Protegida pelo Bilionário


Capítulo 21 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 21
Beatriz Rodrigues
Algumas semanas atrás.

O menor sinal de ócio me incomodava.
Eu  admirava  Hillary  por  conseguir  ficar  em  paz  sem  fazer  nada.  O
simples  fato  de  ficar  no  silêncio  da  biblioteca,  sala  de  jantar  ou  sala  de  tv  eu
ficava louca e já queria encontrar algo para fazer.
—  Eu  já  disse  que  você  mais  parece  uma  empregada  do  que  a  dona  da
casa?
— É, já deve ter dito umas dez vezes, Hill — tive de rir.
—  Você  não  pode  só  deitar,  descansar,  abrir  uma  champanhe  ou  até
mesmo comprar uma passagem para Paris e ir aproveitar? Por que fica caçando
coisas para fazer? Eu não entendo! — ela me acompanhava feito minha sombra
e só reclamava.
— É só uma forma de retribuir o que Héctor está fazendo por mim.
— E o que ele está fazendo por você? — ela riu.
—  Me  mantendo  longe  da  loucura  que  a  imprensa  quer  fazer,  me
protegendo  daqueles  criminosos  que  estão  atrás  de  nós  e  sendo  um  cara  legal
comigo. Aliás, você não acha que deve algo a ele?
—  Amiga,  você  é  bilionária  agora.  Cartão  sem  limites,  dezenas  de
empregados,  uma  mansão  que  é  tipo  um  hotel  5  estrelas.  Por  que  diabos  você
está com luvas e está mexendo na droga desses escombros?
Olhei ao redor e me senti um pouco sem esperança.
Após um mês enchendo o saco de Yone e procurando em todos os cantos
da mansão, não encontramos a chave do antigo jardim que ficava bem guardado
atrás de grandes muros de pedra e cobertos por galhos secos.
No  fim  Yone  e  eu  concordamos  que  ao  invés  de  perdermos  tempo  em
busca  dessa  chave,  era  melhor  chamar  um  profissional  que  fizesse  uma  nova
chave.  Foi  isso  o  que  fizemos.  E  cá  estava  eu,  no  meio  dos  escombros  do  que
devia ter sido um jardim.
Peças  de  gesso  quebradas  em  cima  de  pedras,  nenhum  sinal  de  verde,
árvores secas quase caindo aos pedaços e antigos móveis que deviam ter valido
milhares  um  dia  que  não  pareciam  servir  nem  mesmo  para  alimentar  uma
fogueira.


— Eu não entendo você — Hillary bufou. — O cara te deu casa, comida,
roupa  lavada,  dinheiro  e  liberdade.  E  tudo  o  que  você  faz  é  tentar  cuidar  do
molequinho  depressivo  e  agora  quer  cuidar  da  droga  do  jardim  que  eu  ouvi
dizerem que a esposa dele cuidava.
— O que tem?
— Amiga, você é a garota de programa dele.
— E daí? — arqueei a sobrancelha e voltei a tirar todos aqueles destroços
da frente para ver se conseguia pelo menos chegar no centro daquele lugar.
—  Para  de  tentar  ser  da  família  dele.  Não  vai  rolar.  Quando  o  contrato
acabar ele vai te chutar. Ele só precisa de você para garantir que a herança não vá
para o psicopata. E agora que o contrato está valendo e devidamente registrado,
por  que  você  está  se  incomodando  em  tentar  agradá-lo?  No  fim  ele  só  vai  te
descartar, então aproveita.
Hillary estava equivocada.
Em nenhum momento eu pensei “vou me aproximar de Anthony, cuidar
de  algumas  coisas  da  casa  e  tentar  reformar  o  jardim  porque  quero  que  Héctor
veja  valor  em  mim”.  Ele  quem  pediu  para  que  o  contrato  fosse  feito,  ele  me
escolheu, ele que foi até o fim nisso.
Eu  não  precisava  provar  nada,  tampouco  que  ele  visse  qualquer  tipo  de
valor em mim, porque pelo visto ele já havia visto.
Essa era eu e era apenas isso. Eu nasci na roça, sempre tive de ajudar os
meus  pais  e  embora  eu  tivesse  um  deslumbre  pela  cidade  grande  e  tecnologia,
viver em Nova York me deixou saturada. O mínimo vestígio de natureza, tarefas
e um pouco de sentimento familiar aqueciam meu coração.
Eu podia estar em Paris? Até no Japão, se eu quisesse.
Mas eu estava ali, no antigo jardim da mansão.
Que  na  verdade  Yone  havia  me  dito  que  servia  como  campo  de  golpe
também, pude perceber isso vendo umas hastes com bandeirolas puídas no chão
e buracos próximo delas.
—  O  tempo  está  passando  e  você  tem  aproveitado  pouco  —  ela
reclamou.
Acredite se quiser, eu estou aproveitando agora — quase dei pulinhos
de alegria quando cheguei no meio do lugar. Era praticamente do tamanho de um
campo de futebol.
— Olha, eu não vou te ajudar não. Se você quer perder seu tempo com
isso... perca. Eu vou assistir tv.


