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Beatriz Rodrigues
Me recuperei aos poucos.
Para não dar bandeira de que algo estava fugindo do controle, Anthony e
eu continuamos naquela rotina em que fingíamos estar dentro do controle da naja
e  nos  encontrávamos  de  madrugada  para  comer,  assistir  algo  juntos,  ler  uma
história de dormir ou só para ver como estávamos.
A  minha  maior  preocupação  era  como  provar  que  aquela  mulher  havia
atentado contra a vida do garoto.
Não vi como eu poderia fazer isso.
Então agi com cautela e deixei que os dias passassem, não sem vigiá-la
de perto, seguir seus passos e cuidar para que Anthony não se machucasse.
Quatro  dias  depois  quando  eu  estava  completamente  recuperada,  decidi
chutar o pau da barraca.
Se eu era realmente a dona da casa eu podia fazer o que quisesse, certo?
Abri as cortinas do quarto de Anthony assim que o sol nasceu e o vi dar


um pulo da cama.
— Espero que tenha dormido bem — fui até ele e me sentei na cama. —
As coisas serão diferentes agora, Anthony. Eu vou assumir o controle de tudo.
O  garoto  me  olhou  meio  com  sono,  meio  sem  entender  o  que  estava  se
passando.
Pedi para que ele fosse escovar os dentes e lavar o rosto e o esperei fora
do quarto.
— O que está acontecendo? — ele saiu do quarto vestido de pijama.
— Vamos tomar café da manhã.
—  Eu  tenho  uns  biscoitos  no  quarto,  podemos  comer  antes  que  ela
chegue.
Aquele  ser  era  tão  ruim  que  até  dizer  o  nome  pesava,  por  isso
evitávamos.
— Nada de biscoitos. Vamos tomar um café da manhã de verdade, vem
— segurei em sua mão e descemos para a cozinha.
As cozinheiras ficaram chocadas ao verem o jovem Mitchell de pé e na
cozinha, um lugar que elas imaginavam que ele nunca havia estado antes.
—  Que  surpresa  agradável,  senhor!  —  elas  o  paparicaram.  —  O  que  o
senhor quer comer de café da manhã?
Anthony me olhou, como se perguntasse o que eu sugeria.
O que eu sugeriria?
Fiquei de cócoras e o encarei de forma muito séria.
—  Você  me  disse  que  tudo  o  que  comeu  nos  últimos  meses  te  fez  mal,
certo?
Ele fez que sim com a cabeça.
—  Eu  ficava  com  muito  sono  e  indisposto.  E  um  pouco  feliz  também,
sem motivo aparente. Mas depois ficava triste de novo.
— A partir de agora você fará sua própria comida.
Ele arregalou os olhos.
—  Não  estou  falando  de  nada  complexo  —  segurei  em  suas  mãos.  —
Vou te ensinar a fritar ovos, cozinha-los, fazer torradas...
— E no almoço e jantar? — ele perguntou, curioso.
— Aí serei eu que farei sua comida. Mas a partir de hoje, nada de comer
apenas biscoitos, ok? Você precisa se alimentar com coisas saudáveis. Na dúvida
ou na preguiça vai comer uma fruta.


Tudo bem — ele disse sem muita animação. — Você me ajuda a fritar
os ovos então?
— Sim, venha ver como é fácil.
Anthony já era crescido e deveria saber se virar sozinho. É claro que ter
tudo  de  mãos  beijadas  o  deixou  mal-acostumado,  mas  aquilo  era  para  seu
próprio  bem.  Ele  mesmo  sabia  que  não  podia  confiar  naquela  mulher,  muito
menos comer o que ela lhe dava.
E  eu  ia  além  nessa  paranoia:  e  se  outras  pessoas  ali  estivessem
envolvidas com aquela mulher em machucar o menino? Eu precisava prepara-lo
e torna-lo independente.
—  Viu  como  é  fácil?  —  o  parabenizei  quando  terminamos.  —  Você  é
muito  inteligente  e  esperto,  aprende  rápido.  E  agora,  toda  vez  que  sentir  fome,
pode vir e preparar algo.
Eu só vou tomar o leite ou a geleia que elas estiverem consumindo
Anthony me confidenciou no ouvido.
— Você pega rápido as coisas.
No restante da manhã eu fiquei na biblioteca, assistindo de longe ele ter
aulas  de  matemática  e  biologia.  Aproveitei  para  pegar  alguns  livros  que  eu
poderia ler sozinha e depois com ele na hora de dormir.
— Estou muito feliz que o jovem senhor Mitchell esteja bem acordado e
disposto hoje, senhora Mitchell! — o professor de matemática não escondeu sua
alegria. — Não o via assim há... seis meses, acho.
— Espero que seja assim de agora em diante — respondi.
— Posso dar-lhe uma sugestão?
— É claro, senhor.
—  O  senhor  Mitchell  e  seu  filho  jogavam  beisebol  aos  fundos  da
propriedade.  Ambos  sempre  gostaram  muito,  mas  há  tempos  que  não  os  vejo
praticar. Sei que poderia dar uma mãozinha para que isso voltasse a acontecer...
— Obrigada pela sugestão, farei isso sim.
Então  passei  a  tarde  procurando  a  bola  e  o  taco  de  beisebol  e  não
encontrei em lugar nenhum.
Yone me confidenciou que Amanda havia jogado fora.
Então fiz questão de ir até uma loja de artigos esportivos e voltar, e ainda
que tenha sido uma viagem vapt-vupt, demorei algumas horas.
Quando voltei havia um clima estranho na casa.
Subi as escadas com certa pressa, corri pelos corredores, precisei tirar os


saltos para conseguir ir mais depressa, e vi aquele ser que não podia ser humano
tentando arrombar a porta do quarto de Anthony.
— O que você pensa que está fazendo? — larguei as sacolas e fui em sua
direção.
—  Eu  preciso  entrar  —  ela  me  olhou  como  se  não  me  devesse
satisfações.


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