Protegida pelo Bilionário



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Mitchell & Smith.
— Imagino. Seu pai foi meio maluco, né? Um deslize e você perde toda a
fortuna e o cargo na empresa... — falei.
Você faz parte do tudo também, Bia. Não se esqueça disso.
Ele me deu tchau e saiu pela porta.
Jantei na cama mesmo, li um livro pelo kindle, presente do Héctor, e fui
pega pelo sono aos poucos.
Héctor  praticamente  me  isolou,  só  Yone  e  ele  podiam  me  ver  por
enquanto, nem mesmo Hillary eu encontrei após retornar para casa.
Então, sozinha no quarto, sem ter com quem conversar, afinal de contas,
a pobre Yone precisava ter seu devido descanso, dormi.
Em  algum  momento  da  noite  acordei  assustada,  num  sobressalto  me
sentei na cama.
Meus cabelos e os pelos que eu nem tinha se arrepiaram ao ver um vulto
na escuridão.
Então Anthony a lanterna do celular contra o rosto e foi aí que eu quase
morri.
— Você quer me matar de susto? — ralhei, mas num tom até carinhoso.
— Isso é horas de sair da cama?!
— Você disse que voltava “amanhã” e nunca mais voltou — ele disse.
Prendi  a  respiração  e  fiquei  paralisada,  a  boca  entreaberta,  o  semblante
completamente  surpreso  enquanto  o  fitava  em  seu  pijama  azul  marinho  com
naves espaciais e estrelas cadentes. Era uma noite bem fria aquela, as bochechas
do menino estavam bem rosadas, parecia cena de filme ou livro americano.
Se bem, que, estávamos na América.
— Eu tive uns contratempos...


— Eu sei.
Ficamos  em  silêncio  nos  encarando.  Sem  saber  muito  bem  o  que  dizer
um ao outro.
— Quer que eu vá embora? — ele perguntou.
— Não, é claro que não. Vem cá.
—  Eu  não  iria  mesmo  —  Anthony  deu  de  ombros.  —  Se  você  não
respeita  a  minha  privacidade,  eu  não  respeito  a  sua.  Aqui  é  a  América  —  ele
disse com o nariz empinado e subiu na cama.
Deitou e me abraçou, ficou grudado em mim.
E eu, feito uma tábua, fiquei parada, sem saber bem como reagir.
— Você precisa acordar que horas amanhã para ir à escola?
—  Eu  não  vou  à  escola  —  ele  explicou.  —  Meus  tutores  que  vem  até
mim.
Até  parece  que  esse  futuro  CEOzinho  vai  para  a  escola  junto  com  os
mortais, não é? Que burra que sou.
Hum... E como foi esses dias por aqui? Comeu direitinho?
— Não.
— Não?
—  Quando  eu  como,  principalmente  pela  manhã,  eu  fico  com  muito
sono.  Aí  eu  só  acordo  à  noite,  quando  não  tem  mais  ninguém  acordado  —  ele
explicou.
Que curioso isso.
— Eu estou acordada à noite.
— Sim — ele me abraçou com muita força.
— E o que você tem feito então?
—  Desde  aquele  dia  eu  fiz  igual  você.  Eu  roubo  comida  de  noite,  bem
escondidinho,  para  ninguém  perceber  —  ele  explicou.  —  E  vou  comendo
durante  o  dia.  Jogo  a  comida  que  me  dão  no  vaso.  E  finjo  que  durmo  o  dia
inteiro.
Gente, que menino inteligente! Fiquei chocada.
— Não é roubo se você é o dono da casa, não é?
— Você é a dona da casa — ele retorquiu, não pareceu muito confortável,
mas também mostrou que não era a pior opção.
— Então eu prometo que não vão te prender por roubar a comida da casa,
tá?


— Obrigado.
Abracei Anthony com força.
Eu nunca tive jeito com crianças, eu não sabia nem onde era o botão de
desligar  quando  era  necessário.  Mas  era  impossível  não  se  compadecer  um
pouquinho daquele menino.
— Aquela é minha mãe — ele apontou para o quadro.
Concordei imediatamente.
— Ela era muito bonita.
— Sim.
— Anthony, o que acha de irmos roubar comida lá embaixo agora?
— Eu já roubei a minha, mas eu vou para te ajudar, tá bom?
— Tá bom.
E ele me abraçou com muita força.
— Você gosta de abraços, né? — fiz um cafuné bem lento em sua cabeça.
— Antes de você eu não tinha ninguém para abraçar.


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