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Héctor Mitchell
17 anos atrás.

O senhor Terence Smith era um homem muito ocupado.
Por isso eu queria ser rápido para não tomar seu tempo.
A  Mitchell  &  Smith  possuía  na  época  todo  um  andar  em  um  prédio  no
centro  financeiro  de  Nova  York  em  Lower  Manhattan.  Era  de  lá  que  o  senhor
Smith coordenava as coisas com os grandes empresários e homens de poder da
cidade e do país.
Quando a secretária do sócio do meu pai abriu a porta de madeira, o vi de
costas  para  mim,  encarando  a  grande  janela  de  vidro  que  dava  visão  para  os
maiores prédios da cidade.
Assim  que  coloquei  o  primeiro  pé  na  sala,  Terence  virou-se  para  mim
com um grande sorriso.
Era um homem alto e andava curvado, apoiando-se em uma bengala. Os
cabelos  já  eram  ralos,  tinha  a  testa  grande  e  um  olhar  que  passava  confiança  e
inspiração.
—  Veja  só  se  não  é  o  jovem  herdeiro  dos  Mitchell  —  ele  me
cumprimentou e indicou com a mão a cadeira onde eu deveria me sentar.
— Obrigado, senhor Smith. Mas não irei me demorar, preciso ser breve.
Com  um  aceno  de  cabeça  e  um  sorriso  paternal  ele  permitiu  que  eu
continuasse.
— Perdoe os meus modos. Com o senhor está?
—  Bem,  meu  rapaz.  Não  se  preocupe  com  os  gracejos  —  ele  sorriu  e
repentinamente colocou o lenço branco em frente aos lábios e tossiu. — Quando
chegar  à  minha  idade  perceberá  que  homens  como  nós  se  importam  cada  vez
menos com as introduções, eles querem logo ir ao ponto crítico.
Concordei mesmo me sentindo desconfortável de estar diante do homem.
Eu  havia  ensaiado  cada  palavra.  Sabia  tudo  o  que  era  necessário  dizer.
Mas  era  uma  tarefa  árdua  enfrentar  o  senhor  Smith,  ainda  mais  porque  ele  era
um bom homem, quase um segundo pai.
— Meu pai foi o seu braço direito por muitos anos — comecei.


—  Desde  a  faculdade  —  Smith  apoiou-se  na  bengala  como  se  aquela
fosse uma lembrança muito boa.
— E agora tem sido o CEO da Mitchell & Smith...
O homem concordou e ergueu a sobrancelha, atento às minhas palavras.
—  Gostaria  que  repensasse  e  exonerasse  o  meu  pai  —  eu  disse,  meio
trêmulo,  meio  desconfortável.  Devia  ter  ensaiado  mais  vezes  aquelas  palavras
em voz alta.
Meu rapaz? —  Smith  não  escondeu  a  completa  surpresa.  Andou  em
minha direção e fitou-me bem de perto. — O que houve?
—  Sei  que  são  amigos,  mas  não  sei  se  meu  pai  tem  lhe  confessado
algumas coisas...
— Quais coisas?
— Eu amo a minha família e espero que entenda que é por essa razão que
venho até o senhor pedir-lhe isso — expliquei. — O meu pai sempre foi ausente,
mas nos últimos tempos ele praticamente não aparece mais em casa.
O senhor Smith me encarou como se eu lhe narrasse uma história que ele
conhecia de cabo a rabo.
— Eu o segui. Sei que ele sai com strippers, dorme com acompanhantes
de luxo, se droga — aquelas últimas palavras foram bem pesadas para mim.
O meu pai era o meu herói, o meu ícone máximo de poder e exemplo.
Vê-lo  ceder  a  todas  as  fraquezas  da  carne  massacravam  o  herói  que  eu
enxergava nele.
— Creio que tantas responsabilidades tem sido demais... A empresa vai
bem, o problema não é a atuação profissional dele, por que ambos sabemos que
o meu pai é bom no que faz.
— Concordo — Smith foi econômico e continuou apoiado na bengala.
—  Mas  a  família  está  caindo  aos  pedaços  —  suspirei.  Tirar  aquilo  do
peito foi difícil, mas um alívio sem descrição. — Ele não é próximo de minhas
irmãs...  a  minha  mãe  prefere  não  vê-lo...  agora  que  estou  pronto  para  ir  à
faculdade, tenho medo do que pode ocorrer... tenho medo de que as coisas saiam
do controle.
Terence Smith concordou.
Para aqueles que o conheciam, sabiam que respirar no mesmo ambiente
que ele era como ficar mais valorizado.
O homem foi braço direito de dois presidentes, era amigo pessoal e sócio
do meu pai.


Eu  não  sabia  se  aquilo  me  ajudaria  ou  prejudicaria.  Se  o  senhor  Smith
olharia  para  mim  como  uma  pedra  no  meio  de  seus  negócios  bilionários  ou
entenderia meus reais motivos.
Todos nós pagamos um preço pelo poder — foi o que ele disse após
andar ao redor da mesa, conferir as horas no relógio de pulso que estava em cima
dela  e  voltar-se  para  mim.  —  Você  entende  que  seu  pai  não  é  uma  pessoa
comum, não é, Héctor?
Concordei, mas eu tinha ressalvas e estava pronto a dizê-las.
— Pessoas comuns vivem vidas comuns. Pessoas como nós vivem toda a


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