Protegida pelo Bilionário


Capítulo 15 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 15
Beatriz Rodrigues

Gostaria,  de  coração,  dizer  que  Anthony  parou  de  chorar  e  tudo  ficou
bem.
O  garoto  não  parou.  Chorou,  chorou,  chorou  tanto  que  eu  fiquei  sem
reação.
Por  um  tempo  eu  chorei  junto  a  ele,  fui  levada  pelo  momento  e  as
lágrimas escorreram. Depois tentei me recompor, mas ele não se recompôs. Tudo
bem, ele precisava de tempo. Ficou agarrado a mim, na mesma posição e chorou
tudo o que tinha para chorar.
Aquilo levou muito tempo.
— Você precisa tomar água — olhei ao redor e vi uma jarra em cima de
uma mesa.
Não — ele pediu e me impediu de levantar.
E  voltamos  à  estaca  zero,  ficamos  ali,  em  completo  silêncio,
acompanhados esporadicamente de soluços, uma barriga roncando e a respiração
descompassada do menino.
—  Eu  fiz  o  seu  prato  favorito  hoje  e  me  disseram  que  você  não  queria
comer — falei no tom mais gentil que encontrei, por que se eu fosse repetir as
palavras que ouvi... — O que você jantou?
— Eu não jantei.
— E porque não jantou?
Anthony não me respondeu.
Deitou-se, de barriga para cima e fitou o teto.
Ele era orgulhoso demais, como o pai. Não daria o braço a torcer. Jamais
me pediria comida.
— Quer que eu traga a lasanha para você? — perguntei, um sorriso meio
bobo escapou, era bonitinho vê-lo segurando minha mão.
Ele fez que sim.
Quando  fui  me  levantar  ele  me  segurou,  ficou  dividido  entre  minha
presença e a fome.
— É rapidinho. Vou e volto num pulo, tá?
Ele demorou para decidir aquilo, mas me deixou ir.


Fiz  o  mínimo  de  barulho  possível,  só  o  maldito  micro-ondas  que  fez
aquele apito chato quando esquentei a lasanha. Coloquei uma fatia generosa no
prato,  enchi  o  maior  copo  que  eu  pude  ver  de  suco  e  levei  para  o  quarto  do
menino.
Comer  não  é  bem  a  palavra.  Anthony  devorou,  pareceu  que  não  via
comida há dias.
Comeu  tanto  que  chegou  ficar  zonzo  e  deitou,  meio  estabanado  e  ficou
de olhos semicerrados.
— Você está cansado, não é? — perguntei.
Uhum...
— O que você fez o dia todo?
— Dormi.
Que garoto esquisito, eu hein.
Agora  era  minha  barriga  que  estava  roncando  e  não  tinha  sobrado
lasanha por ali. Olhei ao redor e vi o prato com sopa que pelo visto ele havia se
negado a comer. Não era lá a comida aparentemente mais bonita que eu já tinha
visto na vida, ou a pior, mas podia competir pau a pau com a pior sim.
— Dorme, tá bem?
— Tá.
O menino tinha comido tanto que ficou num estado de hibernação.
—  Se  você  quiser,  amanhã  eu  volto,  em  um  horário  que  ninguém  nos
encontre, ok?
Ele fez que sim e dormiu segurando a minha mão.
Assim  que  o  sono  ficou  mais  pesado  eu  peguei  aquele  prato  de  sopa  e
devorei  igualmente  porque  estava  com  fome.  E  era  fome  mesmo,  por  que  para
comer aquele negócio horrível eu realmente precisava estar faminta.
Deixei o prato de sopa vazio em cima da mesa e peguei o prato que era
uma vez uma lasanha e o corpo de suco e fui para o quarto, nem tive forças de ir
para a cozinha.
E aí sim eu dormi.


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