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Héctor Mitchell



Isso é arte. Silhuetas bem desenhadas, peitos avantajados, bundas gordas
e suculentas, famintas, corpos que foram preparados para encher os olhos e fazer
a imaginação vagar pelo lugar até encontrar um alvo.
Eu tinha muitos alvos.
Foderia todas, se possível em fila, seria um deleite deixá-las anestesiadas
e implorando por mais.
Ouvir, como já ouvi diversas vezes, que elas que deveriam me pagar para
serem  devoradas  por  um  macho  de  verdade.  Mas  eu  faço  questão  de  pagar,
dinheiro aqui não é problema.
Alex, meu assistente, se encolhe enquanto passa pelas garçonetes, parece
que nunca viu mamilos na vida. E elas balançam, insinuam, mostram que dariam
tudo para levar um garotão como ele para as salas mais reservadas.
— Você é um frouxo — começo a rir quando ele se senta ao meu lado.
— De todos os lugares que poderíamos nos encontrar, um clube de strip-
tease?
—  Não  “um  clube  de  strip-tease”  meu  caro,  o  melhor  do  país!  Quem
sabe,  de  toda  a  América!  —  levanto  o  copo  de  whisky  e  sinto  o  líquido  atiçar
meu paladar. Ele só perde para aquelas bundas.
Aceno  cem  dólares  para  Valerie,  uma  das  garotas  mais  experientes  da
casa. Ela prontamente vem em minha direção, fica entre minhas pernas e começa
a  dançar  sensualmente  enquanto  fica  de  joelhos.  Agarra  meus  joelhos  com  as
unhas e sobe, devagar, encarando-me como se fosse me devorar ali mesmo.
Héctor — Alex, o estraga prazeres, me chama.
—  Você  é  uma  boa  menina  —  acaricio  o  rosto  de  Valerie  e  indico  para
que ela se levante.
Antes  que  ela  saia  eu  coloco  a  nota  de  cem  dólares  dentro  de  sua
calcinha,  não  sem  antes  espalmar  sua  bunda  e  vê-la  sair  remexendo  e  me
olhando à distância.
—  Héctor  —  a  voz  de  Alex  mostra  preocupação.  —  Seu  pai  entrou  em
coma e o testamento foi aberto! — ele me repreende.
Continuo a olhar para frente, distraído pelos corpos femininos. Para que
os  olhos  parem  de  formigar,  dou  um  gole  generoso  na  bebida  ardente  e  faço  a
garganta pegar fogo.
Viro  o  rosto  para  o  lado  oposto  de  onde  está  o  rapaz  franzino  e
engravatado,  fungo  o  nariz  e  só  retorno  para  a  posição  anterior  quando  sei  que


meu rosto transparece apenas a satisfação de estar naquele antro de perdição. Ou
seja, permanece indiferente, analítico e sério.
—  Me  desculpe  —  sua  voz  sai  mais  cordial.  —  Eu  não  quis...  eu  não
quis...
Ergo a mão para calá-lo. Ele insiste:
— Sei que você está sofrendo do seu jeito — sua mão toma coragem para
pousar  em  meu  ombro,  mas  rapidamente  ele  a  recolhe,  escora  as  costas  no
estofado e finge que vai se entreter com as garotas.
Foi  por  isso  que  eu  contratei  esse  garoto.  Ele  tem  uma  fragilidade
humana que me faz lembrar do Héctor adolescente.
Na verdade, não foi por isso. Contratei doze secretárias antes. Nenhuma
delas resistiu. Eu muito menos. Foi consensual, barulhento e destruidor.
Sério, precisaram reformar a minha sala depois de uma das sessões com
Caroline. Ah, Caroline...
Mas  o  meu  pai  sempre  foi  linha  dura.  Ele  queria  o  filho  perfeito,  um
homem  exemplar,  o  estereótipo  de  que  colocaria  a  empresa  e  a  família  em
primeiro lugar sem titubear.
Eu sempre optava pelas mulheres. É como dizem, a carne é fraca. Bom, a
minha fica bem dura. E sedenta. E incontrolável.
Diminuo  o  aperto  da  gravata  preta,  mas  não  abro  o  paletó.  Continuo  a
assistir o show e vigiar Alex de canto.
— Pode falar. Ele deixou tudo para minha mãe e indicou Geoffrey para
CEO — pego a garrafa de whisky quando ela passa e coloco uma dose no copo,
deposito ele na bandeja e viro a garrafa.
Alex treme. Evita me olhar.
—  Fala,  homem!  —  bato  com  o  punho  fechado  no  espaço  vago  entre
nossos corpos no sofá.
E-e-ele... — o maldito gagueja. Torna tudo mais difícil.
A  minha  família  junto  com  a  família  Smith  são  donas  de  uma  das
maiores empresas de energia da América. Dinheiro, poder e seu pai de 75 anos,
um dos donos do império, em coma não são boas combinações. A família Smith
há tempos já queria abocanhar nossa parte.
E agora era a hora...
Meu  pai  me  disse  incansavelmente  que  eu  era  imaturo  para  um  homem
de  trinta  anos,  e  que  dificilmente  conseguiria  manter  a  Mitchell  &  Smith  sob
controle, principalmente em um mercado como o nosso.


