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Ah, ela me devia sim!
— E posso saber o porquê a senhorita precisa entrar?
— Já passou da hora do senhor Mitchell tomar seu medicamento. Ele fica
muito instável se não o toma.
—  Certo.  Bem,  vejamos  como  eu  te  direi  isso,  Amanda...  ele  não  vai
tomar medicamento algum.
— E quem disse isso?
— Eu. Não viu minha boca se movendo? — arqueei a sobrancelha.
—  E  com  que  autorização?  Eu  cuido  desse  menino  desde  quando  ele
voltou do hospital onze anos atrás! Sou quase que como uma mãe para ele!
Ah, subiu um fogo dentro de mim...
Não  fosse  a  educação  que  meus  pais  haviam  me  dado  eu  saía  no  tapa
com essa mulher.
— Eu sou a madrasta. Mulher do pai dele — respondi a altura. — Devo
valer um pouco mais do que a quase mãe — abri um sorriso de canto.
Amanda ficou roxa.
Saiu feito um trator, pronta para derrubar qualquer coisa que aparecesse
pela frente.
Mal coloquei a mão na maçaneta, a porta se abriu. Anthony me encarou,
meio pálido e assustado e espiou pelo corredor para conferir que ela já tinha ido.
Você sumiuele mostrou que estava magoado, fechou a cara e foi se
deitar.
Eu entrei, fechei a porta do quarto e fui até ele.
— Comprei essas coisas.
— O que é tudo isso? — ele nem me deu atenção.
— Veja você mesmo.
Anthony o fez com lentidão. Pegou as sacolas com completo desinteresse
e  espiou  dentro  delas  o  conteúdo  esportivo.  No  segundo  seguinte  abriu  um
sorriso gigantesco e já retirou a caixa que continha o taco de beisebol, a bola e o


par de luvas.
— Meu Deus! Meu Deus! — ele gritou, animado.
— O seu professor de matemática disse que você gos... — nem consegui
terminar  de  dizer.  Ele  voou  para  cima  de  mim  com  uma  intensidade  tão
assustadora que eu quase caí da cama.
Ficamos  ali  abraçados,  eu  completamente  feliz  por  ter  seguido  o
conselho  do  professor  de  imediato  e  ainda  mais  feliz  em  ver  a  alegria  daquele
menino transbordar.
Pode parecer bobagem, mas vê-lo sorrir daquele jeito era ver a primavera
do mundo.
— E eu comprei três kits. Um para você, um para seu pai e um para mim.
Anthony riu.
— Um era o suficiente. Uma pessoa segura o taco, a outra joga a bola e
outra fica atrás com a luva...
— Então vamos montar um time maior — sugeri. — Com Yone, Hillary
e algum amigo seu.
Anthony  sorriu.  Seus  dedos  pequenos  deslizaram  pelo  meu  braço  até
encontrar a minha mão.
Eu não tenho amigos — ele falou baixinho.
O ser humano sofre de algo engraçado que é a perspectiva.
Veja  só,  quando  alguém  padece  de  qualquer  coisa,  imediatamente  se
inferioriza,  pensa  “nossa,  como  sou  coitadinho,  ruim,  não  sou  útil”  e  começa  a
girar  em  torno  do  próprio  problema,  como  um  cachorro  correndo  atrás  do
próprio rabo.
O  curioso  é  que  quando  outro  ser  humano  vê  esse  alguém  padecer,
mesmo  que  esse  ser  sofra  da  mesma  coisa,  ele  não  se  concentra  em  girar  em
torno do próprio problema, mas da solução.
Por isso é importante externar os problemas em voz alta para que alguém
escute.
Se você não é capaz de encontrar a solução, alguém será.
— O que você acha de sairmos coletando amigos por aí?
— Como assim? — ele ficou intrigado.
—  A  casa  é  muito  grande...  muita  gente  trabalha  nela...  será  que  não
vamos encontrar alguns amigos? — sugeri.
— Eu não quero ser amigo daquela mulher — Anthony deixou claro de


uma vez por todas que tudo tinha limite.
E eu concordava com ele.
— Mas e seu professor de matemática? Ele que sugeriu isso?
— O senhor Krabs? — ele fez uma careta.
—  Foi  o  senhor  Krabs  que  disse  que  seria  legal  ver  você  jogando  de
novo.  Disse  que  te  fazia  feliz.  Será  que  isso  não  é  um  bom  passo  para  ser  um
amigo?
— Sim.
Eu achava engraçado que Anthony tinha isso de Héctor, eles sabiam ser
monossilábicos e ainda assim muito charmosos.
— Então amanhã, quando o senhor Krabs retornar, vamos perguntar a ele
se ele quer ser seu amigo?
— Sim. Mas se der errado eu falo que a ideia era sua.




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