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Capítulo 22 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 22
Beatriz Rodrigues

Yone  me  acordou  com  uma  notícia  maravilhosa:  a  mala  havia  voltado
aberta e sim, haviam pinturas de Serena dentro. Me senti enfim vingada naquela
caça ao tesouro que desde a infância nunca dei sorte.
—  São  tão  bonitas  —  Yone  comentou,  tirando  as  pinturas  dobradas  de
dentro da mala e as abrindo com todo o cuidado.
As  pinturas  foram  dobradas  dentro  de  plásticos,  parecia  realmente  que
alguém ou até mesmo a própria Serena as havia lacrado e escondido na mala.
— Como isso foi parar naquele jardim?
—  Ela  pintava  no  jardim  —  Yone  apertou  os  olhos.  —  Agora  parece
bastante óbvio que lá era o lugar certo para encontrar essas pinturas!
—  Bom,  não  naquela  zona  que  estava...  —  ajudei-a  a  abrir  os  plásticos
com todo o cuidado. — Ela não assinava as pinturas?
Yone  olhou  por  toda  a  extensão  dos  desenhos  que  iam  desde  uma
reprodução do jardim e propriedade até torres caindo, havia uma onde havia um
piso xadrez atrás de duas colunas de cores opostas, e até mesmo uma que ou era
o  próprio  Anthony  –  como  a  mãe  devia  tê-lo  imaginado  –  ou  o  Héctor  mais
jovem.
— Tem números — Yone apontou.
Sim, haviam números.
Na pintura da  parede havia o  número 0. Depois  seguiam-se os números
nas demais pinturas.
— Será que ela numerou por ordem cronológica?
—  Não,  algumas  das  primeiras  parecem  ter  traços  mais  trabalhados  —
Yone  vigiou  por  cima  dos  meus  ombros.  —  Agora  preciso  voltar  aos  meus
afazeres, senhora Mitchell.
—  Bia  —  a  corrigi,  mas  mantive  minha  atenção  nas  pinturas.  —
Providencie alguns quadros para colocarmos elas, sim, Yone?
—  Sim,  senhora  —  ela  saiu  com  um  sorriso  gigante  e  eu  continuei
olhando as pinturas.
Levantei-as  com  as  mãos  para  enxerga-las  melhor,  e  através  da
luminosidade advinda da janela, pude ver algo escrito. Não era inglês, tampouco
qualquer outra que usasse o alfabeto. Também não parecia uma língua oriental.


Era peculiar.
— O que é isso? — perguntei para mim mesma.
—  Você  não  sabe...  —  Hillary  entrou  no  quarto  e  eu  quase  morri  do
coração.  —  O  que  é  isso?  —  ela  olhou  todas  as  pinturas  espalhadas  na  cama,
escrivaninha, cômoda...
—  Sua  mãe  não  te  ensinou  a  bater?  —  reclamei,  a  mão  no  peito,  o
coração disparado.
—  Ai,  Bia,  eu  não  acredito  que  você  continua  tentando  reviver  essa
múmia — Hillary cruzou os braços.
Naquele  momento  eu  não  quis  dividir  com  Hillary  o  que  eu  havia
percebido nas pinturas.
Só as dobrei, guardei nos plásticos e enfiei na mala novamente, tranquei-
a e joguei debaixo da cama.
— Isso, essa é a minha amiga! Deixa essa mulher ser esquecida, amiga!
— Já tomou café, Hillary?
—  Não.  Vamos  logo!  A  gente  até  pode  assistir  o  pirralho  fazendo  a
própria comida. Você acredita que ele está cozinhando? — ela riu. — Parece que
pegou a mesma doença que você, quer fazer as coisas... o que há de errado com
vocês?!
Meus olhos desceram dos seus pés e subiram para sua cabeça, julgando-a
severamente.
— Pode descer que eu já vou.
Dei-lhe as costas e aguardei que ela saísse do quarto.
Após  me  vestir  adequadamente  e  conversar  com  Héctor  pelo  celular  e
ouvir que ele sentia minha falta, eu desci para tomar o meu café.
Passei  o  restante  da  manhã  na  biblioteca  procurando  livros  de  símbolos
para encontrar algo parecido com o que vi nas pinturas e decifrar.
Poderia ser a assinatura dela, é claro. Mas era diferente em cada pintura.
Infelizmente  não  achei  nada,  mas  pude  acompanhar  Anthony  em  suas
aulas de história e literatura, ele era realmente um garoto muito inteligente.
Quando  o  professor  foi  embora,  Anthony  ficou  ao  pé  da  escada  me
olhando deslizar os dedos pelos livros nas estantes superiores.
—  Você  pode  cair  —  ele  disse  naquele  tom  monótono  que  eu  havia
aprendido a gostar.
— Estou há horas procurando um livro e não encontro — expliquei.


