Protegida pelo Bilionário



Baixar 1.31 Mb.
Pdf preview
Página74/124
Encontro29.07.2021
Tamanho1.31 Mb.
1   ...   70   71   72   73   74   75   76   77   ...   124
constitucional  os  poderes  democráticos  para  ter  o  controle  político,
principalmente  da  América  Latina  e  enfraquecer  suas  alianças  com  os  antigos
países comunistas.
Aquilo foi comemorado por todos.
— E como todos sabem, já estava sendo negociado há um tempo que o
nosso exército no Iraque retornasse para casa e ele retornou em fevereiro — ele
pontuou  tudo  calmamente  para  que  todos  acompanhassem.  —  O  que  eu  digo
agora  é  de  extremo  sigilo  e  importância  inexorável,  um  segredo  de  estado.  O
nosso exército irá retornar para o oriente.
— Para o Iraque? — um dos irmãos perguntou.
— Precisa ser naquela região, próximo à fronteira Russa. Eles têm Cuba
aqui,  precisamos  de  uma  “Cuba”  lá.  Um  ponto  estratégico  de  guerra  que  possa
servir  de  canal  para  nossas  ações,  para  que  a  guerra  não  se  aproxime  de  nosso
território.
 E  como  conseguimos  essa  informação?  —  um  antigo  irmão  muito
conservador perguntou.
Derick  o  respondeu  com  um  olhar  retórico  que  dizia  tudo  e  mais  um
pouco.
— Estamos espionando o presidente? — o homem se levantou, insultado.
— Ele é um de nós, sabia o preço do poder — Adrian Cavalieri, o mestre
do templo, tomou a palavra.


Todos eles eram um de nós — Ethan Evans riu, só nesse instante que
percebi que ele estava ali, no canto. — Sabem como o jogo funciona.
—  Essa  espionagem  dos  Democratas...!  —  o  irmão  conservador  se
levantou e alterou a voz. — Perseguição política!
—  Metade  dos  irmãos  aqui  são  Republicanos  —  Ethan  retrucou,  com
todo  o  desdém  do  mundo.  —  A  parte  mais  insensata,  conservadora  e  atrasada,
obviamente, mas a democracia é isso aí.
Derick bateu com o martelo três vezes e todos se calaram.
—  No  Grande  Templo  estamos  acima  das  divisões  de  Republicano  e
Democrata. Aqui somos todos irmãos, descendentes dos Pais Fundadores dessa
nação. Respeitem o espaço sagrado construído pelos nossos ancestrais com luta,
glória, poder e honra!
Todos se calaram e Derick me encarou.
— Pode registrar a discussão, é sempre bom lembrar que os anos passam
e eles ainda brigam como universitários que acabaram de se politizar.
Concordei e voltei a anotar.
— O presidente vem buscando o melhor lugar para posicionar as tropas,
o  Iraque  é  a  possibilidade  mais  óbvia,  mas  acabamos  de  sair  de  lá.  O  intuito  é
criar o clima de Guerra Fria, impor respeito e mostrar que estamos prontos para
ir com tudo, é como um aviso para que saibam que não estamos de brincadeira.
A  inteligência  do  governo  estuda,  no  momento,  qual  justificativa  usar.  Precisa
ser algo mais sentimental e invasivo que apenas “os terroristas”. Precisa ser algo
que faça o mundo esquecer o nosso poder bélico e pense “eles mereceram”.
— Poderiam invadir a Turquia — um dos irmãos sugeriu.
— Já fizemos aquela interferência na Turquia — outro retrucou.
— Afeganistão — outro chutou.
— Já estamos em guerra no Afeganistão — eu revirei os olhos.
— Nepal.
— Colado na China? Não se lembra do Vietnã?
— Pelo amor dos Pais Fundadores, não vamos falar do Vietnã.
— Síria — uma voz chiou.
Todos se calaram e olharam para o meu pai.
— São todos terroristas por ali — ele concluiu.
— Contanto que não derrubem mais um prédio de Nova York que matem
todos os comunistas e terroristas — o velho conservador ralhou e se sentou.


— Não cabe a nós decidir onde será o próximo canal de ataque. Isso já
está sendo decidido. O meu papel é vir aqui e tornar claro e transparente todo o
processo e assegurá-los de que a guerra não se aproximará de nosso território.
—  A  Rússia  vai  revidar  se  chegarmos  tão  perto  —  meu  pai  comentou
alto.  —  Sem  falar  da  Coréia  do  Norte.  Alguém  precisa  parar  aquele  homem  e
mostrar que não estamos no colegial, a conversa é séria aqui.
—  É  a  oportunidade  do  nosso  presidente  mostrar  a  quem  ele  é  leal  —
Derick  fez  um  aceno  com  a  cabeça.  —  E  é  a  nossa  contribuição  para  a  nossa
valiosa indústria da guerra onde todos nós e nossas famílias saem ganhando. Foi
assim  na  Primeira,  Segunda  Grande  Guerra  e  nas  atuais  intervenções  como  no
Iraque e Afeganistão.
—  Por  que  sempre  é  preciso  um  Republicano  para  colocar  ordem  na
casa? — um dos antigos irmãos chiou. — Reagan, Bush, agora o Trump... Vocês
democratas ficam tão preocupados com a imagem que tem que sempre fazem o
país decair na economia e perder sua credibilidade e soberania internacional.
— Claro, porque o cara de doritos era a melhor opção — outro revirou os
olhos.
— O muro! Queremos saber do muro! — outra voz surgiu no escuro.
—  Às  vezes  eu  me  pergunto  se  estou  no  sanatório  —  Derick  respirou
fundo e murmurou.
—  Então  permita-me  te  responder  —  limpei  os  lábios  e  encarei  os
homens poderosos que nos rodeavam: — Estamos.
Eu  nunca  entendi  a  tranquilidade  do  senhor  Smith  ao  ver  as  torres
gêmeas caírem.
Até  estar  no  seio  do  poder  e  ver  a  cara  de  todos  aqueles  homens,  tão
calmos quanto o senhor Smith, já visualizando os bilhões em suas contas devido
a guerra e os problemas que surgiriam com ela.
Esse era o preço da guerra.
—... Menos a do Vietnã, que não foi tão lucrativa — um deles lembrou.
—  O  próximo  que  falar  “Vietnã”  dentro  do  Templo  será  expulso!  —
Derick rugiu.




Compartilhe com seus amigos:
1   ...   70   71   72   73   74   75   76   77   ...   124


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal