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Capítulo 18 Héctor Mitchell



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Capítulo 18
Héctor Mitchell

Meu retorno à mansão no Hamptons seria na sexta-feira.
Seria, no passado, por que precisei retornar às pressas.
Em meio a uma reunião importante na quarta-feira, o celular chamou sem
parar. Como era Amanda eu apenas o silenciei e deixei que um dos diretores de
departamento continuasse sua exposição a respeito das pesquisas que havíamos
feito na Europa com algumas energias renováveis.
Ainda assim a tela voltou a se ascender uma, duas, três vezes.
Como  era  possível  concentrar  na  reunião  e  ver  aquilo,  pedi  licença  e
atendi o celular, extremamente irritado.
O resultado foi o meu retorno às pressas à mansão.
Amanda  pintou  um  cenário  apocalíptico  que  lembrava  bem  o  meteoro
extinguindo os dinossauros.
Ouvi absurdos, choro, grito, ela me assustou de verdade.
Disse que Anthony corria perigo, que estava sendo maltratado e obrigado
a  fazer  coisas  que  não  queria,  que  estava  sendo  impedido  de  ver  o  médico  e
outras coisas que me deixaram de cabelo em pé.
— Alex, se você não dirigir esse carro mais rápido eu irei demiti-lo.
— Senhor, se eu for mais rápido seremos multados — ele avisou.
Passei  a  viagem  toda  tentando  ligar  para  Beatriz,  mas  ela  não  atendia.
Yone  muito  menos.  Precisei  dar  espaço  no  nó  da  gravata  porque  já  estava
ficando difícil respirar.
Quase saí do fundo do carro e meti o pé no acelerador.
— Já estamos chegando, senhor, calma.
— Corre, Alex, corre! — mandei.
O carro parou em frente à mansão e eu rapidamente saí do carro, com o
celular contra o rosto, ligando para Beatriz.
— Por favor, atenda esse telefone — pedi.
Subi  as  escadas  e  fui  para  o  quarto  dela.  Nada.  Vazio,  cama  arrumada,
tudo em ordem.
Caminhei em passos largos até o quarto de Anthony e me assustei ao ver
as  cortinas  e  janelas  abertas,  o  notebook  não  estava  em  cima  da  cama,  mas  na


mesa, as lâmpadas que ficavam ao lado da cama já não estavam ali.
Entrei, pé por pé e procurei qualquer coisa para ver se tinha algo errado,
mas tudo parecia perfeitamente normal. Aliás, normal até demais.
E pela janela eu pude ter a resposta de toda a minha tensão.
Lá  estavam  eles:  Anthony,  Beatriz,  Yone  e  mais  umas  seis  pessoas,
aparentemente divididos pela cor da roupa em dois times.
Anthony  parecia  animado,  devo  confessar  que  ao  vê-lo  daquela  forma,
me perguntei quando eu tinha visto pela última vez o meu filho de pé.
Em todas as visitas que lhe fiz nos últimos tempos ele estava dormindo,
eu só ouvia péssimas notícias do médico, dizendo que ele estava muito doente,
frágil, que precisava de descanso e cuidados...
E  ali  estava  ele,  ignorando  a  medicina  moderna,  segurando  um  taco  de
beisebol.
Prendi a respiração quando Yone jogou a bola. Eu a vi, em câmera lenta,
indo em direção a Anthony.
Quando ele acertou a bola em cheio eu vibrei.
—  Isso!  —  comemorei  com  o  punho  fechado  e  no  segundo  seguinte
voltei  a  minha  postura  sóbria,  completamente  engessado  e  analítico,  com  um
sorriso guardado por vê-lo em tão boa forma.
Meu coração explodiu de alegria.
Uma sensação de paz, tranquilidade e realização percorreu minhas veias.
Pelo visto meu filho não estava tão doente assim como o médico dizia.
E dinheiro nenhum poderia pagar o sorriso dele ao pular freneticamente
por ter ganhado aquela partida.
Saí  do  quarto  e  retornei  para  o  corredor,  andei  devagar,  uma  vez  que  o
Armagedom  não  tinha  acontecido  por  ali,  e  cheguei  no  hall  de  entrada  da
mansão. Vi um Alex completamente esbaforido e uma Amanda histérica.
—  Aí  está  você!  —  ela  gritou.  —  Alex  não  sabia  me  dizer  onde  você
estava! — ela se jogou em meus braços.
— Amanda, se recomponha — eu a ajudei a ficar de pé e me afastei. —
O que está havendo contigo? Perdeu o equilíbrio mental? — fechei o cenho.
— Héctor, você não faz ideia do que está havendo!
Ao invés de expor o que eu vi, preferi que ela falasse.
— O seu filho não toma mais os medicamentos, não come mais comida
saudável. Ela o enche de porcaria, ela o proíbe de se tratar, ela tem atrapalhado


os estudos, a rotina, o sono! Ela está acabando com o seu filho!
Ela quem? — perguntei curioso.
— Como assim quem? A sua nova mulher!
Ah, Beatriz — respirei fundo. Por um momento pensei que era Yone
que  tinha  perdido  o  juízo,  e  ao  julgar  do  quanto  a  conhecia,  ela  era  bastante
sensata. — Ela tem nome, se chama Beatriz — falei aliviado e apertei o nó da
gravata.
— Ela o coloca em sérios riscos, Héctor! Veja só, impediu o menino de
estudar hoje e o obrigou a ficar no sol! Você sabe que ele não pode se desgastar,
ele é um menino frágil.
— Vou examinar a situação de perto — falei.
Alex e Amanda me seguiram até os fundos da propriedade.
Andamos sem alarde, pelo menos, Alex e eu. Amanda veio resmungando
todo o caminho, apontando milhares de erros que estavam sendo cometidos, e eu
sinceramente não lhe dei ouvidos.
Quando  chegamos  até  onde  todos  estavam,  Anthony  estava  correndo
pelas bases, mas ao me ver, ele abruptamente parou.
O  jogo  continuou,  pegaram  a  bola  e  jogaram  pelas  bases  e  assim  ele
perdeu aquele turno.
No fim, todos pararam e me encararam, ficaram brancos feito papel.
Beatriz tentou acalmá-los e veio em minha direção.
— Você disse que só vinha sexta...
— Quis fazer uma surpresa — falei e toquei seu rosto. — Passou protetor
solar?
— Sim. E Anthony também. Na verdade, todo mundo — ela respondeu.
— Muito bem. Estão jogando há quanto tempo?
— Ah... muito tempo — ela riu, acho que preferiu não me assustar.
—  Aquele  é  o  senhor  Krabs?  —  apertei  os  olhos  para  ver  se  conseguia
enxergar melhor.
— É, é sim — ela riu. Parecia uma criança pega fazendo coisa errada.
—  Eu  te  disse,  Héctor!  Olha  só  essa  bagunça!  Isso  é  inadmissível!  —
Amanda alterou a voz.
— É inadmissível, sim — concordei.
Ela  continuou  a  resmungar  e  eu  tirei  o  terno  caro  e  a  gravata.  Abri  os
botões do punho da camisa branca de mangas longas e dobrei até o bíceps.


Anthony ficou bastante assustado e sem reação.
— Inadmissível não me chamarem para jogar — ralhei.
—  O  senhor  pode  pegar  o  meu  lugar!  —  Yone  correu  até  mim.  —  Eu
tenho tanta...
—  Negativo,  Yone  —  coloquei  a  mão  direita  em  suas  costas,  com  a
esquerda eu já estava empurrando Bia. — Você vai jogar. Quero ver ganhar de
mim.
—  Senhor  Mitchell!  —  ela  fingiu  um  tom  de  ofensa  que  não  me
enganava.
—  Onde  conseguiram  os  tacos,  as  bolas  e  as  luvas?  —  olhei  para  todo
aquele pessoal. — Oi, senhor Krabs — acenei.
— Senhor Mitchell — ele me cumprimentou.
— Eu comprei — Bia revelou.
—  Você  não  cansa  de  me  surpreender  —  massageei  sua  nuca  e  a  vi  se
contorcer lentamente.
— Aproveitei que fui para a rua e comprei outra coisa — ela sussurrou.
O pole dance?
— Você se lembra disso?! — ela riu.
— Bebê, é só no que tenho pensado — apertei seu queixo. — Alex! — o
chamei. — Cancele tudo de hoje até sexta.
Senhor? — Alex correu em minha direção, desnorteado.
— Cancele tudo.
— Mas senhor, temos uma reunião importante com o presid...
— Eu tenho um jogo com meu filho agora — o calei. — E depois tenho
assuntos com a minha mulher.
— Sim, senhor — ele puxou o celular e começou a fazer as ligações que
eram necessárias.
Fui até Anthony que estava travado no mesmo lugar desde que eu havia
chegado.
— Você está bem, campeão?
Ele fez que sim.
— Não quer ir descansar?
— Não.
— Posso jogar com vocês?


—  É  um  jogo  só  para  amigos  —  Anthony  continuou  me  encarando.
Depois olhou para Bia e voltou seus olhos para mim. — O senhor quer ser meu
amigo?
O simples fato de escutar a voz dele me emocionava. Há muito tempo eu
já não sabia o que era ouvir o meu filho falar.
Comecei a me perguntar naquela fração de segundos como podíamos ter
ficado tão distantes um do outro mesmo tão próximos...
— Seria a coisa mais importante da minha vida — fiquei de cócoras e o
olhei.
Afaguei suas bochechas avermelhadas, ele respirava profundamente, não
sei se pelo cansaço ou qualquer outro motivo.
Anthony era exatamente como eu. Não sabia expressar seus sentimentos.
Não  sabia  abraçar,  não  sabia  expressar  amor,  não  sabia  como  manter  contato
humano.
Culpa minha, é claro.
Eu esperei um abraço do meu filho, mas eu não era ninguém para cobrá-
lo.
Já  naquela  idade  ele  era  muito  formal,  evitava  qualquer  tipo  de
intimidade ou aproximação, até mesmo comigo.
Anthony me deu as costas e voltou para sua base.
— Só não perca! — ele avisou. — Quem perder vai fazer o jantar.


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