— Se for Eu, Robô está no meu quarto — ele tentou ajudar.
— Não, esse não — tive de descer e não escondi a frustração.
— Você parece chateada.
—  Estou  um  pouco,  sim.  Acho  que  vou  tirar  o  restante  do  dia  fazendo
algo produtivo, porque o ócio me perturba.
Eu  também  não  podia  ficar  em  casa,  porque  ficar  olhando  aquelas
pinturas sabendo que tinha algo a ser desvendado e não ter capacidade para fazê-
lo ia me deixar aflita.
— Acho que vou ver o seu pai agora à tarde. Você quer vir?
Anthony deu um passo para trás.
— Não.
Aquele  não  seco  e  monossilábico  foi  carregado  de  um  temor  que  eu
sequer entendi.
— Não está com saudades dele?
Anthony desviou o olhar e começou a olhar os livros.
—  Tudo  bem,  eu  digo  a  ele  que  você  mandou  um  oi  —  afaguei  seus
cabelos. — Se comporte e se cuide, ok?
—  Eu  nunca  saí  daqui  —  Anthony  me  encarou  com  aqueles  olhos
grandes e curiosos. — Não que eu me lembre, ao menos.
— Sério? Nem para ir ao médico?
— Ele vem aqui. O médico, o alfaiate, os professores, os donos de loja de
computadores... — ele recitou um a um, me cansei só de acompanhar a lista.
— Por quê? O seu pai não deixa?
— O mundo lá fora tem muitos germes — ele explicou. — E eu sou um
menino  muito  frágil  —  Anthony  inclinou  o  rosto  para  o  lado  esquerdo  e
começou a ler os títulos dos livros que estavam atrás de mim.
— Você adoeceu depois que me ajudou a plantar as flores?
— Não.
— E quando jogou beisebol lá fora, adoeceu?
— Não — ele voltou a me encarar.
— Será que você ainda é um menino muito frágil? Será que já não está
na hora de ir lá fora? — perguntei animada.
— O mundo lá fora ainda parece ter muitos germes — ele pensou alto e
depois  me  chamou  com  a  mão  para  que  eu  me  abaixasse.  —  E  dizem  que  as
pessoas  que  andam  pela  Wall  Street  não  têm  nenhum  senso  de  moda  —  ele


arregalou os olhos.
Aquele menino era uma figurinha rara de álbum.
— E, Amanda não me deixa sair.
— Mas se você quiser ir, eu deixo — falei com segurança. — Afinal de
contas você irá comigo, eu cuido de você.
— Não sei se eu estou pronto — Anthony me deu as costas e foi saindo.
— Diz pro meu pai que eu mandei um oi.
— Tudo bem. Se cuida! — me despedi.
Tudo o que fiz foi tomar um bom banho e me vestir adequadamente para
ir  ver  Héctor  na  Mitchell  &  Smith.  Joguei  um  sobretudo  por  cima  da  camisa
branca  e  calça  jeans  e  entrei  no  carro,  disse  o  destino  e  desbloqueei  a  tela  do
celular para avisar Héctor que eu estava indo.
Não  disse  a  Hillary  que  eu  ia  sair,  então  tomei  um  susto  quando
subitamente a porta do carro se abriu. Mas não era ela.
— Eu vou dizer oi pessoalmente — Anthony disse quase sem ar.


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