Protegida pelo Bilionário


Capítulo 2 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 2
Beatriz Rodrigues
Mais uma noite: mais quinhentos dólares.
Às vezes eu tiro mais, às vezes muito menos.
Em  todos  os  casos  a  primeira  coisa  que  eu  sempre  faço  pela  manhã  é
depositar metade do valor na conta bancária da minha mãe.
A Beatriz Rodrigues é bem diferente da Sabrina.
A começar pelas roupas: gosto de sair com blusa de frio e jaqueta, calça
jeans e em alguns raros casos moletom ou até pijamas, afinal de contas, estamos
em NY e aqui é você quem constrói seu estilo!
Meu  estilo  varia  entre:  “sou  uma  jovem  estagiária  de  uma  revista  de
moda” e “é o que tem para hoje”.
Também sou tímida.
É, eu sei, surreal pensar que uma stripper é tímida, mas eu sou. Na arte
de  flertar  eu  sou  uma  porta  sem  fechadura.  E  quando  homens  –  ou  mulheres  –
ficam me olhando demais, eu apresso o passo e saio correndo quando posso, vai
que é a polícia e eu vou ser deportada?
Também sou virgem.
Ok, ok, é essa a hora em que você desacredita completamente em mim e
desiste  do  que  eu  tenho  a  dizer.  Mas  se  alguma  coisa  pode  ser  levada  em
consideração,  digamos  que  eu  não  sou  virgem,  por  que  o  Bob,  meu  fiel
companheiro  de  luta,  um  vibrador  de  tamanho  modesto  e  velocidade  e
intensidade fora do comum, já me ajudou com isso.
Sério, eu enquanto Beatriz nem sei o que fazer.
A  Sabrina  não.  Ela  é  ousada,  sabe  fazer  poses,  mexer  a  bunda,  andar
sensualmente,  seduzir  os  homens  com  apenas  um  olhar  que  mescla  o  “sou
inocente” com “me deixe satisfazer seus desejos”.
O  que  separa  a  Sabrina  da  Beatriz  é  uma  máscara.  Ela  é  a  personagem
perfeita.
E, é claro, contas a pagar, boletos próximos de vencer e aluguel.
Enquanto  as  outras  garotas  saem  com  clientes,  transam  com  eles  e
repetem a dose, eu sou “intocável” – e talvez por isso eu seja tão valiosa.
Todos  desejam  a  Sabrina,  todos  sonham  em  tê-la,  justamente  porque
ninguém pode passar dos limites com ela.


Bom dia! — cumprimento um dos homens que frequenta o La Chica e
saio rindo ao notar que ele sequer sabe quem eu sou sem toda aquela fantasia.
Por  que  é  isso  o  que  eu  sou:  uma  fantasia.  Sem  rosto,  o  corpo  sempre
bem  delineado,  um  objeto,  um  sussurro  perverso,  um  desejo  que  jamais  será
saciado e por isso volta, volta e volta...
Nenhum  homem  ali  dentro,  exceto  Brown,  viu  meu  rosto.  E  eles  nunca
diriam  que  uma  garota  vestida  com  calça  jeans,  jaqueta  preta  e  cabelo  rabo  de
cavalo poderia ser a maior fantasia noturna deles.
Empurro  o  carrinho  de  compras  e  continuo  a  namorar  os  produtos  das
prateleiras, nossa, como eu gostaria de comer algumas coisas... mas para manter
esse corpinho eu preciso abrir mão dos meus desejos. Então ao invés de pote de
sorvetes,  biscoitos  e  massas,  o  que  ocupa  espaço  em  todo  o  meu  carrinho  de
compras são frutas, carnes e alguns iogurtes lights.
—  Eu  já  estou  a  caminho  —  uma  voz  grossa,  firme,  que  abençoa  meus
ouvidos me chama atenção.
Sigo o som pelo corredor e paro alguns passos antes da grande prateleira
de cereais acabar. Eu o vejo.
Um homem alto, ombros largos, vestido formalmente e com o celular do
ano colado no rosto em uma ligação. Seu punho tatuado com uma caveira me faz
suspirar, sua barba bem desenhada e que deixa seu rosto ainda mais sério do que
aparenta me faz esquecer onde estou e o que é que estou fazendo.
Os  olhos  azuis  acinzentados  olham  firmemente  para  frente,  o  maxilar
está rígido, ele parece irritado.
— Não, o Anthony não vai vir — ele diz com firmeza. — Mas podemos
ir visitá-lo se a senhora quiser.
Debruço-me no carrinho e o assisto.
O senhor Héctor Mitchell me faz suspirar.
E é ele que sempre me dá as melhores gorjetas.
E deveria ser eu a pagar para ter aquele homem se insinuando para mim.
A  Sabrina  é  atrevida,  ela  vai  até  ele,  pega  uma  nota  alta  e  sai  o  mais
rápido  possível,  por  que  até  a  coragem  tem  limites...  ele  tem  cara  de  poucos
amigos, e aquele terno tão justo ao corpo mostra que ele é mais forte do que eu
imaginei. Como eu podia encarar um  homem  daquele?  Ele  me  deixava  sem  ar
só de encará-lo.
É  exatamente  quando  imagino  o  senhor  Mitchell  me  tocando  e  se
aproximando que crio juízo e a Sabrina sai de perto o mais rápido possível.


