Protegida pelo Bilionário


Capítulo 17 Héctor Mitchell



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Capítulo 17
Héctor Mitchell

Eu dediquei toda a minha vida àquela empresa. E no cargo mais alto dela,
percebi que havia feito pouco, quase nada; a Mitchell & Smith precisava de mim.
Agora eu tinha que fazer o trabalho pelo meu pai e por mim. A jornada
era  pesada,  eu  precisava  estudar,  ler,  assinar  os  documentos,  garantir  que  as
negociações fossem benéficas para todos os envolvidos, principalmente para as
duas famílias fundadoras.
Lidar  com  parceiros,  pesquisadores  e  até  mesmo  o  governo  e  seus
desafetos era fácil. Difícil era lidar com Geoffrey Smith.
Mal  cheguei  à  minha  sala  na  terça-feira,  ouvi  a  porta  se  abrir  e  fechar
atrás de mim.
—  Devo  demitir  a  equipe  de  segurança  —  fiz  aquela  anotação  em  voz
alta e me virei para encará-lo.
—  Você  não  pode  me  impedir  de  ir  e  vir  dentro  da  empresa  da  minha
família — Geoffrey retrucou.
—  Eu  posso  —  umedeci  os  lábios  e  o  olhei  de  cima  abaixo.  —  Espero
que tenha um bom motivo para me atormentar a essa hora da manhã.
— Eu tenho — Geoffrey disse indignado.
— Pois não?
Te atormentar a essa hora da manhã. Eis o motivo.
Revirei  os  olhos  e  me  joguei  na  poltrona  presidencial  e  o  encarei  com
todo o desdém que eu podia guardar em meus olhos, Geoffrey merecia cada gota
do meu desprezo.
— Você nunca se perguntou porque o seu pai me colocou como segunda
opção no testamento?
— Vai começar — comecei a mexer nos papeis, vi que era só bobagem
dele.
—  Sei  que  não  sou  o  mais  capaz  para  dirigir  a  Mitchell  &  Smith.  Mas
Gregory tinha uma dívida comigo, Héctor.
Continuei fingindo que ele não estava ali. Geoffrey puxou a cadeira em
frente à minha mesa e se sentou.
— Uma empresa não é só feita de um bom líder e seu braço direito que
tem  talento  para  lidar  com  pessoas  e  fechar  negócios  —  Geoffrey  claramente


estava se referindo ao meu pai e a mim. — Também é feita do homem que fica
nos  bastidores  oferecendo  jogos,  distrações  e  prostitutas  para  nossos  parceiros
nos encontros que a Mitchell & Smith fornece.
Você não vale nada — murmurei.
—  Investi  uma  grana  pesada  nas  diversões  secretas  que  a  empresa
ofereceu  para  os  grandes.  E  não  fui  ressarcido.  Seu  pai  disse  que  ia  me  pagar
tudo em seis meses e eis onde chegamos: seis meses se passaram e ele não está
aqui.
— Espero que tenha a notinha fiscal — debochei.
Geoffrey  respirou  fundo,  eu  sabia  que  podia  zoá-lo  o  quanto  quisesse,
mas  quando  o  assunto  era  dinheiro,  aí  estávamos  falando  de  briga  de  gente
grande.
— Sabe o que não vale nada, Héctor?
—  Estou  ansioso  para  que  você  me  ilumine  —  puxei  um  dos  contratos
milionários que estava na pasta de prioridade para ler.
Mulheres.
Foi  mais  forte  que  eu,  levantei  o  rosto  e  o  encarei  por  um  segundo
inteiro. Depois tornei a voltar ao documento e cocei meu queixo com o dorso da
mão.
— Mulheres que fingem te amar e te iludem, dizendo que farão tudo por
você, quando na verdade elas só estão sendo bem pagas.
Ergui  os  olhos,  mas  mantive  o  rosto  abaixado.  A  tensão  no  ar  deixava
claro que aquela conversa não ia terminar bem.
— Eu o admiro, nunca escondi isso. Você é um mito, o rei do pedaço, o
astro,  por  onde  quer  que  passe.  Tem  carisma,  boa  postura,  sabe  lidar  com
dinheiro, pessoas...
Obrigado.
— Mas tem um péssimo gosto para mulheres...
Deixei o documento de lado e escorei os cotovelos na mesa, o queixo nos
punhos fechados.
— É risível ver que você gosta de se prender em um conto de fadas. Esse
vazio que você tem por dentro, essa sensação de ser um merda, que você precisa
ocupar  pagando  mulheres  para  fazer  o  que  quiser  com  elas...  e  elas  se
aproveitam, é claro, por que mulheres são sanguessugas.
—  Qual  o  teu  problema,  cara?  —  perguntei  com  calma  para  que  ele
pudesse processar aquela pergunta super difícil.


O meu problema, Héctor, é que eu sei a sua fraqueza. E eu tenho um
mapa de como te destruir. Você pagou uma mulher para ser a sua puta da vez por
um tempo e ela está sugando o teu dinheiro, até ter outra pessoa para sugar...
— Alguém como você?
— Pode apostar que sim — Geoffrey se levantou.
—  Sabe,  Geoffrey,  eu  sempre  pensei  que  o  seu  problema  era  o  pau
pequeno.  Mas  agora,  olhando  bem  de  perto,  percebi  o  que  há  de  errado  com
você.
— Estou ansioso para ouvir — ele fez uma imitação porca de mim.
—  Você  é  tão  pequeno,  tão  infeliz,  tão  imaturo,  que  precisa  levar  as
pessoas a se rebaixarem para que possam estar em seu nível e assim você sente
alívio ao perceber que não é um inútil sozinho.
— Eu só quero o meu dinheiro.
Ou?
— Ou as coisas vão começar a sair do controle, Héctor.
— Eu te admiro nisso e apenas nisso, Geoffrey. Você se comporta como
se não tivesse medo de morrer. Um homem corajosamente estúpido.
— Digo o mesmo de você. Seu pai. E aquela sua puta de merda.


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