— Ok, Hillary, a gente se vê mais tarde.
Hillary nunca mais retornou ao jardim desde aquele dia.
Eu, entretanto, tirei duas horas por dia, todos os dias, para visitar o lugar.
Yone  pediu  para  que  dois  funcionários  me  ajudassem,  por  que  haviam
coisas  realmente  pesadas  por  ali.  Gastamos  praticamente  uma  semana  inteira
amontoando os lixos em cantos e no fim, quando já havíamos dado um sinal de
esperança  ao  local,  chamei  um  caminhão  para  que  tirasse  dali  todo  aquele
entulho.
—  Tem  certeza  de  que  quer  que  tudo  isso  vá  para  o  lixo,  moça?  —  o
dono do caminhão perguntou.
—  Você  acha  que  tem  como  reformar  algo?  Algum  banco?  Alguma
estátua?
— Não, infelizmente não — ele disse com pesar. — Mas achamos uma
maleta de couro que talvez seja do seu interesse.
— Uma maleta? — perguntei curiosa, não tinha visto nada do tipo.
—  Tivemos  que  cavar  ao  redor  de  um  tronco  de  árvore  e  suas  velhas
raízes, encontramos uma maleta enterrada.
— Certo, pode levar tudo e deixe a maleta.
Naquela noite antes do jantar Yone e eu nos encontramos. Eu lhe mostrei
tudo o que havíamos feito no local e ela ficou bastante emocionada em ver que
havia um sinal de esperança para o jardim.
— Agora só falta reavivar o lugar... plantar algumas coisas... colocar um
gramado — seus olhos brilhavam.
— Estou ansiosa para isso, Yone, mas lhe chamei aqui por outro motivo.
— Qual, Bia?
—  Eles  encontraram  essa  maleta.  Está  bem  desgastada,  vê?  Mas  está
lacrada  e  parece  que  tem  algo  dentro.  É  leve  —  balancei  a  maleta.  —  Parece
papel.
— Será que a senhora encontrou os desenhos da senhora Mitchell? — ela
perguntou,  muito  feliz,  depois  arregalou  os  olhos.  —  da  Serena.  Perdoe-me,
senhora Mitchell.
— Tudo bem, eu não me importo com essas nomenclaturas — sorri com
gentileza e isso pareceu tirar um fardo de suas costas. — Há possibilidade. Então
precisamos abrir com cuidado para não destruir nada. Será que a chuva, o sol e o
tempo no geral não destruíram as obras?


— Só saberemos após abrir a maleta — ela disse com esperança.
— Envie a maleta para o chaveiro que abriu a porta do jardim e veja se
ele  consegue  abrir  sem  causar  danos,  ok?  Peça  para  que  tenha  o  máximo  de
cuidado e demore o quanto precisar, eu só não quero que estraguem o que tem
aqui dentro.
— Certo, senhora Mitchell.
—  Obrigada,  Yone.  Daqui  umas  semanas  espero  te  mostrar  um  lindo
jardim.


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