Protegida pelo Bilionário



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Beatriz Rodrigues
— O que a mulher de um bilionário faz? — Hillary coçou os lábios com
a colher com que comia sorvete.
O  que  a  mulher  de  um  homem  faz?  —  devolvi  a  pergunta  com  bom
humor.


— Ele não te deu instruções?
—  É  claro  que  ele  me  deu  instruções  —  encostei  o  corpo  na  pia.
Imediatamente me lembrei de nossa conversa.
Héctor me entregou um tablet onde  manteríamos  contato  e  eu  receberia
todos os comandos necessários para o dia a dia. Quando e onde iríamos almoçar,
reuniões, encontros e festas onde eu devia me fazer presente e situações em que
eu  precisava  comparecer  à  empresa  para  fazer  sala  e  aparecer  na  frente  dos
advogados para atestar de que estávamos juntos e tudo estava bem.
— E em meio a esse roteiro, quando vocês vão ter tempo só para vocês?
— ela colocou uma colherada generosa de sorvete de baunilha na boca.
—  Hum...  bem,  não  há  essa  informação  no  “roteiro”.  É  apenas  um
contrato.  Eu  sou  como  uma  atriz,  uma  garota  de  programa,  que  tem  programas
agendados para um ano.
— Tá, e quando vocês fodem? — Hillary riu.
Eu fechei o pote de sorvete e a repreendi com o olhar.
— Quando ele quiser — tentei a resposta mais segura.
E quando você quiser?
Um arrepio subiu pela espinha. Fiquei paralisada com aquela pergunta. E
quando eu quisesse? Eu tinha a liberdade de ir até ele? De saciar meus desejos?
— Eu... bem, eu...
—  Você  não  pode  transar  com  outros  caras,  certo?  —  Hillary  fez  uma
pausa. — Como se você transasse... — ela gargalhou.
Minha vontade foi pegar o pote de sorvete e jogar nela.
—  E  nem  ele  pode  com  outras  mulheres.  Mas  o  Héctor  é  um  homem
cobiçado,  com  mulheres  da  alta  classe  ao  redor  dele  feito  abutres...  e  se
acontecer? E se ele...?
—  Se  ele  quebrar  o  contrato,  perde  tudo  —  um  gosto  amargo  veio  a
minha boca.
Até mesmo pensar naquilo era ruim por diversos motivos.
Primeiro  que  eu  sentiria  que  falhei  em  algo,  mesmo  que  até  então,  em
tudo que eu havia lido com cautela, eu não tinha a obrigação do sexo. Como o
próprio Héctor disse, aquele assunto era como “ter todas as cartas nas mangas”.
Segundo  que  se  ele  perdesse  tudo  eu  estava  ferrada  em  uma  escala
Richter  difícil  de  se  medir.  Eu  seria  presa,  deportada,  ou  sei  lá  mais  o  que
poderia acontecer nessa altura do campeonato.
—  E  me  diga,  por  que  diabos  você  se  casou  secretamente  e  não  me


contou?
— Por que fizemos uma troca. Héctor me protegeria de tudo a partir de
agora e eu seria a mulher que ele precisava.
— E você está se sentindo protegida?
—  Bom,  tem  quatro  homens  no  corredor.  Mais  quatro  lá  embaixo.  Sem
falar nos que eu sequer identifiquei — tive de balançar os ombros. — Você está
melhor? Também se sente segura, Hill?
— É, eu estou... — ela abriu o pote de sorvete e deu uma nova colherada.
— E, céus, como comer é bom, amiga!
Rimos juntos e continuei a preparar o meu café.
— Mas e quanto a ele... — a voz de Hillary roubou minha atenção, mas
não parei preparar meu café da manhã.
— O que tem ele?
— Você está sendo a mulher que ele precisava?



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