Protegida pelo Bilionário


Capítulo 11 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 11
Beatriz Rodrigues

Em  um  grã-fino  restaurante  em  West  Village  chamado  Magnum
Imperium, Héctor e eu passamos por um salão completamente vazio de clientes e
funcionários enfileirados, olhando-nos como se fossemos os donos do mundo.
Bom, Héctor era, eu acho.
O  maître  nos  levou  até  a  mesa,  numa  varanda  que  dava  vista  para  os
prédios  cheios  de  cores  da  região,  e  assim  ficamos,  ele  e  eu,  em  um  cúmplice
silêncio enquanto os cardápios eram apresentados e os garçons ficavam ao nosso
redor.
— O seu melhor champanhe, para começar, e traga algo afrodisíaco —
Héctor fechou o cardápio e entregou para um dos garçons.
Só assim tivemos um pouco de privacidade, respirei aliviada.
— Esse é o momento oportuno para nos conhecermos um pouco mais.
Deus, como aquele homem podia ser tão bonito? Nem parecia que estava
em cima de mim, todo suado, as veias sobressaltadas, o braço forte agarrando a
minha...
Bia? — sua voz grossa me arrepiou.
— Sim — respondi prontamente.
Embora estivesse um pouco frio, abri o sobretudo e deixei parte do robe
de renda só para provoca-lo.
Devo  admitir,  era  divertido  ver  seus  olhos  cintilando  feito  joias,
conferindo  meus  seios,  depois  subindo  para  meus  olhos  e  fazendo  o  mesmo
movimento sem parar.
—  O  que  os  seus  hábeis  detetives  não  descobriram  sobre  mim  que  o
senhor  precisa  saber,  senhor  Mitchell?  —  atirei,  me  sentindo  a  última  flor  do
jardim.
— Os seus medos, sonhos, suas perspectivas de vida... por que a américa,
por  que  Nova  York,  por  que  o  La  Chica...  são  muitas  perguntas...  senhora
Mitchell.
Xeque-mate.
Ser chamada de “senhora Mitchell” me trouxe uma nova sensação nunca
antes experimentada.
Eu era uma mulher casada. Com um bilionário.


Um  gostosão  bilionário  que  havia  me  deixado  praticamente  anestesiada
e... bom, melhor parar por aqui.
— Não é uma história emocionante — eu o alertei.
—  Ainda  assim  me  fará  enxergar  uma  nova  faceta  sua.  E  é  tudo  o  que
quero.
Quando  menos  percebi  descobri  que  estava  sorrindo.  Fechei  o  rosto  e
olhei ao redor.
Esperei  que  a  champanhe  e  taças  fossem  postas  na  mesa  e  a  sopa  ou
caldo de frutos do mar fossem colocados diante de nós.
Héctor rapidamente dispensou os garçons e voltou sua completa atenção
para mim enquanto me servia o champanhe.
—  Eu  nasci  em  uma  cidade  no  interior  do  Brasil,  uma  família  grande,
conservadora, mente fechada...
— E quis o destino que se tornasse stripper — ele me entregou a taça.
— Quis a ocasião e o medo de ser deportada que eu me tornasse stripper
— o retifiquei prontamente.
Ele anuiu e mostrou que queria ouvir mais.
—  Eu  me  preparei  para  entrar  em  psicologia  na  USP,  pelo  menos,  foi  a
versão que dei para os meus pais. Sabe o que é a USP, certo?
—  Sei  —  o  senhor  Mitchell  sorveu  o  líquido  bem  devagar  sem  tirar  o
olhos de mim.
— Mas eu preferi vir para cá, tentar a vida, buscar algo grande... fugir do
meu passado.
Fugir? — ele disse a palavra com lentidão.
—  Por  que  você  não  me  conta  algo  inusitado  sobre  você  agora?  —
comecei a mexer em meu cabelo.
— Fui capitão do time de...
— É claro que você foi — murmurei.
Desculpe-me? — Héctor arqueou a sobrancelha.
— Não, não, eu não estou duvidando de você, em hipótese alguma! Meu
tom foi mais no sentido: é claro que você foi capitão do time da faculdade, chefe
dos  escoteiros,  o  primeiro  aluno  da  classe,  o  garanhão  da  universidade,  tipo
isso...
—  É,  pior  que  fui  tudo  isso  mesmo  —  seus  lábios  formaram  um  fino
sorriso e ele terminou de beber o espumante. — Eu tive um filho.


Aquele assunto pairava no ar há alguns dias. Eu já ouvido a menção da
informação, mas aquilo nunca foi dito por ele.
E eu precisava deixar claro de imediato que o contrato dizia que eu tinha
de ser esposa, não mãe. Deus, eu não estava preparada para ser mãe!
Com o amor da sua vida, aposto — chutei.
—  Na  verdade,  não.  Talvez  —  ele  balançou  os  ombros.  —  Ela  era  a
minha melhor amiga. Ela queria ter um filho, escolheu o cara errado, um babaca
que a decepcionou, então me prontifiquei... eu também queria um filho.
— Nossa — não escondi a surpresa.
Eu já havia criado uma novela mexicana em minha cabeça e era isso?!
— Eventualmente nos apaixonamos, é claro — ele voltou a balançar os
ombros. — Mas eu continuava a sair com outras garotas e ela com outros caras...
— Que modernos...
—  Ela  morreu  no  parto  —  o  tom  daquilo  foi  amargo.  Héctor  me  olhou
com  seriedade.  —  Naquela  noite  o  meu  pai  precisou  da  minha  ajuda  e  eu  fui
imediatamente  ajudá-lo.  Serena  se  machucou,  ninguém  nunca  soube  explicar
como,  os  médicos  dizem  que  ela  caiu.  Mas  ela  conseguiu  chegar  ao  hospital,
mesmo desacordada e teve o Anthony.
— Como ela conseguiu...?
— Amanda. Uma amiga dela.
—  Huuuum  —  prolonguei  a  vogal  enquanto  balançava  o  espumante  na
taça. — E Serena não conseguiu dizer o que houve? Mas o bebê...?
—  Anthony  nasceu  prematuro,  embora  seja  um  campeão,  sempre  foi
muito  frágil.  E  isso  me  machucou  porque  ele  era  meu  filho  e  eu  não  estive  lá
para ajuda-lo quando foi preciso...
Abri bem os olhos. Fora o estereótipo do homão que eu havia construído
em minha mente, parecia que havia um coração ali dentro.
— Eu me culpei e me culpo todos esses anos... eu poderia ter feito mais
por ele...
Se Héctor começou a me ganhar em nosso envolvimento anterior, agora
ele abocanhou um novo pedaço de mim. Eu realmente não imaginava que havia
um ser humano tão genuíno por detrás daquele rosto fechado, aqueles músculos,
aquela mão que enforca a gente e...
— Como ele está? — perguntei.
—  Doente,  como  sempre  —  sua  voz  saiu  meio  embargada.  —  Anda
muito  pouco,  fala  pouco,  Anthony  é  extremamente  antissocial,  fechado  em  seu


próprio mundo...
— Autista? — cocei meu queixo.
— Não... só... depressivo e frágil...
Estendi minha mão e segurei no dorso da dele, tentei abrir o meu melhor
sorriso, não sabia se era o suficiente.


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