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Beatriz Rodrigues

Mama! — Héctor rosnou tão alto que eu me arrepiei toda.
Sua voz ecoou por aquele salão faraônico de proporções surpreendentes e
ornado com peças de ouro, cristais finos e joias raras.
Enquanto  seguia  Héctor,  embasbacada  pelo  lugar,  vi  a  senhora  Mitchell
coordenando  duas  dezenas  de  pessoas,  indicando  onde  os  arranjos  de  flores
deveriam ficar quando chegassem e reagrupando a posição das cadeiras.
Sério, o pouco que andei eu já havia visto pelo menos uns quatrocentos
lugares.
— O que está havendo? — Héctor inquiriu.
— Preparativos de um casamento — sua mãe respondeu com sequidão,
sequer o olhou.
— O meu casamento — ele retrucou.
Ela ficou em silêncio, continuou a apontar para os ajudantes como queria
a ornamentação.
“Cinquenta lugares”? — ela debochou. — Cinquenta lugares é o que
minha irmã precisa de convidados.
—  A  senhora  não  tem  o  direito  —  Héctor  respirou  fundo  e  manteve-se
firme.


Não tenho? — ela se virou devagar. Olhos fortes, tão firmes quanto os
dele, sem medo de peitá-lo. — O dinheiro é meu.
Meu — ele a corrigiu prontamente.
—  Seu.  Até  a  prostituta  trouxer  o  caos  a  essa  família  e  entregar  tudo  a
Geoffrey  de  mãos  beijadas.  Pense  da  seguinte  forma,  Héctor,  essa  é  a  nossa
despedida do maravilhoso mundo dos poderosos onde estamos inseridos. Vamos
gastar pelo menos 10% de todo o dinheiro. Não o veremos depois.
—  O  dinheiro  não  é  seu  para  decidir  isso  —  ele  se  manteve  firme  e
calmo, sua postura era invejável.
E  eu  ali,  a  “prostituta”,  entre  uma  mulher  que  estava  em  seu  direito  em
ver  sua  fortuna  escorrer  das  suas  mãos  para  a  incerteza  de  um  casamento
arranjado, e o meu defensor.
Nunca imaginei que alguém me defenderia assim.
—  Héctor,  você  vai  se  arrepender  amargamente  disso.  Não  duvido  das
suas  qualidades  para  administrar  a  empresa,  mas  se  casar  com  uma  rameira?
Uma... uma... vagabunda?
Esbugalhei os olhos.
Stripper — Héctor disse com tanta calma que até eu me assustei. — A
minha mulher.
— A sua mulher não tem família, deve ser uma coitada de rua, por isso
você quer humilhar nossa família e exigir que só hajam “cinquenta convidados”?
não poderei usufruir da fortuna do meu marido? Pelo menos uma última vez? —
a mulher continuava afiada.
Héctor se virou para mim.
Quer saber? Estava na ponta da língua.
“Héctor  isso  é  um  erro,  sua  mãe  está  certa.  Você  não  precisa  confiar
numa  completa  desconhecida  que  pode  fazer  sua  fortuna  desaparecer.  Escolha
outra pessoa, uma de boa família, case-se com ela. Qualquer mulher se sentiria
honrada  em  ser  sua,  e  eu  não  mereço  esse  privilégio.  Por  favor,  aceite  minha
quebra de contrato e não me puna. Só me permita ir...”
—  Olhe  ao  redor  —  suas  palavras  ao  chegarem  aos  meus  ouvidos  me
fizeram até esquecer o que se passava em minha cabeça.
Ele andou ao meu redor, o terno caríssimo tocando minha jaqueta preta e
barato. Seus olhos claros com uma calmaria invejável. E eu ali, bobona, no meio
daquela guerra familiar sem saber o que fazer além de encontrar boas desculpas
para ir embora.


— É essa a festa de casamento que você quer? — ele murmurou.
O salão era lindo. Devia ter custado os olhos da cara.
As  mesas,  cadeiras,  a  prataria  e  as  ornamentações...  vasos,  estátuas,  até
mesmo os arranjos de flores artificiais como “teste de cor” deviam valer mais do
que tudo o que tinha em minha conta – e olha que eu havia acabado de receber
meio milhão.
Era o sonho de qualquer mulher.
Mas não o meu. Não naquelas circunstâncias.
Se  fosse  um  casamento  envolvendo  amor  verdadeiro,  uma  conexão  e
cumplicidade, eu aceitaria. Não seria louca de negar!
Mas  eu  precisava  admitir  que  a  senhora  Mitchell  estava  certa  em  uma
coisa: eu era a desconhecida, a intrusa, a tesoura que facilmente cortaria o fio de
toda aquela tapeçaria.
— Como você não sabe que ela não foi contratada pelo Geoffrey para te
destruir? Como você é estúpido em permitir que uma mulher possa ter domínio
sobre você?! — ela rosnou enfurecida contra as costas dela.
Eu pude ouvir sua voz. Não pude vê-la.
Héctor se colocou diante de mim e a tampou. Segurou com as duas mãos
em meu rosto e ergueu meu olhar em sua direção.
Ele me olhou daquele jeito imponente e exalou toda a masculinidade que
tinha só naquele olhar. Precisei mordiscar o lábio.
E  o  movimento  não  foi  sutil  o  bastante.  Seu  dedo  polegar  desceu  para
meus  lábios  e  os  pressionou  como  se  quisesse  entrar  em  minha  boca.  Eu
aceitaria.
É essa a festa de casamento que você quer? — ele repetiu.
—  Não  acho  que  preciso  de  uma  festa  de  casamento  —  foi  uma  luta
poder  dizer  isso,  a  respiração  mal  saía.  —  É  um  casamento  arranjado  e  eu  não
quero tirar mais dinheiro da sua família...
—  Você  sabe  que  será  seu  dinheiro  também,  de  alguma  forma  —  ele
murmurou.
Vamos  esclarecer  uma  coisa.  Ter  homens  jogando  notas  de  cem  dólares
por te ver mexer o corpo dá uma sensação quase de orgasmo, pois você se sente
valorizada.
Mas  ver  que  um  homem  te  coloca  à  frente  da  própria  fortuna  e  te  trata
como ser humano... isso sim... isso mexeu comigo.
—  Eu  acho  que  você  deveria  escolher  uma  outra...  —  tentei  dizer.  Que


fique registrado que eu tentei.
Héctor  pressionou  o  dedo  polegar  em  meus  lábios  e  me  impediu  de
continuar.
Seu rosto, a moldura e quadro mais belos que eu já havia visto na vida, se
aproximou. Sua boca tomou a minha sem permissão e se antes eu estava sem ar,
agora eu não conseguia sentir o chão.
Fiquei  na  ponta  dos  pés  e  quase  desmaiei  ao  sentir  aquela  mãozona  me
agarrar pela nuca e me puxar contra o corpo musculoso, quente e confortável.
Eu ficaria presa naquele abraço uma eternidade ou duas, se pudesse.
Tão zonza, tão atrapalhada, tão perdida em meus pensamentos fiquei, que
quando aquele beijo intenso e lento terminou, eu ainda continuei o raciocínio.
uma outra mulher... — soltei e tentei me recompor. Era difícil.
— Héctor, você não...! — a mãe esbravejou.
—  Diga-me  o  que  você  quer  —  ele  exigiu,  rouco,  os  olhos  sérios  e  um
jeito quase ranzinza de me encarar.
Eu  quero  você?!  O  que  eu  diria  numa  ocasião  dessas?  “Me  tome  por


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