Protegida pelo Bilionário


Capítulo 1 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 1
Beatriz Rodrigues

Eu vim para os Estados Unidos com um sonho.
Queria mostrar aos meus pais e às pessoas que duvidaram de mim que eu
era  capaz  de  ter  o  mundo  aos  meus  pés,  se  eu  quisesse.  Sair  do  Brasil  era  um
sonho  desde  criança,  a  América  do  Norte  sempre  me  pareceu  uma  terra  de
oportunidades; e aqui estou eu, em Nova York.
Mas o que eu consegui?
Não  um  Green  card,  muito  menos  um  visto  para  ser  estudante  ou
trabalhar.
Vivo na ilegalidade há alguns meses.
No  início  consegui  sobreviver  limpando  casas  e  privadas  para  famílias
abastadas,  mas  agora  eu  realmente  ganho  um  dinheiro  considerável  para  poder
ajudar minha família no Brasil.
O mundo está em crise? Não para quem ganha em dólar, baby.
Permita que eu me apresente, por favor.
Eu  me  chamo  Beatriz  Rodrigues,  tenho  22  anos,  sou  natural  do  interior
de  Minas  Gerais  e  venho  de  uma  família  muito  conservadora,  simples  e
tradicional.
Desde pequena eu sempre quis ser famosa, ou pelo menos “viver  bem”
em uma cidade estonteantemente grande. Sempre foi o meu desejo que ao olhar
para fora da janela houvesse mais do que mato, vaca e montanhas; no lugar deles
seria  bom  se  tivesse  o  mundo  moderno,  digital,  o  verdadeiro  século  XXI:  eu
queria a cidade grande.
São  Paulo  não  foi  o  suficiente.  Vivi  lá  por  menos  de  um  ano  só  para
juntar  dinheiro  e  vir  “passar  as  férias”  em  Orlando,  que  foi  o  lugar  onde  eu
limpei muita bosta. Digo, muita casa de gente rica. E suas privadas também.
Então eu conheci o senhor Brown, dono de um clube noturno em NY que
gostou  muito  de  mim  e  tentou  de  todas  as  formas  me  levar  para  cama  e  não
conseguiu.
E foi assim que eu, a moça de uma família simples do interior de Minas,
veio parar no clube de strip-tease mais badalado das noites nova-iorquinas: “La
Chica”.
Agora sim eu vivo a vida que eu sempre quis.


Tudo o que preciso fazer agora é fugir da polícia e de qualquer um que
possa me deportar, desviar o meu caminho dos traficantes que insistem para as
garotas  venderem  drogas  no  clube  e  pela  cidade  para  tirar  um  dinheiro  extra  e
não me meter em encrencas.
Até agora isso tem sido fácil.
Ganho muito bem como stripper e busco manter minha saúde mental.
Por  detrás  da  “Sabrina  Lopes”  a  carioca  que  seduz,  dança  e  às  vezes
deixa os atrevidinhos gostosões passarem um pouco dos limites, existe a “Bia”, a
garota do interior, sonhadora, que não precisa mais viver em um quarto mofado
no fundo da casa de alguém. Ou limpar bosta.
Pequeno  passo  para  a  Bia,  grande  passo  para  a  humanidade,  ou  algo
assim.
Agora  vivo  em  um  apartamento  com  duas  companheiras  de  trabalho,
guardo dinheiro para pagar uma faculdade no futuro – elas custam bem caro aqui
–  e  continuar  vivendo  em  busca  do  meu  tão  sonhado  visto  permanente  que  me
permitirá ser cidadã americana de uma vez por todas.
— Você não tem medo, Beatriz? Que eles te deportem? — Hillary, minha
colega  de  apartamento  e  trabalho,  passa  óleo  em  meu  corpo  para  que  eu  fique
logo pronta para subir ao palco.
Antes que eu abra a boca, Clair, minha outra colega, me interpela:
— Pelo menos ela tem um plano B. Se tudo der errado e eles chegarem
perto de deportá-la, ela tem o Brown, que a pediu em casamento. Se ela se casar
com  ele  conseguirá  o  visto  e  todos  os  problemas  acabam.  Afinal  de  contas,
dinheiro você tem, certo, Bia? — ela me encara com seus grandes olhos azuis.
Sorrio timidamente e continuo concentrada em minha maquiagem.
— Por que você não se casa com o Brown? Tudo bem que ele é velho,
mas  tem  tanto  dinheiro...  —  Hillary  não  se  conforma  que  eu  esteja  “deixando
aquela grande oportunidade ir embora”.
— Ele quer que eu tenha um filho — olho para elas no espelho.
Nunca  conversamos  sobre  isso  antes,  mas  agora  que  temos  mais
intimidade,  depois  de  três  meses  morando  juntas,  creio  que  já  podemos  dividir
isso.
— Dá o filho para o homem! — Clair ri e bate em meu ombro.
Eu não queria ter filhos. Pelo menos não com o Brown.
Embora eu tivesse absoluta certeza que nunca faltaria nada para mim e a
criança e que nunca mais eu precisaria trabalhar em toda a minha vida, a oferta


não era mais tentadora do que a minha liberdade.
O meu direito de ir e vir era sagrado.
Eu  tinha  essa  vontade  gritante  em  meu  interior:  de  ser  livre,  de  ser
solteira e independente. Casamento, filhos e compromisso me davam arrepios!
— Vocês são tão idiotas! — termino de me maquiar e Hillary para de me
besuntar.
— Ele é um coroa boa pinta, nunca nos deixou faltar nada e parece gostar
de você. O que ele sempre diz a ela antes de entrar no palco, Clair? — Hillary se
vira para a amiga.
“Você é a minha estrela, vá para o palco e faça chover dinheiro”
ela tenta imitar a voz e trejeitos do homem.
Acabamos rindo e a luz vermelha do camarim se acende, isso é um sinal
de que precisamos nos apressar, pois nosso show já vai começar.
Hillary  e  Clair  me  ajudam  a  vestir  o  macacão  preto  de  látex  e  também
colocam  a  máscara  de  mulher  gato  em  mim  sem  que  eu  destrua  a  maquiagem.
Calço as botas pretas altas e dou uma última checada no espelho antes de sair.
—  Eu  me  casaria  com  o  Brown  se  fosse  para  conseguir  o  Green  Card,
mas felizmente nasci em Connecticut — Clair é a primeira a sair.
— Bom, eu sou apenas uma estudante universitária ganhando a vida —
Hillary retoca meu batom e dá de ombros.
—  Ele  é  meu  plano  B,  gente,  isso  significa  que  sim,  ele  é  uma
possibilidade. Mas eu estou concentrada em outra coisa agora.
— Ah, você tem um plano A! — Hillary enfim percebe.
— E você é a universitária, não é? — debocho.
Hillary  me  belisca  e  confere  no  espelho  se  está  pronta  para  ir  ao  salão
divertir os ricões, bilionários, CEO’s das grandes empresas de NY e da América
em geral. Eles vêm todos parar aqui para ter um show, uma noitada inesquecível
e saborear o doce pecado que o La Chica pode oferecer.
— Qual o seu plano A? — ela pergunta.
—  Me  virar  sozinha.  Sou  uma  mulher  independente,  cheguei  aqui
sozinha e vou sobreviver sozinha! — estufo os peitos, empino a bunda e saio.
Não sem antes ouvir minha colega disparar em minhas costas:
— Aqui é a América, baby. Ninguém sobrevive sozinho.


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