Mas o que eu, uma garota comum posso fazer? Apenas ficar aqui, presa
no  encanto  do  corpo,  da  postura,  da  voz...  resta-me  assisti-lo,  debruçada  no
carrinho,  vendo-o  ser  minha  fantasia  da  manhã...  enquanto  talvez,  numa
possibilidade improvável, eu seja a dele à noite.
Quero dizer, eu não, a Sabrina.
Esse  é  o  mal  de  vestir  uma  personagem.  Você  nunca  vai  descobrir  se  o
homem dos seus sonhos está interessado em você mesma ou na fantasia.
Olha só o tamanho daquela mão. Olha o tamanho daquele sapato. Olha o
volume dentro da calça azul marinho. Olha como ele... olha como ele olha pra
mim.
Nossos  olhares  se  cruzam  e  eu  fico  íntegra,  por  que  sou  apenas  uma
pateta  que  parou  para  assistir  o  homem  dos  sonhos  conversar  no  celular.  Sei
quem ele é, e ele não faz ideia de quem eu sou, e isso é até divertido!
— Devo chegar em meia hora, quarenta e cinco minutos no máximo —
ele vigia as horas no relógio de pulso e continua a me encarar.
E essa é a minha vida. Ser uma mulher sem visto nos EUA pela manhã e
um brinquedo sexual intocável pela noite.
Pego meu celular que vibra no bolso.
— Onde você está? — a voz de Clair indica que ela está em apuros.
— Estou no Walmart, por quê?
— Preciso de dinheiro.
— Você recebeu ontem à noite e é apenas manhã! O que você fez com o
dinheiro?  —  odeio  usar  essa  voz  de  mulher  responsável,  mas  o  que  mais  eu
poderia fazer? Dar dinheiro que não.
— É urgente. Caso de vida ou morte — ela diz desesperada.
— Em casa conversamos — desligo o celular.
O  senhor  Mitchell  vem  até  mim,  com  passos  lentos,  olhos  fixos  nos
meus,  um  jeito  sério  e  compenetrado,  da  mesma  forma  como  fica  em  sua
poltrona lá no clube. E eu sorrio, por dentro gargalho, é bem divertido esbarrar
com esses caras no mundo real e poder olhar para eles sabendo que sou sua doce
perdição.
E o senhor Mitchell é uma perdição também.
—  Bom  dia  —  ele  diz  como  quem  introduz  uma  conversa  com  um
desconhecido para perguntar onde é a seção de bebidas.
O maxilar masculino fica rígido, o olhar sempre beira entre a indiferença
e o modo análise, o simples fato desse homem respirar em cima de mim, traz a


sensação  de  que  o  ar  ficou  um  pouco  mais  caro  e  valorizado.  Ele  exala  um
cheiro, uma presença, e tem um olhar que me diz que eu não sou nada.
E ainda assim ele me deu bom dia.
Bom dia — respondo, a língua implorando para lamber os beiços.
— O seu rosto é lindo, Sabrina — ele aperta o meu queixo com o polegar
e dedo indicador. — Não devia escondê-lo.
E  ao  dizer  isso,  ele  segue  até  o  fim  do  corredor,  onde  encontra  seu  fiel
escudeiro que vi no clube na noite anterior.
Sei disso porque acabei de dar uma virada de pescoço sem mexer o corpo
tipo a Samara do Chamado.
O cara acabou de descobrir a identidade secreta do Batman.
E tudo o que consigo fazer é assistir enquanto ele se vai e nem olha para
trás.
Mas  eu  me  lembro  bem  o  quanto  ele  me  encarou  no  fundo  dos  olhos  e
pareceu enxergar através de mim.
Agora  estou  chateada  comigo  mesma  por  ter  sido  descoberta  –  e  com
medo, é lógico – e também excitada por sentir seu toque.
Droga!



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