Com todo o ardor e calor que eu guardava e não queria mais esconder.
Era  uma  sensação  estúpida,  adolescente,  floreada  pelos  hormônios,
medíocre para uma pessoa como eu.
A vontade de ser dela, de tê-la só para mim, de viver aquele sentimento
até  que  ele  me  deixasse  extasiado,  anestesiado,  dizimado  em  meus  próprios
pedaços.
O frio na barriga, o calor no peito, o suor nas mãos, a certeza de que eu
estava apaixonado.
— Bia — a chamei.
— Sim — ela continuou de olhos fechados, os lábios entreabertos, pronta
para um novo beijo.
— Me desculpe, acho que eu não serei capaz...
— Capaz de quê? — ela abriu os olhos.
— De deixá-la ir embora.




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