Ainda  assim  eu  sempre  fui  seu  braço  direito,  seu  confidente  e  amigo.
Sempre  estive  ao  seu  lado,  sempre  me  entreguei  e  dei  minha  vida  por  ele,
tentando imitá-lo de todas as formas possíveis.
Mas como todo Aquiles, eu tenho um calcanhar.
E esse calcanhar tem corpo, boca, seios, bunda... e está vestida em látex
hoje.
— Boa noite, senhor Mitchell — ela se vira felinamente, mostrando suas
curvas.  Sabe  que  com  isso  consegue  tirar  100  dólares  de  mim  com  mais
facilidade  que  nossa  grande  América  do  Norte  em  subjugar  países  de  terceiro
mundo.
— Boa noite, Sabrina — meu lábio quase treme.
Meus olhos são mais felinos do que a fantasia, eu a encaro como se meu
único intuito fosse fazê-la gritar e perder os sentidos.
Sabrina  e  eu  temos  sido  bons  estranhos  há  algumas  semanas.  Já  temos
um nome pelo qual chamamos um ao outro, ela sabe que eu facilmente esvazio
meus bolsos quando a vejo dançar, e eu sei que ela quer levar uns tapas.
E  é  esse  espaço  de  suposições  e  imaginação  que  torna  tudo  mais
interessante.
—  Espero  que  se  divirta  essa  noite  —  ela  se  curva,  seus  lábios  ficam
próximos do meu rosto, e eu coloco três notas generosas entre seus peitos.
Então ela se afasta sensualmente, fazendo as nádegas subirem e descerem
conforme caminha e vai seduzir outro ricaço.
Bato  com  o  dorso  da  mão  no  peito  de  Alex,  que  quase  coloca  os  bofes
para fora.
Céus! — ele se dobra e tenta respirar.
—  Responda-me  quando  assim  lhe  for  solicitado  —  pego  a  garrafa  e
sorvo  o  líquido  enquanto  acompanho  a  ladra  de  minha  atenção  seduzir  outro
cara.
— O testamento... o testamento... — ele tenta lembrar.
— Mas ele não morreu, certo, Alex? — o olho de canto.
— Ele está em coma — meu secretário tenta regular a respiração. — Mas
até que esteja em plenas faculdades mentais, faz valer seus direitos registrados.
— Certo — deixo os lábios colados na boca da garrafa, pronto para ouvir
o veredito.
E-ele... — Alex retorna a gaguejar e eu estou pronto para lhe dar umas
pancadas.


Ele pede um minuto, tira a gravata e se abana, tenta respirar, mas parece
uma missão impossível. Então seguro com força no colarinho da camisa branca e
arranco o primeiro botão, assim ele puxa todo o ar que pode para os pulmões.
— O senhor Mitchell deixou tudo para você.
Embora eu escute, aquela informação paira no ar e me deixa ainda mais
distraído.
— Também o indicou para o cargo de CEO da Mitchell & Smith —  ele
revela.
Aquilo sim é surpreendente.
Fico dividido entre as palavras do meu pai e aquela ação tão inesperada.
Embora  fossemos  extremamente  próximos  e  exatamente  por  sermos,  eu  sabia
que ele deixaria tudo para a minha mãe e indicaria o Geoffrey, o desgraçado do
filho do senhor Smith que já havia falecido e há anos queria o cargo para si.
Mas  aquele  cara,  o  Geoffrey,  não  tinha  condições  de  dirigir  uma
pastelaria, veja lá a nossa empresa.
—  Meu  pai  ensandeceu  —  foi  minha  conclusão  e  novamente  virei  a
garrafa  para  tomar  no  gargalo  aquele  líquido.  —  Perdeu  o  completo  juízo.  Vou
pedir para que revejam esse maldito testamento.
— O testamento foi escrito há dez anos e ratificado a cada três meses, a
última vez em que foi ratificado foi há duas semanas — Alex revelou.
Só pode estar brincando — pendi a cabeça para trás.
—  Mas  para  que  o  desejo  do  senhor  Mitchell  seja  realizado,  tem  uma
condição.


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