Protegida pelo Bilionário


Capítulo 13 Héctor Mitchell



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Capítulo 13
Héctor Mitchell

Anthony dormia, então não me demorei no quarto. Conferi se tudo estava
em  ordem,  sorri  bobamente  ao  notar  que  ele  dormia  tão  serenamente  que  seria
pecado acordá-lo e segui para a biblioteca.
Abri a porta e pigarreei para indicar minha presença. Andei calmamente
pelo  tapete  vermelho,  vistoriando  as  grandes  estantes  de  madeira  envernizada
que guardavam tomos, enciclopédias, livros antigos e modernos sobre todo tipo
de assunto, e encontrei um homem sentado em um dos sofás pretos.
—  Peço  perdão  pela  mudança  de  planos.  Sei  que  você  é  um  homem
ocupado, muito obrigado por vir.
—  Não  se  desculpe,  estou  acostumado  com  mudança  de  planos  —  um
fino sorriso surgiu no rosto do homem.
Ethan  Evans  era  o  tipo  de  homem  que  eu  não  queria  ter  como  inimigo.
Por  debaixo  daquele  chapéu  fedora  preto  e  óculos  escuros,  estava  o  homem
responsável  pela  segurança,  sigilo  e  armazenamento  de  dados  e  arquivos  no
mundo online. Ele trabalhava protegendo os grandes bancos, o próprio governo e
empresas como a Mitchell & Smith.
Também  era,  por  esse  motivo,  um  bom  hacker.  Conseguia  invadir
qualquer fortaleza, desvendar qualquer código, espionar qualquer mortal.
E tudo isso sendo cego.
— Como está Valentina?
— Está bem, obrigado por perguntar. E a sua Bia? — ele retrucou.
Minha Bia...
Como era estranho, novo e me dava um frio na barriga pensar assim...
— Espero que ela se sinta segura aqui — sentei-me diante dele em uma
poltrona. — Aliás, é para isso que estamos aqui. Para falar de segurança.
Ethan recostou-se no sofá e abriu um sorriso que beirava ao deboche.
—  A  mansão  é  impenetrável.  Os  meus  homens  garantiram  que  todo  o
perímetro é seguro e sugeri para que seu chefe de segurança dobrasse o pessoal,
principalmente no turno noturno. Espero que não se importe.
— Uma decisão sua é como uma decisão minha — assenti. — Mas não é
sobre  isso,  não  essa  segurança  —  fiz  uma  pausa  enquanto  olhava  ao  redor,
aquele lugar me trazia boas lembranças. — Conseguiu descobrir o que aconteceu


naquela noite? A garota foi morta pelo tráfico mesmo?
Ethan respirou fundo.
—  Héctor,  é  difícil  assegurar  isso.  É  de  seu  conhecimento  que  a  minha
área  não  é  mapeamento  e  construção  de  arquétipos  para  entender  as  práticas
criminosas  de  pequenos  traficantes,  mas  eu  diria  que  a  coisa  não  era  sobre
drogas.
— Era sobre o quê? — fiquei interessado.
—  Eu  não  sei  —  ele  disse  aquilo  com  uma  satisfação  e  paz  de  espírito
que  me  abalaram.  Ainda  bem  que  ele  não  podia  ver  minha  expressão.  —
Entretanto, isso pode nos colocar em novas pistas. Quem sabia sobre os termos
do  testamento?  Você  já  tinha  em  mente  que  queria  casar  com  Beatriz  naquela
época?
Não precisei pensar muito.
— Acho que... foi exatamente no dia em que eu propus o contrato a Bia...
— fechei o cenho. — Você não acha que...?!
Quem sabia sobre os termos do testamento? — ele repetiu a pergunta.
E quem sabia que você ia procurar a garota?
— Poucas pessoas. Terei de fazer uma lista. O que você suspeita?
Ethan puxou o próprio celular, colocou a digital e deu um comando para
que o aparelho abrisse um arquivo.
—  Nada  no  FBI.  Não  foram  os  caras  do  governo,  não  foi  queima  de
arquivo.
— E sobre a Bia? — perguntei, preocupado e ansioso.
— Nada no FBI, também não havia nada no departamento de imigração,
mesmo antes de você me pedir para dar um jeito na situação dela.
Anuí calmamente.
— Não é coisa do governo — respirei aliviado.
— O tráfico tem um método para agir, Héctor. E a polícia, quando quer
incriminar  os  homens  do  tráfico,  também  tem  um  método  para  agir.  Nem  um,
nem outro.
— O que então?
— Héctor, acho que estamos lidando com assassinos de aluguel.
Só uma pessoa como Ethan podia pensar isso! Era loucura! Era absurdo!
Era surreal!
E extremamente possível.


— Então você precisa dos nomes de quem sabia do meu possível acordo
com a Bia?
—  Vou  atrás  de  todos  eles.  Hackeá-los.  Pegar  todas  as  mensagens,
ligações,  conversas,  e-mails,  entrar  em  suas  pastas  pornográficas,  vasculhar
absolutamente  tudo.  Voltamos  à  estaca  zero.  Mas  os  meus  instintos  dizem  que
isso  foi  planejado.  E  que  eles  não  queriam  matar  a  tal  stripper,  a  Clair.  Eles
foram para matar a sua mulher, Héctor.
Arregalei os olhos e me levantei da poltrona.
Só  a  mínima  ideia  de  perdê-la  me  subiu  um  horror  que  eu  sequer  me
lembrava a última vez de ter experimentado.
Na verdade eu até me lembrava.
— Confio em você. Faça o que for preciso.
Ethan se levantou e apertamos as mãos. O guiei até a porta da biblioteca.
—  E,  Héctor  —  ele  me  chamou.  —  Fiquei  sabendo  que  uns
pesquisadores da China virão para entregar os resultados de algumas aplicações
que fizeram...
— Sim.
—  Tem  um  espião  entre  eles.  Problema  nacional.  Não  vá  ao  encontro
deles, mas não desmarque. Deixe que tudo flua, mas falte a reunião. Os homens
do governo estarão lá para pegá-los.
— Certo — concordei e antes que ele fosse, segurei firme em seu braço.
E o meu filho? — murmurei.
Ethan sorriu.
— Seu filho gosta de jogos de tiro, e tem pesquisado bastante nas últimas
semanas sobre como é ter uma madrasta — ele bateu a mão em cima da minha
de um jeito cordial. — Tem assistido muitas séries sobre famílias...
— Você acha que ele...
—  Não  acredito  que  seu  filho  seja  um  sociopata  ou  um  desses  garotos
que pega uma arma e mata todo mundo — sua expressão ficou séria. — Só acho
que Anthony precisa de uma mãe.
Uma mãe?
— É. Mas os meus instintos dizem que ele ainda não descobriu isso.
Ethan bateu com a mão direita em meu ombro e foi embora.


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